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PROJETOS
EM DESENVOLVIMENTO:
Projeto
"Trazendo o setor saúde para o debate sobre a reforma
legal: O caminho para a efetiva implementação de
uma nova legislação sobre o aborto no Brasil"
O projeto tem como principal meta
o apoio aos esforços
de advocacy para a reforma legal no Brasil, trazendo o debate junto aos
profissionais de saúde, e visando reduzir as possíveis
barreiras na implementação de uma lei mais ampla e menos
restritiva em relação ao aborto.
Visando entender os determinantes
que influenciam na qualidade da atenção às
mulheres em situação de abortamento, foi feito um estudo
exploratório em serviço de referência na região
Sudeste do Brasil. Dentre os dados colhidos, verificou-se que as razões
alegadas para a não realização da interrupção
legal da gestação estão baseadas em uma diversidade
de argumentos, tais como: motivos de foro íntimo, questões
religiosas, éticas e “de consciência”. Considerando
que de 40 profissionais no serviço, somente 2 profissionais realizam
a interrupção legal da gestação (5%), constatou-se
a existência de uma cultura institucional de tolerância à recusa
em prestar assistência, fundamentada nos diversos argumentos mencionados,
que justificam o pouco acesso das mulheres ao aborto previsto em lei.
Os resultados deste estudo foram apresentados e publicados nos no Congresso
Internacional Fazendo Genero 7 Genero e Preconceito, realizado em Florianópolis,
de 28 a 30 de agosto de 2006. Nesse estudo, constatou-se que a condição de ilegalidade
do aborto somada aos mitos, crenças, e valores pessoais dos profissionais
de saúde, podem dificultar o acesso das mulheres aos serviços
de qualidade nos casos de aborto previstos em lei Há pouco debate
a este respeito que contemple o papel do Estado para garantir o acesso à saúde
e a proteção dos direitos humanos, entre os quais: o direito à igualdade
e à não discriminação no acesso à saúde;
o direito à liberdade e segurança pessoal, através
do acesso ao procedimento seguro, que não represente riscos à sua
integridade pessoal, saúde física e mental.
Ipas Brasil vem trabalhando junto aos profissionais
de saúde
os limites existentes à prática da objeção
de consciência, a partir do enfoque dos direitos humanos das mulheres.
Este tema é estratégico para criar um ambiente favorável
na atenção e promover o maior acesso à interrupção
da gestação nos casos previstos em lei. Ipas vem desenvolvendo
oficinas de capacitação sobre os princípios éticos
e direitos humanos na atenção ao aborto, usando metodologias
participativas, direcionadas aos profissionais de saúde.
A metodologia desenvolvida por Ipas visa problematizar
os mitos, crenças
e valores em relação ao aborto que interferem na prática
dos profissionais de saúde e na qualidade da atenção.
Trata-se de uma metodologia que conjuga a aplicação de
exercícios de esclarecimento de valores e discussão de
situações-problema, visando estimular a reflexão
e possibilitar a mudança de atitude do profissional de saúde
na assistência ao abortamento, que resulte em melhoria da atenção
prestada.
Ainda no marco do projeto mencionado, Ipas Brasil
apóia as ações
e integra as Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro, articulação
do campo feminista, que reúne 16 Redes e Articulações
Nacionais e 43 Organizações Sociais, tendo como objetivo
impulsionar a revisão da legislação punitiva do
aborto no Brasil.
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