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ISSN 2176-4107

Editorial

Após recente decisão sobre o uso de células-tronco embrionárias em pesquisas, o Supremo Tribunal Federal - STF irá promover, nos dias 26 e 28 de agosto e 4 de setembro de 2008, três audiências públicas sobre anencefalia fetal. As audiências se darão no âmbito da ação de Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF n° 54, ajuizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), com o apoio técnico e institucional da ANIS – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero.

A ADPF n° 54 pretende obter um pronunciamento do STF em relação ao direito constitucional das gestantes de ter acesso a procedimento médico de antecipação terapêutica do parto, e garantir o direito dos profissionais de saúde de realizar o procedimento amparados na liberdade pessoal e profissional.

Desde sua apresentação junto ao STF, em 2004, a ADPF vem esquentando o debate no país. Em julho de 2004 o relator da ação, o Ministro Marco Aurélio Mello concedeu liminar à CNTS para reconhecer o direito constitucional de gestantes de fetos anencefálicos de realizar a antecipação terapêutica do parto. A liminar, entretanto, foi cassada por maioria de 7 a 4, em outubro de 2004.

Em consideração aos debates que deverão ocorrer nos próximos dias, a ANIS lança a campanha "Não me obrigue a sofrer". A campanha pelo direito a interrupção da gestação em caso de anencefalia vem, através de um vídeo e de petição online, pedir o apoio da sociedade ao pedido da ADPF 54.

No âmbito internacional, quase todos os países democráticos do mundo autorizam a interrupção da gestação de um feto com anencefalia. Na maioria dos países desenvolvidos, como a Suíça, Bélgica, Áustria, Itália, França e Espanha, o aborto por anencefalia já é permitido. Nos países em que as mulheres têm o direito de escolher interromper gestações por motivos de risco a sua saúde, abortos de fetos anencefálicos são, em geral, permitidos.

Existem, ainda, precedentes na área do direito internacional que apóiam o direito das mulheres ao acesso ao aborto nestes casos, como por exemplo um caso ocorrido no Peru, em que o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas considerou que o governo do Peru descumpriu a obrigação por ele assumida no Protocolo Opcional ao Pacto dos Direitos Civis e Políticos ao negar o acesso ao procedimento de interrupção da gravidez previsto na lei peruana para K.L., grávida de um feto anencefálico. A lei peruana permite o aborto quando a vida ou a saúde da mulher estão em risco. O Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas considerou que o governo do Peru violou o direito de K.L. de estar livre de tortura e tratamento cruel, desumano ou degradante (Art. 7) e, por negar o acesso, em tempo hábil, a um remédio legal, violou também a obrigação de respeitar e garantir direitos (Art. 2), dentre outras violações [1]. Saiba mais através do lin
k: http://www.reproductiverights.org/pr_05_1117KarenPeru.html

Também no mês de agosto, os jovens da UNE (União Nacional dos Estudantes) em parceria com o Ministério da Saúde, começam a discutir a legalização do aborto através da "Caravana UNE: Saúde, Educação e Cultura". A Caravana percorrerá 41 universidades públicas e privadas nos 26 estados brasileiros ao longo dos próximos quatro meses. Em julho passado, Ipas Brasil em parceria com a UNE, realizou no município de Nova Iguaçu, o seminário “Direitos reprodutivos e aborto: ferramentas de advocacy para a juventude”. Nessa edição da Revista Eletrônica, a presidente da UNE, Lúcia Stumpf, destaca a importância da discussão do tema do aborto com a sociedade brasileira.

Para maiores reflexões sobre a criminalização do aborto no Brasil, recomendamos assistirem e indicarem o video da campanha de Ipas Brasil - "Criminalizar o aborto resolve? Vai pensando ai"; que continua na rede, através do YouTube, com discussão no site de relacionamentos do Orkut.

Muito obrigada
Leila Adesse
Diretora IPAS BRASIL

[1] K.L. v Peru, Comm. No. 1153/2003, 24 de outubro de 2005. UN Doc. CCPR/C/85/D/1153/2003 (2005)

Nesta Edição

Artigos On-Line


IPAS GLOBAL

“Kansas and Brazil Punish Women for Abortion” (em Inglês)
Anu Kumar on July 21, 2008 RH Reality Check

Outras leituras (em inglês do Reproductive Health Reality Check):
"Crime and Punishment: Illegal Abortion in Brazil"
Amber Levinson on July 29, 2008 RH Reality Check

"Brazil: The Long Fight for Abortion Rights"
Karim Velasco on July 21, 2008 RH Reality Check

BRASIL EM FOCO
"Comissão de Constituição e Justiça rejeita PL 1.135"
21/07/2008 Evanize Sydow, Ipas Brasil

Outras leituras:
"Brasil, um país de todos?"
Julho 2008 Roberto Arriada Lorea

DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS
"Anencefalia: o debate no Supremo Tribunal Federal e as suas implicações para a prática e assistência em saúde"
Ipas Brasil 2008

SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA
“Práticas dos profissionais das equipes de saúde da família voltadas para as mulheres em situação de violência sexual”
OLIVEIRA, Celin Camilo de; FONSECA, Rosa Maria Godoy Serpa da. Rev. esc. enferm. USP , São Paulo, v. 41, n. 4, 2007 .

REFLEXÕES E OPINIÕES
"Enquanto o aborto não for um direito das brasileiras, esta será uma bandeira permanente da UNE"
Agosto 2008 - Entrevista com Lucia Stumpf - Presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) Por Evanize Sydow, Ipas Brasil

Outras leituras:
"Aborto Inseguro e Juventude: dados e subsídios para ação política"
Ipas Brasil 2008

Informações e Eventos

Ipas Notícias e clippings
»
Violação de direitos: Mantida exigência de boletim de ocorrência para vítimas de violência sexual no Rio de Janeiro
» "O Aborto dos Outros" nos cinemas de SP e RJ em setembro

» ANIS lança campanha pelo direito a interrupção da gestação em caso de anencefalia
» Clipping: Maternidades têm até dezembro para incentivar parto humanizado (ANVISA, 22/07/08)

Links Recomendados

Ciência e Pesquisa

Informações e Eventos

AGOSTO

Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder
25 a 28 de agosto - Florianópolis, SC
Cronograma e chamada para PROPOSTAS DOS SIMPÓSIOS TEMÁTICOS - até dia 5 de maio, inscrições para resumos. Informações: fazendogenero8@gmail.com ou pelo telefone (48) 3721-8211 (período da tarde)
http://www.fazendogenero8.ufsc.br/

XIII Congresso Paulista de Obstetrícia e Ginecologia
Data: 28 a 30 de agosto
Local: Transamerica Expo Center - São Paulo - SP
Realização: SOGESP
Tel.: 55(11)3884-7100 Fax: 55(11)3884-7654
E-mail: sogesp@uol.com.br
Home Page: http://www.sogesp.com.br/

14º SEMINÁRIO INTERNACIONAL DO IBCCRIM
26 a 29 de agosto de 2008
Informações: http://www.ibccrim.org.br/seminario/2008/

V Congresso Científico de Bioética de Uberlândia
Data: 30 e 31 de agosto de 2008,
Local: Anfiteatro do Bloco 3Q do Campus Santa Mônica, da Universidade Federal de Uberlândia.
Inscrições individuais, exclusivamente pelo e-mail: bioeticaudi@yahoo.com.br, com envio dos dados pessoais (nome completo e CPF, condição de estudante ou profissional, nome da instituição, telefone, cidade e estado). Após o recebimento dos dados e efetuada a pré-reserva, será enviado um e-mail com instruções para o pagamento. Inscrições para participação das oficinas serão realizadas durante o evento. O prazo para inscrição como ouvinte se encerra dia 20 de agosto de 2008, ou enquanto houver vagas. Vagas limitadas.
Edital completo através do site http://www.ufu.br, na seção de Eventos Científicos.


SETEMBRO

Reproductive Health 2008
Data: 17 a 20 de set. em Washington, DC - Estados Unidos
Informações: http://www.arhp.org/rh2008/index.cfm

EPI 2008 - 7º CONGRESSO BRASILEIRO DE EPIDEMIOLOGIA E 18º CONGRESSO MUNDIAL DE EPIDEMIOLOGIA
Data: 20 a 24 de setembro, em Porto Alegre (RS)
Informações: http://www.epi2008.com.br/

Seminário Nacional sobre Sexualidade, Gênero e Direitos Humanos
25 a 27 de setembro de 2008, na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, GO.
As inscrições são gratuitas, inclusive para apresentação de trabalhos e relatos de experiências, e podem ser feitas na página do evento:
http://www.sertao.ufg.br/seminario

Ipas Notícias

Violação de direitos: Mantida exigência de boletim de ocorrência para vítimas de violência sexual no Rio de Janeiro
Agosto 2008

A medida significa, na prática, uma barreira desnecessária para o acesso das vítimas ao aborto previsto em lei

A 5ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região do município do Rio de Janeiro negou o pedido de liminar do Ministério Público Federal para suspender a aplicação do Decreto Municipal 25.745, de 2005, que exige que mulheres grávidas em decorrência de violência sexual façam boletim de ocorrência policial para ter garantido o direito de realizar aborto pelo Sistema Único de Saúde.
...
Leia o texto completo através do link:
http://www.ipas.org.br/noticias.html#BO


"O Aborto dos Outros" nos cinemas de SP e RJ em setembro

Em setembro entra em cartaz, em cinemas de SP e RJ, o filme "O Aborto dos Outros".

É um documentário realizado em hospitais públicos que acompanha mulheres vítimas de violência que realizam a interrupção dentro da lei. Há também mulheres que realizaram o aborto clandestino e um caso de interrução de gestação inviável. O filme é mais uma proposta de discussão sobre o tema.

O filme estreou no festival "É tudo verdade" e participou do Festival de Cinema de Gramado em agosto de 2008.

Programação das exibições alternativas em SP a partir do dia 25 de agosto (arquivo em Word)

Trailer no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=mg95b1P19VA
Site: http://www.oabortodosoutros.com.br


ANIS lança campanha pelo direito à interrupção da gestação em caso de anencefalia
Agosto 2008

A anencefalia é uma má-formação incompatível com a vida. No Brasil, as mulheres grávidas de fetos com anencefalia são obrigadas a manter a gestação para enterrar o feto, instantes após o parto. Quase todos os países democráticos do mundo autorizam a interrupção da gestação de um feto com anencefalia. O Supremo Tribunal Federal decidirá se as mulheres poderão interromper a gestação em caso de anencefalia. Nos dias 26, 27 e 28 de agosto ocorrerão as audiências públicas de instrução da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental 54. O julgamento ocorrerá ainda em 2008. O pedido da ADPF 54 é pelo direito de evitar o sofrimento. Nenhuma mulher deve ser obrigada a interromper a gestação. Nenhuma mulher deve ser obrigada a manter a gestação de um feto que morrerá. Para apoiar: assine a petição e assista ao vídeo da campanha "Não me obrigue a sofrer" da ANIS - Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero.


Clipping: Maternidades têm até dezembro para incentivar parto humanizado
22/07/2008 - Anvisa

Os serviços de atendimento obstétrico e neonatal têm até dezembro para adotar medidas que incentivem o parto humanizado e a redução dos índices de mortalidade materna e neonatal no país.
...
Leia a matéria completa através do link:
http://www.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2008/220708.htm

Links Recomendados

Lei Maria da Penha tem 83% de aprovação da sociedade brasileira
07/08/2008 - Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres - SPM
A maioria da população brasileira conhece a Lei Maria da Penha (68%) e sabe da sua eficácia (83%). Após dois anos de sanção da lei, completados nesta quinta-feira (07/08), a sociedade brasileira está mais vigilante e menos tolerante aos casos de violência contra as mulheres. Isso é o que revela a pesquisa Ibope/Themis - Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero, com o apoio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), realizada entre os dias 17 e 21 de julho, com 2002 entrevistados em 142 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Dados da Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180 - mostram que, de janeiro a junho, foram registrados 121.891 atendimentos - um aumento de 107,9% em relação ao mesmo período de 2007 (58.417). Maior divulgação da lei, melhorias tecnológicas, aperfeiçoamento do sistema e capacitação das atendentes contribuíram com esse aumento. Parte significativa desse total deve-se à busca por informações sobre a Lei Maria da Penha, que registrou, no primeiro semestre deste ano, 49.025 atendimentos contra 11.020 (primeiro semestre de 2007). O crescimento corresponde a 346%.

Revista Ártemis
http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/artemis/index
Revista de Estudos de Gênero, Feminismo, sexualidades e Multiculturalismo. Trata-se de um periódico semestral, de caráter interdisciplinar, vinculado aos Programas de Pós Graduação em Sociologia e Letras da UFPB, teve a primeira edição publicada em dezembro de 2004.

Ciência e Pesquisa

Hospitalização por abortamento no Centro de Atenção à mulher (CAM) - IMIP - Recife

Autores: Souza, Ariani Impieri de; Cecatti, José Guilherme; Ferreira, Luiz Oscar C; Santos, Luís Carlos.
Fonte: J. bras. ginecol;106(9):355-61, set. 1996. ilus, tab.
Idioma: Port.
Resumo: Neste estudo foram entrevistados 230 mulheres que se internaram na Maternidade do CAM/IMIP por complicaçoes de abortamento. Com o objetivo de caracterizar o perfil desta população, seu conhecimento e uso de métodos para abortar e o tipo de abortamento, realizou-se uma análise descritiva da idade, presença ou não de companheiro, atividade remunerada, conhecimento e uso de método para abortar. Observou-se que na maioria dos casos, a mulher encontrava-se na faixa de 20-29 anos, não tinha companheiro, tinha escolaridade acima da 4ª série do 1º grau e não desempenhava atividade remunerada. Houve ainda baixo índice de complicações graves (7,4 por cento). A grande maioria das mulheres (65 por cento) conhecia o misoprostol que, quando o abortamento foi induzido, foi utilizado por 65,2 por cento delas. De acordo com a classificaçao da OMS para diferenciar abortamentos espontâneos de induzidos, observou-se que, em quase 80 por cento dos casos, os abortamentos foram classificados como certamente, provavelmente ou possivelmente induzidos (AU)

Respons: BR14.1 - BIBC - Biblioteca Central
Localização: LILACS

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Ipas Global
"Kansas and Brazil Punish Women for Abortion"
Anu Kumar (Ipas) on July 21, 2008 - Publicado no RH Reality Check

What does Kansas have in common with the southern Brazilian state of Mato Grosso de Sul? No, not samba, tropical drinks, or a tropical rain forest. These two distant lands are united in their desire to intimidate and harass women who have had abortions.
...

Leia o texto completo (em inglês) através do link:
http://www.rhrealitycheck.org/blog/2008/07/21/kansas-and-brazil-punish-women-abortion

Outras Leituras do Reproductive Health Reality Check (em inglês):
"Crime and Punishment: Illegal Abortion in Brazil"
Amber Levinson on July 29, 2008
http://www.rhrealitycheck.org/blog/2008/07/28/in-brazil-decriminalization-abortion-gains-new-urgency
"Brazil: The Long Fight for Abortion Rights"
Karim Velasco on July 21, 2008
http://www.rhrealitycheck.org/blog/2008/07/17/brazil-the-long-fight-abortion-rights

Brasil em Foco
"Comissão de Constituição e Justiça rejeita PL 1.135"
21/07/2008 por Evanize Sydow (Ipas Brasil)

No dia 9 de julho, após a realização de duas sessões extraordinárias, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara rejeitou o Projeto de Lei nº 1.135/91, que suprime o artigo 124 do Código Penal e descriminaliza o aborto (elimina a pena de prisão de um a três anos para quem pratica o aborto). Cinco deputados votaram a favor do PL: José Genoíno (PT/SP), Regis de Oliveira (PSC/SP), José Eduardo Cardozo (PT/SP), Paulo Rubens (PDT/PE) e Eduardo Valverde (PT/RO).

Matéria veiculada pelo jornal Folha de S. Paulo mostrou que a rejeição foi antidemocrática na opinião de ativistas e organizações que lutam pela descriminalização do aborto. "O ginecologista Thomaz Gollop, coordenador do Gea (Grupo de Estudos sobre Aborto), afirma que a decisão ocorreu à revelia da população. O Congresso está refletindo opiniões de comissões dominadas por evangélicos. E os evangélicos não representam o pensamento da população. Para ele, o Estado laico e a democracia não significam o domínio de uma corrente sobre a outra. Significa o respeito de todo mundo às posições individuais. Ter ou não filhos diz respeito apenas ao indivíduo." Além de outras opiniões, o texto traz a análise do diretor do Fórum de Campinas, juiz José Henrique Torres, que lamentou a decisão, tendo em vista que o PL é “absolutamente constitucional". "Não existe nenhum dispositivo constitucional que obrigue o legislador a criminalizar a prática do abortamento."

...
Leia a matéria completa através do link:
http://www.ipas.org.br/noticias.html#CCJ2

Outras leituras:
"Brasil, um país de todos?" por Roberto Arriada Lorea (arquivo em PDF)



Direitos Sexuais e Reprodutivos
"Anencefalia: o debate no Supremo Tribunal Federal e as suas implicações para a prática e assistência em saúde"
Ipas Brasil 2008

1. O que é anencefalia?

Informações médicas

A anencefalia é uma das mais graves má-formações fetais congênitas, incompatível com a vida extra-uterina, caracterizada por falha no fechamento do tubo neural, o que impede a formação dos hemisférios cerebrais e do córtex. Esta anomalia acarreta a inexistência de todas as funções superiores do sistema nervoso central, que é responsável pela consciência, cognição, vida relacional, comunicação, afetividade e emotividade. O prognóstico de sobrevida é de, no máximo, algumas horas após o parto. Não há qualquer possibilidade de tratamento ou reversão do quadro, o que torna a morte inevitável . [Behrman, Kliegman e Jenson]

É importante notar, portanto, que a gravidez de feto anencefálico possui um caráter de risco maior do que o de uma gravidez normal e traz graves danos à saúde mental da mulher, causando dor e sofrimento. Segundo parecer da FEBRASGO em relação aos riscos para a saúde física e mental para as mulheres grávidas de fetos anencefálicos, apresentado ao Supremo Tribunal Federal na petição:

"As complicações maternas são claras e evidentes:
A) A manutenção da gestação de feto anencefálico tende a se prolongar além de 40 semanas.
B) Sua associação com polihidrâminio (aumento do volume no líquido amniótico) é muito freqüente.
C) Associação com doença hipertensiva especifica da gestação (DHEG).
D) Associação com vasculopatia periférica de estase.
E) Alterações do comportamento e psicológicas de grande monta para a gestante.
F) Dificuldades obstétricas e complicações no desfecho do parto de anencéfalos de termo.
G) Necessidade de apoio psicoterápico no pós-parto e no puerpério.
H) Necessidade de registro de nascimento e sepultamento desses recém-nascidos, tendo o cônjuge que se dirigir a uma delegacia de polícia para registrar o óbito.
I) Necessidade de bloqueio de lactação (suspender a amamentação).
J) Puerpério com maior incidência de hemorragias maternas por falta de contratilidade uterina.
K) Maior incidência de infecções pós-cirúrgicas devido às manobras obstetrícias do parto de termo."


Fonte: petição inicial da ADPF n. 54/2004, nota de rodapé n.14 e documento anexo n.6, disponível pelo link www.stf.gov.br
...

Para ler o texto completo (em PDF) acesse o link:
http://www.ipas.org.br/arquivos/FactSheet_Anencefalia.pdf

Saúde Sexual e Reprodutiva
"Práticas dos profissionais das equipes de saúde da família voltadas para as mulheres em situação de violência sexual"
OLIVEIRA, Celina Camilo de; FONSECA, Rosa Maria Godoy Serpa da. Rev. esc. enferm. USP , São Paulo, v. 41, n. 4, 2007

Resumo
Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa desenvolvida com profissionais que atuam no Programa de Saúde da Família - PSF no Estado de Minas Gerais. O objetivo foi analisar as práticas destes profissionais voltadas para mulheres em situação de violência sexual. Os dados foram coletados em uma Oficina de Trabalho tendo como suporte teórico para a análise as categorias gênero e violência de gênero. Constatou-se que a violência sexual contra a mulher envolve questões nas dimensões singular, particular e estrutural da realidade objetiva, que merecem ser refletidas pelos profissionais de saúde. O atendimento às mulheres em situação de violência sexual só poderá ser eficaz à medida que houver um trabalho intersetorial, com políticas públicas claras e eficazes e com o adequado preparo dos profissionais de saúde.

Para ler o documento completo (em PDF) acesse o link da SciELO a seguir:
http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v41n4/09.pdf

Reflexões e Opiniões
"Enquanto o aborto não for um direito das brasileiras, esta será uma bandeira permanente da UNE"
Agosto 2008 - Entrevista com Lucia Stumpf - Presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) Por Evanize Sydow, Ipas Brasil

A União Nacional dos Estudantes (UNE) realiza, de 11 de agosto a 27 de novembro, a Caravana UNE: Saúde, Educação e Cultura, na qual a entidade incluiu a Campanha pela Legalização do Aborto, lançada pela UNE após um intenso debate sobre a mudança da lei para garantir às mulheres o direito ao aborto seguro e impedir retrocessos nas conquistas dos direitos sexuais e reprodutivos. A Caravana percorrerá 41 universidades públicas e privadas nos 26 estados brasileiros ao longo dos próximos quatro meses. A iniciativa, inédita e feita em parceria com o Ministério da Saúde, vem se somar ao movimento de mulheres na luta para que o aborto deixe de ser crime e possa ser realizado nos hospitais públicos, com segurança e respeito. Nesta entrevista exclusiva para o Ipas – que realizou, em parceria com a UNE, o seminário “Direitos reprodutivos e aborto: ferramentas de advocacy para a juventude”, de 18 a 20 de julho, no Rio de Janeiro – a presidente da UNE, Lúcia Stumpf, destaca a importância da discussão do tema com a sociedade brasileira, fala de como a entidade quer potencializar a Campanha pela Legalização do Aborto e critica a pressão contrária dos setores conservadores ao Projeto de Lei 1135, que descriminaliza o aborto. Acompanhe.

Por Evanize Sydow


A UNE incluiu a Campanha pela Legalização do Aborto na Caravana da Saúde. Como vocês lidam com esse tema e como chegaram a essa iniciativa?

Acreditamos que a luta pela legalização do aborto possui dois aspectos: um é o grave problema de saúde publica que representa a criminalização do aborto, o outro é o debate mais relacionado à questão de ser um direito das mulheres poderem interromper uma gravidez indesejada se assim o quiserem.
Os abortamentos são uma realidade independentemente do que diga o nosso Código Penal. A criminalização, longe de diminuir o seu número, só faz com que as mulheres (especialmente as pobres) recorram a métodos inseguros para abortar, gerando a 3ª causa de mortalidade materna no Brasil. São inúmeras meninas, jovens, que tinham uma vida inteira para viver, entrar na Universidade etc, que são impedidas por não terem sua decisão de interrupção da gravidez respeitada (veja abaixo dados sobre aborto inseguro em mulheres de 15 a 19 anos). Sendo a UNE uma entidade eminentemente juvenil, não podíamos mais ignorar uma das maiores causas de mortes entre jovens mulheres no nosso país e aprovamos, como resolução congressual, que é uma bandeira dos estudantes brasileiros a campanha pela legalização do aborto. Surgiu então a idéia de realizar a Caravana UNE: Saúde, Educação e Cultura, para tratar de temas relacionados à saúde pública e juventude, então pensamos que não haveria ensejo melhor para discutir o tema com o conjunto da sociedade. Mas a idéia é que seja uma campanha específica que caminhe também paralelamente à Caravana. Enquanto o aborto não for um direito das brasileiras, esta será uma bandeira permanente da UNE.

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Leia a entrevista completa através do link:
http://www.ipas.org.br/noticias.html#Caravana

Outras leituras:
"Aborto Inseguro e Juventude: dados e subsídios para ação política" (em PDF)
Ipas Brasil 2008

Revista de Saúde Sexual e Reprodutiva IPAS BRASIL
Coordenação Editorial - Leila Adesse
Editores - Jefferson Drezett e
Beatriz Galli
Editoração - Alessandra Foelkel
Colaboração Jornalística: Evanize Sydow
Conselho Editorial

Andrea Barreto
Anna Rosas
Avelar de Holanda Barbosa
Cristião Fernando Rosas
Ellen Hardy
Evelise Pochmann da Silva
Ida Peréa
João Parente

Maria Elvira Vieira de Mello
Osmar Colás
Oswaldo José Queiroz Dias
Paulo Azevedo
Rivaldo Albuquerque
Roberto Benzecry
Sônia Madi
Vera Rolim


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