Histórico
A partir do segundo semestre de 2007, passam a acontecer
discussões
informais com médicos e integrantes de ONGs que trabalham
com Direitos Sexuais e Reprodutivos e que sentiam também a
necessidade de trocar informações e aprender sobre
o tema com especialistas de diferentes áreas do conhecimento.
Um momento importante para o tema do aborto, do ponto
de vista da opinião pública, acontece quando em setembro de 2008
o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, destaca
a importância de deslocar a discussão do terreno do
crime para o da saúde pública, declarando em audiência
pública no Supremo Tribunal Federal ser favorável à descriminalização
do aborto, em particular, em caso de anencefalia fetal.
O GEA está diante do desafio político de produzir
fatos, matérias para a imprensa, debates institucionais, artigos
para revistas das mais diversas sociedades.
Após um período de cerca de seis meses dedicado ao
aprendizado, os integrantes do GEA viram acalorar-se, no segundo
semestre de 2008, a discussão da ADPF no STF sobre anencefalia.
Além das duas instâncias ministeriais – Ministério
da Saúde e Secretaria Especial para as Políticas para
as Mulheres – o Grupo contou com o da diretoria da Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, tanto
que as reuniões do GEA passaram a se realizar na sede da instituição.
O tema aborto foi inserido nas Reuniões Anuais da SBPC e o
Jornal da Ciência deu cobertura aos temas que surgiram e estavam
relacionados à questão da interrupção
da gravidez, como a visita do Papa ao Brasil e a discussão
sobre Estado Laico.
Vários integrantes do GEA foram ouvidos nas Audiências
Públicas no STF em agosto e setembro de 2008. Dessa forma,
o Grupo constitui-se em um laboratório de provas para as exposições
que viriam a ser feitas.
As falas dos membros do GEA foram objetivas e bem
formuladas, a partir das reuniões do grupo. Uma dessas colocações
nas audiências, a do professor Thomas Gollop, ressaltou que
o diagnóstico da anencefalia é 100% seguro através
de ultra-sonografia realizada por volta da 11ª semana de gravidez
e que o Sistema Único de Saúde está perfeitamente
aparelhado para realizar este tipo de exame.
O desembargador Alberto Silva Franco fez várias considerações
médicas, bioéticas, jurídicas e jurídico-penais
e destacou, entre suas conclusões, que: “- o anencéfalo
constitui um projeto embriológico falido, não sendo
um processo de vida, mas um processo de morte; destarte, não
há como considerá-lo tecnicamente vivo, pois é ele
carente de toda capacidade biológica para a concretização
de uma vida humana viável; - a anencefalia, sob o prisma médico,
provoca no processo de gravidez riscos de caráter físico
e social, e sobretudo transtornos de natureza psíquica à mulher
gestante; - a mãe gestante de anencéfalo tem o direito
de optar pela mantença ou não do processo de gravidez
e, ao decidir pela interrupção da gravidez ou pela
antecipação do parto, não ofende nenhum dos
quatro princípios que sedimentam a Bioética: autonomia,
justiça, beneficência e não- maleficência;
não há confundir questões morais ou religiosas
com questionamentos jurídicos; não cabe, num Estado
laico, dentro de uma sociedade pluralista, o entendimento de que
a opção da mulher, portadora de anencéfalo,
pela interrupção da gravidez ou pela antecipação
do parto, deva ficar subordinada a considerações morais
ou a dogmas religiosos” .
Uma das reuniões do GEA aconteceu no Rio de Janeiro, a partir
da sugestão de um deslocamento do grupo para os estados para
construir e fortalecer a rede de apoio. Foi uma experiência
bem-sucedida para os integrantes do GEA se inteirarem das realidades
locais.
Ainda no segundo semestre de 2008, integrantes do
GEA passam a ter participação em diversos programas de Rádio
e TV. Essas inserções foram importantes para que a
opinião pública fosse esclarecida sobre a questão
do feto anencefálico e morte cerebral.
No final de 2008, a convite de Jaqueline Pitanguy,
da CEPIA, o GEA participa de um debate na Casa Brasil que resultou
em uma publicação
de quatro páginas no Jornal do Brasil e uma página
na Gazeta Mercantil.
Com o caso da menina de 9 anos grávida de gêmeos e
que era sistematicamente violentada pelo padrasto em Pernambuco,
o GEA volta a colaborar na imprensa. Seus integrantes participam
de debates realizados em rádio, TV, jornais e revistas. Além
disso, o GEA se manifesta através de cartas publicadas em
veículos como Revista Veja, Folha de S. Paulo, Revista IstoÉ e
de uma extensa matéria sobre aborto na Revista Brasileiros.
A reunião do GEA de 4 de abril de 2009 no CISAM, em Recife,
teve como função ser um ato de solidariedade com a
equipe local, tendo em vista o caso da menina de 9 anos que abortou
gêmeos; agrupar outros serviços da Paraíba e
da Bahia, uma vez que em Salvador houve um outro caso semelhante
ao de Recife, com uma menina de 13 anos que engravidou do pai; e
estudar as dificuldades locais nos Serviços de Aborto Legal
e formas de enfrentá-las.