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Editorial

A edição desse mês tem como destaque a comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, celebrada oficialmente pelas Nações Unidas no dia 10 de dezembro. Lembramos, nessa ocasião, as recomendações de 2003 da CEDAW (Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher) ao Brasil, pela qual “a reforma do Código Penal de 1940 foi mencionada como urgentemente necessária para eliminar dispositivos que discriminam a mulher, tais como penas severas impostas para o aborto, o qual a lei atual permite somente em situações restritas”.

No Brasil, entre as iniciativas que marcaram a data, destacamos:

1) O relatório "Processos judiciais envolvendo abortamento: Negação dos direitos reprodutivos das mulheres em Mato Grosso do Sul", que mostra as irregularidades na ação policial com a apreensão e manuseio dos prontuários médicos e o posterior processamento das mulheres em Campo Grande, e foi entregue no dia 16 de dezembro ao Secretário Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vanucchi, e à ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, durante a XI Conferência Nacional de Direitos Humanos, em Brasília.

2) Entidades como FEBRASGO, FLASOG e Ipas Brasil, participantes do XIII Fórum Interprofissional Sobre Violência Contra a Mulher e Implementação do Aborto Previsto na Lei, que aconteceu no Maranhão em novembro passado, solicitam a todos que assinem o documento online "MOCIÓN CONTRA LA QUIEBRA DE LA PRIVACIDAD Y LA CRIMINALIZACIÓN MASIVA DE MUJERES POR SUPUESTO CRIMEN DE ABORTO EN EL ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, BRASIL" (em espanhol). A moção, escrita durante o “XIX Congreso Latinoamericano de Obstetricia y Ginecología” da FLASOG, na Argentina, foi feita em apoio a milhares de mulheres de Mato Grosso do Sul, que estão sendo investigadas pela prática de aborto. Pedimos a todos para divulgarem e assinarem.

3) A realização do "Seminário O Impacto da Ilegalidade do Aborto na Vida das Mulheres: Realidades e Desafios", organizado em dezembro de 2008 na Bahia pelo IMAIS (Instituto Mulheres pela Atenção Integral à Saúde e aos Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos). No evento foram apresentados os resultados do "Dossiê : A Realidade do Aborto Inseguro na Bahia: a Ilegalidade da Prática e seus Efeitos na Saúde das Mulheres em Salvador e Feira de Santana". O documento foi elaborado com base na pesquisa GRAVAD, realizada com 4.634 moças e rapazes de 18 a 24 anos em Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Segundo o dossiê, as cidades de Salvador e Feira de Santana fazem parte do grupo de regiões com altas taxas de internações por abortos inseguros e alta razão de morte materna por causas evitáveis. O documento também aponta o perfil das mulheres que morrem devido ao aborto inseguro nessas regiões da Bahia: são adolescentes, jovens, empregadas domésticas e trabalhadoras rurais, e a maioria é negra.

Contrapondo-se a essas iniciativas, tivemos, justamente na semana em que comemoramos os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a criação da CPI do aborto, que visa investigar a prática de abortos clandestinos no Brasil. A iniciativa foi liderada pelo movimento “Pró-Vida”, Frente Parlamentar organizada pelos deputados e senadores que se posicionam contrários a toda e qualquer medida que permita a interrupção voluntária de gravidez.

A assinatura da criação da CPI fez com que diversas organizações sociais reagissem, destacando
que os direitos humanos compreendem a revisão da legislação punitiva ao aborto, incluem os direitos sexuais e reprodutivos em seu cerne e lembrando que muitas das mulheres que buscam a interrupção voluntária de gravidez o fazem pois são violentadas, e não querem manter uma gravidez indesejada.

A notícia tem sido tema de várias matérias na imprensa, inclusive uma extensa na revista Carta Capital, que entrevistou representantes do Ipas Brasil, das Católicas pelo Direito de Decidir e do Ministério da Saúde, e parlamentares. Além disso, o presidente Lula declarou, durante a abertura da XI Conferência Nacional de Direitos Humanos, que o aborto deve ser discutido como uma questão de saúde pública. "Uma das coisas mais ofensivas que eu sinto é a questão do preconceito. É o medo de discutir. É a disposição de não querer enfrentar determinados temas porque parecem tabus. A questão do aborto não é ser contra ou a favor. Se trata de uma questão de saúde pública", disse o presidente, completando: “Quantas madames vão fazer aborto até em outro país e as pobres morrem nos redutos urbanos nesse País? Não tem que ter medo de debater." [1]

Aproveitamos para anunciar que o filme da campanha de Ipas Brasil "Criminalizar o aborto resolve? Vai Pensando ai", lançada em março desse ano e veiculada também na MTV, YouTube e Orkut, agora conta com um site próprio. Convidamos a todos para conhecerem, divulgarem a campanha e responderem a enquete que está sendo feita no site. Acesse: http://www.vaipensandoai.com.br. Com mais esta ferramenta, esperamos contribuir para a reflexão sobre as conquistas e desafios com relação aos direitos sexuais e reprodutivos da mulher brasileira para o ano de 2009.

Feliz Ano Novo e Boas Festas para todos.

Muito obrigada
Leila Adesse
Diretora IPAS BRASIL

[1] BORGES, Laryssa. “Para Lula, aborto é questão de saúde pública”. Portal Terra, 15/12/2008. Disponível em: http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3394479-EI7896,00.html

Nesta Edição

Artigos On-Line


GLOBAL

"Os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos"
ANISTIA INTERNACIONAL- Informe 2008 - Seção "Américas" - O Estado dos Direitos Humanos no Mundo

BRASIL EM FOCO
"Relatório Direitos Humanos no Brasil 2008"
Rede Social de Justiça e Direitos Humanos 2008

"Mulheres processadas pela prática de aborto em Mato Grosso do Sul: direitos humanos e reprodutivos em questão"
Beatriz Galli (Ipas Brasil) e Carmen Hein Campos (Themis) 2008

DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS
"Processos judiciais envolvendo abortamento: Negação dos direitos reprodutivos das mulheres em Mato Grosso do Sul"
Ipas Brasil 2008 - "Entidades entregam ao ministro Paulo Vanucchi e à ministra Nilcéia Freire relatório que aponta violações sofridas por 10 mil mulheres investigadas pela prática de aborto"

SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA
"Mulheres, soropositividade e escolhas reprodutivas"
SANT'ANNA, Ana Carolina Cunha; SEIDL, Eliane Maria Fleury and GALINKIN, Ana Lúcia. Estud. psicol. (Campinas), Campinas, v. 25, n. 1, Mar. 2008 .

REFLEXÕES E OPINIÕES
"Intolerância à diversidade sexual"
Gustavo Venturi - doutor em Ciência Política e mestre em Sociologia pela USP, é coordenador do NOP e diretor da Criterium Assessoria em Pesquisas

Informações e Eventos

Ipas Notícias e clippings
»
Campanha “Vai pensando ai” agora tem site interativo
» Organizações sociais respondem à criação da CPI do Aborto - Presidente Lula diz que aborto deve ser discutido como uma questão de saúde pública
» Dossiê mostra a situação do aborto inseguro na Bahia
» Moção de Repúdio à Criação da CPI do Aborto - do Encontro da Cúpula dos Povos (CEBES, dez. 2008)

Links Recomendados
» CRIMINALIZAR O ABORTO RESOLVE? VAI PENSANDO AI
» TimeLine - Direitos da Mulher no Brasil: 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos
» Petição Online para assinar:
"MOCIÓN CONTRA LA QUIEBRA DE LA PRIVACIDAD Y LA CRIMINALIZACIÓN MASIVA DE MUJERES POR SUPUESTO CRIMEN DE ABORTO EN EL ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, BRASIL" (em espanhol).
»
Filme no YouTube: Trailler do documentário - FIM DO SILÊNCIO

Ciência e Pesquisa

Informações e Eventos

2009

Fórum Social Mundial 2009
27 de janeiro a 1° de fevereiro de 2009, na cidade de Belém - Pará.
http://www.forumsocialmundial.org.br

XI Encontro Feminista Latinoamericano e do Caribe
16 a 20 de março de 2009
Local: Centro Histórico da Cidade do México
Mais informações através de Pilar Muriedas pelo e-mail: pilar@territoriosdecultura.org.mex

VII Congresso Internacional de Direito Constitucional
02 - 04 de abril de 2009
Local: Natal - RN
Informações: http://www.congressosebec.com.br/

II Jornada de Produção Científica em Direitos Fundamentais e Estado, entre os dias 11 a 13 de maio de 2009, na Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), em Criciúma-SC.
Informações: http://www.nupedunesc.net/jornada/

I Congresso Interdisciplinar sobre Gênero e Sociedade: debates e práticas em torno da violência de gênero.
Data: 28 a 30 de Maio de 2009,na Universidad Nacional de Cordoba, Argentina
Informações: http://www.ffyh.unc.edu.ar/generoysociedad/

Programa Internacional de Formação em Direitos Humanos
Realização Equitas, em Quebec, Canadá.
Data: 14 de junho - 3 de julho de 2009
Informações: http://www.equitas.org/

XIX FIGO World Congress of Gynecology & Obstetrics
Data: 4 a 9 Outubro de 2009.
Na África do Sul - Cape Town International Convention Centre -Cape Town
Informações: http://www.figo2009.org.za/

Ipas Notícias

Campanha “Vai pensando ai” agora tem site interativo
Dezembro/Janeiro 2008

A campanha "Criminalizar o aborto resolve? Vai Pensando ai", lançada em março desse ano por Ipas Brasil através de um vídeo no YouTube, agora conta com um site próprio: http://www.vaipensandoai.com.br

O vídeo da campanha “Vai pensando ai” foi produzido gratuitamente para Ipas Brasil pela Agência Santa Clara e já foi exibido na MTV e outros canais de TV do Brasil como “anúncio de utilidade pública”, além de ter participado como um dos finalistas ao prêmio máximo da propaganda da categoria “Filme” do Festival de Cannes de 2008.

Virtualmente, a campanha conta com uma comunidade no Orkut e o apoio na divulgação e geração de debates online através de diferentes redes sociais, blogs e sites.

A exibição do video da campanha também está em congressos, cursos e seminários de organizações como a UNE (União Nacional dos Estudantes), que, em parceria com o Ministério da Saúde, promoveu a discussão sobre a legalização do aborto durante a "Caravana UNE: Saúde, Educação e Cultura". A Caravana percorreu 41 universidades públicas e privadas nos 26 estados brasileiros no período de agosto a novembro de 2008. O vídeo “Vai pensando ai” foi um dos materiais apresentados nos debates.

Participe você também: acesse http://www.vaipensandoai.com.br e deixe sua opinião sobre o assunto. Criminalizar o aborto resolve? Vai pensando ai.


Organizações sociais respondem à criação da CPI do Aborto
Presidente Lula diz que aborto deve ser discutido como uma questão de saúde pública

16 de dezembro de 2008

Representantes de diversas organizações sociais se reuniram no dia 10 de dezembro com o Presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, para repudiar a assinatura da criação de uma CPI para investigar a prática de abortos clandestinos no Brasil. A criação da CPI, no dia 9 de dezembro, foi liderada pelo movimento “Pró-Vida”, Frente Parlamentar organizada pelos deputados e senadores que se posicionam contrários a toda e qualquer medida que permita a interrupção voluntária de gravidez.

A notícia foi tema de uma extensa matéria da revista Carta Capital (veja aqui a reportagem), que entrevistou representantes do Ipas Brasil, das Católicas pelo Direito de Decidir e do Ministério da Saúde, além de parlamentares. Além disso, o presidente Lula, em seguida à publicação da reportagem, declarou, durante a abertura da XI Conferência Nacional de Direitos Humanos que o aborto deve ser discutido como uma questão de saúde pública.

Uma das justificativas para a realização da CPI foi uma declaração do ministro da Saúde, Jose Gomes Temporão, no programa Roda Viva, da TV Cultura, em abril do ano passado. Na ocasião, o ministro afirma que o aborto é uma questão de saúde pública e que deveria se tratado como tal, buscando reduzir a alta taxa de mortalidade materna. Os parlamentares, em uma estratégia de argumentação política, inverteram a fala do ministro, que, em diversas ocasiões, se posicionou favorável à descriminalização da interrupção voluntária de gravidez.

Com a CPI, o movimento “Pró-Vida” pretende rever o Código Penal de 1940, que permite o aborto em duas situações apenas: em caso de risco de vida à mãe e em caso de estupro. Transformando a interrupção voluntária de gravidez em crime hediondo, as mulheres vítimas de violência sexual - ou aquelas que correm risco de vida - não poderão mais recorrer ao serviço de saúde e serão obrigadas a manter a gravidez.

A CPI tem em sua base muito mais o fortalecimento de um dado segmento político do que a ação de coibir, em longo prazo, a prática da interrupção voluntária da gravidez.

O intuito dela é, segundo seu maior articulador, o deputado Luiz Bassuma (PT), “desbaratar as clínicas, indiciar e punir os profissionais de saúde e as mulheres, bem como acabar com o comércio de substancias abortivas”.

A criação desta CPI coincide com a semana de comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e com o lançamento no Brasil da Campanha “Homens Unidos pelo Fim da Violência contra Mulheres”.

As organizações sociais destacam que os direitos humanos compreendem a revisão da legislação punitiva ao aborto, incluem os direitos sexuais e reprodutivos em seu cerne e lembram que muitas das mulheres que buscam a interrupção voluntária de gravidez o fazem pois são violentadas, e não querem manter uma gravidez indesejada. Dados da Organização Mundial de Saúde divulgados durante a campanha “Homens Unidos pelo Fim da Violência contra Mulheres” mostram que uma em cada três mulheres apanham, são violentadas ou forçadas a manter relações sexuais em algum momento de sua vida.

Além disso, muitas dessas mulheres sofrem maus tratos na rede pública quando estão em processo de abortamento.

Com a criação da CPI no Congresso Nacional, as organizações sociais perguntam: na semana comemorativa dos direitos humanos, é essa a resposta que o Governo Federal pretende dar às mulheres?


Dossiê mostra a situação do aborto inseguro na Bahia
16 de dezembro de 2008

A cada cem internações por parto, na capital baiana, ocorrem 25 em decorrência do aborto, número bem acima da proporção nacional que é de 15 para 100. As estatísticas também colocam Salvador com um índice de mortalidade materna cinco vezes maior do que o mínimo definido como aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo o aborto a principal causa isolada. Dados como esses constam no dossiê A Realidade do Aborto Inseguro na Bahia: a Ilegalidade da Prática e os seus Efeitos na Saúde das Mulheres em Salvador e Feira de Santana, divulgado no dia 5 de dezembro, na Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia da Bahia (Sogiba).

Feito em parceria entre Ipas Brasil, Grupo Curumim, Jornadas pelo Aborto Legal e Seguro, Cfemea e Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, o estudo mostra ainda que a curetagem pós-aborto aparece como o segundo procedimento mais freqüente na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Só em 2007 foram realizadas 8.387 curetagens em Salvador. Isso significa quase 699 por mês, 23 por dia e 01 a cada hora. O documento integra as ações do movimento de mulheres no Brasil pela legalização do aborto e foi organizado pelo Instituto Mulheres pela Atenção Integral à Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos (IMAIS).

O dossiê visa contribuir para dar visibilidade ao aborto inseguro como violação dos direitos humanos das mulheres. Também busca subsidiar o trabalho de parlamentares para a implementação de políticas públicas e para a mudança da legislação brasileira que está entre as mais restritivas do mundo. Segundo o artigo 128 do Código Penal, que data de 1940, o aborto só não é passível de punição se for a única maneira de garantir a vida da mulher e se for realizado para interromper gravidez por estupro.

Realizado neste semestre, o documento foi elaborado a partir de dados formais da rede pública de saúde e entrevistas realizadas com 12 profissionais envolvidos com a atenção direta às mulheres com abortamento - oito ginecologistas, três anestesistas, duas enfermeiras, duas assistentes sociais e uma psicóloga – e também com mulheres que vivenciaram a experiência e familiares.

Tanto a pesquisa em campo quanto os dados compilados sobre o assunto mostraram que o aborto é praticado clandestinamente por mulheres de todas as classes sociais, níveis de escolaridade, etnias e religiões. No entanto, tem conseqüências desiguais, a depender da inserção social, produzindo riscos à vida de mulheres pobres, com baixa escolaridade e pouco acesso a serviços de saúde de qualidade.

No Brasil, o Ministério da Saúde registrou aproximadamente 220.000 internações motivadas por aborto inseguro nas unidades do SUS, em 2007, e, estima que, cerca de 1.400.000 mulheres realizem aborto no país a cada ano. Em Salvador, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, a gravidez, o parto e o puerpério foram as causas mais freqüentes de internação hospitalar na cidade, em 2006, correspondendo a 39.120, ou seja, 44% de todas as internações no SUS. Destas internações, 22% referem-se a gestações que terminaram em aborto.

Estes são apenas alguns dos aspectos abordados pelo dossiê, que apresenta, em 60 páginas, detalhes da situação do aborto inseguro na Bahia.

Para ver os dados resumidos do dossiê, acesse o link abaixo (em PDF):
http://www.ipas.org.br/arquivos/RELEASE_Dossie_BA.pdf


MOÇÃO DE REPÚDIO À CRIAÇÃO DA CPI DO ABORTO
Do Encontro da Cúpula dos Povos
15 de dezembro de 2008 - Centro Brasileiros de Estudos de Saúde - CEBES

Não é de hoje que o aborto causa divergências entre os vários grupos da sociedade civil: de um lado, em sua maioria religiosos, condenam a prática em defesa da vida; do outro, os que lutam pela descriminalização do aborto como uma questão de saúde pública.

A polêmica reascendeu recentemente devido à aprovação pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), em 9/12, da CPI que investigará o comércio de substâncias abortivas e a prática de aborto. Deputados da Frente Parlamentar em Defesa da Vida — Contra o Aborto usaram declarações do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, sobre a existência de comércio clandestino de substâncias abortivas e prática ilegal de aborto no país, para fazer o requerimento.

...

Para ver o artigo completo, acesse o link abaixo:
http://www.cebes.org.br/default.asp?site_Acao=mostraPagina&paginaId=167&acao=exibe&bID=60

Links Recomendados

Criminalizar o aborto resolve? Vai pensando ai
http://www.vaipensandoai.com.br/
Acesse o site para responder ou ajude a divulgar colocando o código do widget abaixo no seu site:

TimeLine - Direitos da Mulher no Brasil: 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos
http://www.ipas.org.br/timelineDHs.html (widget no Dipity)
Com o objetivo de fazer uma breve retrospectiva em comemoração aos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, preparamos uma cronologia de fatos que marcaram o avanço dos direitos da mulher no Brasil. Para ilustrar essa linha do tempo, foram incluidos filmes disponíveis no site YouTube com campanhas e relatos de diversas organizações nacionais e internacionais, fontes de referência importantes sobre o tema e algumas iniciativas que visam o cumprimento da recomendação de 2003 da CEDAW (Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher) ao Brasil, pela qual "a reforma do Código Penal de 1940 foi mencionada como urgentemente necessária para eliminar dispositivos que discriminam a mulher, tais como penas severas impostas para o aborto, o qual a lei atual permite somente em situações restritas".

Petição Online: "MOCIÓN CONTRA LA QUIEBRA DE LA PRIVACIDAD Y LA CRIMINALIZACIÓN MASIVA DE MUJERES POR SUPUESTO CRIMEN DE ABORTO EN EL ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, BRASIL" (em espanhol). Para assinar e divulgar
http://www.petitiononline.com/abortoMS/petition.html

Filme no YouTube: Trailler do documentário - FIM DO SILÊNCIO
Cenas do documentário "Fim do Silêncio" de Thereza Jessouroun, ganhador do primeiro edital para fomento pelo selo Fiocruz Video.

Ciência e Pesquisa

Título: Aborto e Religião nos Tribunais Brasileiros
Realização: IPÊ. Apoio: MacArthur, CLADEM, CEBRAP, CCR e Prosare
Autores: Tamara Amoroso Gonçalves e Thaís de Souza Lapa

A pesquisa Aborto e Religião nos Tribunais Brasileiros teve como escopo o mapeamento dos casos de aborto levados aos tribunais nacionais, sejam eles estaduais (Tribunais de Justiça) ou superiores (Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal). O recorte temporal escolhido para a coleta de dados foi o de casos julgados entre os anos de 2001 e 2006. A partir desse mapeamento, buscou-se identificar as principais tendências jurisprudenciais sobre o tema, bem como verificar, nos casos encontrados, a influência religiosa e feminista — em conteúdos argumentativos ou por meio da participação direta de representantes desses grupos sociais.

Veja a pesquisa completa (em PDF) através do link:
http://www.ccr.org.br/uploads/noticias/330_aborto_e_religião_nos_tribunais_brasileiros.pdf

ATENÇÃO:
Alguns dos Arquivos On-line a seguir estão em formato Word® (doc) ou Acrobat Reader® (pdf). Clique nos logos abaixo caso você não possua o Acrobat Reader ou o Microsoft Word Viewer para fazer o download dos programas e ter acesso aos artigos.

Download Adobe Acrobat Reader® (usuários Mac / PC )
Download Microsoft Word Viewer ®
(usuários PC sem o Microsoft Word)

Global
Américas - Os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos
ANISTIA INTERNACIONAL- Informe 2008 - Seção "Américas" - O Estado dos Direitos Humanos no Mundo

Se os direitos humanos estão hoje no coração do projeto das Nações Unidas, isso se deve, em grande parte, aos esforços dos países latino-americanos. Para as principais potências do pós-guerra envolvidas no projeto da Carta da ONU, inclusive os Estados Unidos, os direitos humanos estavam no fim de seu rol de prioridades. Entretanto, em 1945, pouco antes da reunião fundadora da ONU, em São Francisco, a Conferência Inter-Americana reuniu-se na Cidade do México e decidiu buscar a inclusão de uma declaração transnacional de direitos à Carta da ONU, que acabou por levar à adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Em maio de 1948, meses antes da adoção da DUDH, a Conferência Inter-Americana adotou a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, o primeiro instrumento geral de direitos humanos do mundo.

Essa contribuição crucial aos direitos humanos internacionais foi obscurecida durante os anos de intervenção dos regimes militares que dominaram a maior parte da região. Desde o início da década de 60, até meados dos anos 80, muitos países latino-americanos suportaram um longo período de governos militares, que se caracterizaram por violações sistemáticas e generalizadas de direitos humanos. Algumas violações, como os desaparecimentos forçados, tornaram-se emblemáticas tanto desses regimes quanto do foco das campanhas que a Anistia Internacional realizava na região naquela época.

...
Para ler o documento completo acesse o link:
http://thereport.amnesty.org/prt/regions/americas

Brasil em Foco
"Relatório de direitos humanos destaca caso de milhares de mulheres investigadas ela prática de aborto em Mato Grosso do Sul"

No dia 4 de dezembro, no Salão Nobre da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, foi lançado o Relatório Direitos Humanos no Brasil 2008, organizado pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e que traz um panorama sobre as violações de direitos no Brasil este ano.

Esta é a nona edição do livro, que é resultado do trabalho de pesquisa de 22 organizações sociais. Ipas Brasil participa de um dos capítulos da obra com artigo que faz uma análise sobre as violações sofridas por milhares de mulheres investigadas pela prática de aborto em Mato Grosso do Sul.

As autoras – Beatriz Galli e Carmen Hein Campos – escrevem:"O caso aponta para uma urgente reflexão sobre a atualidade e a eficácia da lei penal de 1940 em relação ao aborto. Ao estourar a Clínica de Planejamento Familiar que funcionava há mais de 20 anos na cidade e apreender as fichas médicas, os poderes públicos violaram inúmeros direitos fundamentais. Além disso, a ausência de serviços para abortamento legal, além da manutenção de uma legislação proibitiva ao abortamento, demonstra que o Estado brasileiro viola a equidade no acesso à saúde."

Leia aqui o artigo publicado no Relatório - "Mulheres processadas pela prática de aborto em Mato Grosso do Sul: direitos humanos e reprodutivos em questão" (documento em PDF) - de Beatriz Galli e Carmen Hein Campos.

Para ler a íntegra do relatório (em PDF) acesse o link abaixo:
http://www.ipas.org.br/arquivos/relatorio%20dh%20brasil%202008.pdf



Direitos Sexuais e Reprodutivos
"Processos judiciais envolvendo abortamento: Negação dos direitos reprodutivos das mulheres em Mato Grosso do Sul"
Entidades entregam ao ministro Paulo Vanucchi e à ministra Nilcéia Freire relatório que aponta violações sofridas por 10 mil mulheres investigadas pela prática de aborto

O relatório “Processos judiciais envolvendo abortamento: Negação dos direitos reprodutivos das mulheres em Mato Grosso do Sul”, que mostra as irregularidades na ação policial com a apreensão e manuseio dos prontuários médicos e o posterior processamento posterior das mulheres em Campo Grande, foi entregue no dia 16 de dezembro, ao Secretário Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vanucchi, e à ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, durante a XI Conferência Nacional de Direitos Humanos, em Brasília.

No processo são violados o direito à privacidade, o direito à saúde, à liberdade, e ao devido processo legal, entre outros direitos, previstos na Constituição Federal e nos tratados de direitos humanos ratificados pelo Brasil.

Os agentes policiais não respeitaram a privacidade das mulheres, não impediram a exposição indevida do conteúdo das fichas médicas e o seu manuseio por pessoal não qualificado. A legislação brasileira prevê procedimento específico para a investigação de registros médicos de pacientes, exigindo que as autoridades judiciais apontem um especialista para manusear os prontuários, com o objetivo de preservar o sigilo médico.
Ignorando este procedimento, a polícia utilizou os registros médicos apreendidos de forma ilegal para investigar criminalmente milhares de mulheres suspeitas de terem se submetido a abortamentos ilegais.

Estes acontecimentos afetaram as vidas de milhares de mulheres que, hoje, estão sob investigação. Setenta delas já receberam sua sentença, e outras mais são acusadas diariamente. Muitas que ainda não foram processadas vivem com medo de serem investigadas criminalmente, podendo ter a sua vida privada revelada para suas famílias, seus colegas de trabalho ou o público de forma geral. Atualmente, a polícia planeja investigar cerca de duas mil mulheres cujos casos ainda não estariam prescritos.

O relatório foi organizado pelo Ipas Brasil a partir de visitas de campo a Campo Grande e baseia-se em entrevistas com pessoas-chave envolvidas no caso, em documentos oficiais e na imprensa, pesquisados e sistematizados por um grupo de entidades e redes que atuam pela promoção e defesa dos direitos reprodutivos: Antígona/CLADEM – Comitê Latino Americano e do Caribe pela Defesa dos Direitos da Mulher, CCR - Comissão Cidadania e Reprodução, CFEMEA, Ipas Brasil, Themis, Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Reprodutivos e Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro.

Questão de saúde pública tratada como questão de polícia
A interrupção da gravidez é um grave problema de saúde pública e de direitos humanos no Brasil. Apesar de o Código Penal brasileiro criminalizar o procedimento, estima-se que ocorram 1.054.243 abortamentos a cada ano no país. O abortamento inseguro está entre as principais causas de mortalidade materna. Aproximadamente 250.000 mulheres são atendidas anualmente nos hospitais brasileiros com complicações decorrentes de abortamentos inseguros.

A criminalização do aborto tem um efeito perverso na saúde pública e não previne a sua prática. O caso de Mato Grosso do Sul é emblemático e demonstra que o Estado deve buscar resposta fora da esfera penal para lidar com a questão.


Para ler o documento completo acesse o link a seguir:
http://www.ipas.org.br/arquivos/RelatorioMS_FINAL.pdf

Saúde Sexual e Reprodutiva
"Mulheres, soropositividade e escolhas reprodutivas"
SANT'ANNA, Ana Carolina Cunha; SEIDL, Eliane Maria Fleury and GALINKIN, Ana Lúcia. Estud. psicol. (Campinas), Campinas, v. 25, n. 1, Mar. 2008 .

RESUMO
O crescimento da epidemia do vírus da imunodeficiência humana entre as mulheres vem atualizando questões referentes à sexualidade e à reprodução. Este estudo investigou a percepção de mulheres portadoras do vírus da imunodeficiência humana positivo quanto às escolhas reprodutivas no contexto da soropositividade. Optou-se pela metodologia qualitativa, com a utilização de um grupo focal com mulheres soropositivas residentes no Distrito Federal. Na análise dos resultados, observou-se que as participantes estavam bem informadas sobre o processo de prevenção da transmissão vertical. A condição sorológica teve impacto na vida sexual e reprodutiva, evidenciado no adiamento ou extinção dos planos de ter filhos. A reação das pessoas em geral, bem como do profissional de saúde, diante do desejo de ter filhos por parte da mulher soropositiva foi apontada como desfavorável. Os achados do estudo, de caráter exploratório e preliminar, apontam para a relevância da realização de pesquisas na área, a fim de que os direitos reprodutivos das mulheres soropositivas sejam compreendidos, favorecendo sua valorização e respeito.
...
Para ler o texto completo acesse o link da SCIELO, a seguir:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-166X2008000100010&script=sci_arttext&tlng=end_0100-6916

Reflexões e Opiniões
"Intolerância à diversidade sexual"
Por Gustavo Venturi- doutor em Ciência Política e mestre em Sociologia pela USP, é coordenador do NOP e diretor da Criterium Assessoria em Pesquisas - No Portal da Fundação Perseu Abramo (Revista Teoria e Debate / nº 78 - julho/agosto 2008)

A pesquisa das Fundações Perseu Abramo e Rosa Luxemburg revela que por trás da imagem de liberalidade o brasileiro é extremamente preconceituoso em relação à população LGBT

"Deus fez o homem e a mulher [com sexos diferentes] para que cumpram seu papel e tenham filhos" - frase popular, anônima, que tem a concordância de 11 em cada 12 brasileiros/as

Acaba de sair do forno a mais recente pesquisa social do Núcleo de Opinião Pública (NOP), intitulada Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil, Intolerância e respeito às diferenças sexuais nos espaços público e privado – uma realização da Fundação Perseu Abramo, em parceria com a alemã Rosa Luxemburg Stiftung.

Com dados coletados em junho,de 2008(2), a pesquisa percorreu processo de elaboração semelhante ao de estudos anteriores do NOP(3), tendo sido convidados pela FPA para definir quais seriam as prioridades a investigar entidades e pesquisadores dedicados ao combate e ao estudo da estigmatização e da discriminação dos indivíduos e grupos com identidades sexuais que fogem à heteronormatividade – lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT).

Com o intuito de subsidiar ações para que as políticas públicas avancem em direção à eliminação da discriminação e do preconceito contra as populações LGBT, de forma a diminuir as violações de seus direitos e a facilitar a assunção e afirmação de suas identidades sexuais, buscou-se mensurar tanto indicadores objetivos de práticas discriminatórias em razão da orientação sexual das pessoas, quanto as percepções sobre o fenôme- no (indicadores subjetivos, portanto) e manifestações diretas e indiretas de atitudes preconceituosas. A pesquisa cobriu assim um amplo espectro de temas, de modo que o relato que segue constitui tão-somente uma leitura preliminar – entre muitas que certamente os dados obtidos permitirão – e sobre parte dos resultados que, à primeira vista, parecem mais relevantes.

O preconceito dos outros
Indagados sobre e existência ou não de preconceito contra as pessoas LGBT no Brasil, quase a totalidade da população responde afirmativamente: acreditam que existe preconceito contra travestis 93% (para 73% muito, para 16% um pouco), contra transexuais 91% (respectivamente 71% e 17%), contra gays 92% (70% e 18%), contra lésbicas 92% (para 69% muito, para 20% um pouco) e, tão freqüente, mas um pouco menos intenso, 90% acham que no Brasil há preconceito contra bissexuais (para 64% muito, para 22% um pouco). Mas perguntados se são preconceituosos, apenas 29% admitem ter preconceito contra travestis (e só 12% muito), 28% contra transexuais (11% muito), 27% contra lésbicas e bissexuais (10% muito, para ambos) e 26% contra gays (9% muito).

O fenômeno de atribuir os preconceitos aos outros sem reconhecer o próprio é comum e esperado, posto que por definição a atitude preconceituosa é politicamente incorreta.
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