1 - INTRODUÇÃO E OBJETIVO
O principal
objetivo dessa pesquisa foi a ampliação do nível
de informações sobre o funcionamento da rede de proteção,
atendimento e responsabilização em violência
sexual, aprofundando, em especial, o conhecimento sobre a qualidade
da atenção prestada nos serviços de referência
em saúde nas cidades de Rio Branco (AC), Porto Velho (RO)
e Belém (PA). Teve-se a preocupação em compreender
os limites e possibilidades dos serviços de saúde e
as estratégias locais, no que tange à atenção
de qualidade às mulheres e adolescentes em situação
de violência sexual. Nas três cidades a preocupação
central foi observar o processo de implementação das
diretrizes da qualidade de atenção prestada aos casos
de violência sexual contra adolescentes e mulheres pela rede
de saúde.
2 – MATERIAL
E MÉTODOS
As informações
foram coletadas através de entrevistas individuais e grupos
focais realizados com profissionais e gestores de serviços
voltados à atenção à violência
sexual no período de junho de 2003 a janeiro de 2005. Além
disso, com a análise das falas dos diferentes agentes (técnicos
e gestores) foi possível avaliar as condições
de funcionamento dos serviços e as demandas por estruturação
efetiva da rede de atendimento. Não se trata, simplesmente,
de uma coleta de dados que serão analisados distantes de seu
contexto. Mas sim de verificar e problematizar, a partir das informações
colhidas, como estão se dando os processos de implementação
efetiva de políticas conforme as diretrizes presentes nas
normas e legislações relativas à violência
sexual contra mulheres e adolescentes.
3 – RESULTADOS
E CONCLUSÕES
Dentre
as diferentes questões problematizadas ao longo da pesquisa,
elegemos três que consideramos mais emblemáticas dos
dilemas e dificuldades com que os profissionais dos serviços
entrevistados apontaram como crucias ao atendimento de mulheres e
adolescentes em situação de violência sexual.
I - VIOLÊNCIA
SEXUAL: ENFRENTAMENTO EM REDE
Há uma
unanimidade de opiniões entre técnicos e gestores em
relação ao reconhecimento da questão da violência
sexual contra mulheres e adolescentes como um problema crítico
e específico – cada um com sua singularidade e especificidade
- dentro do debate sobre violência em geral e passível
de sofrer intervenção do poder público. É recorrente,
também, a percepção de que esse tema envolve
diferentes segmentos sociais: saúde, justiça, educação
e segurança; que não estão suficientemente engajados
e estruturados para o atendimento dos casos de violência sexual.
Os casos devem ser acompanhados não só na fase crítica
do atendimento, mas por programas de prevenção e acompanhamento.
II - ALCANCE
E CONHECIMENTO DAS POLÍTICAS, NORMAS E LEGISLAÇÃO
PELOS PROFISSIONAIS ENTREVISTADOS.
Veremos a seguir os diferentes graus de conhecimento e posicionamentos
dos profissionais em relação às seguintes políticas,
normas e legislações: Plano Nacional de Enfrentamento da
Violência Sexual Infanto-Juvenil, Norma Técnica para Prevenção
e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres
e Adolescentes e Manual de Notificação de Maus-Tratos contra
Crianças e Adolescentes pelos profissionais de Saúde.



III – PRINCIPAIS
OBSTÁCULOS NO PROCESSO DE ATENDIMENTO
Diferentes
obstáculos para a Atenção às Vítimas
de Violência Sexual foram apontados e pressupõem critérios
objetivos e subjetivos diretamente inter-relacionados. Ambos estão
incluídos no debate sobre capacitação e sensibilização
dos profissionais e gestores. O primeiro se refere às dificuldades
materiais que envolvem o processo de identificação,
notificação e atendimento das pessoas vítimas
de violência sexual. O segundo, apresenta o caráter
subjetivo das ações – tanto dos profissionais
quanto das vítimas -, que levam à subnotificação,
a não identificação da violência como
tal, ao julgamento de valores e a não responsabilização.