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Editorial
A edição
desse mês tem como destaque a comemoração dos 60
anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos,
celebrada oficialmente pelas Nações
Unidas no dia 10 de dezembro. Lembramos, nessa ocasião,
as recomendações de 2003 da CEDAW (Convenção
sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação
contra a Mulher) ao Brasil, pela qual “a reforma do Código
Penal de 1940 foi mencionada como urgentemente necessária para
eliminar dispositivos que discriminam a mulher, tais como penas severas
impostas para o aborto, o qual a lei atual permite somente em situações
restritas”.
No Brasil, entre as iniciativas que marcaram a data, destacamos:
1) O relatório "Processos
judiciais envolvendo abortamento: Negação dos direitos reprodutivos
das mulheres em Mato Grosso do Sul", que mostra as irregularidades
na ação policial com a apreensão e manuseio dos prontuários
médicos e o posterior processamento das mulheres em Campo Grande, e foi
entregue no dia 16 de dezembro ao Secretário Especial de Direitos Humanos
da Presidência da República, Paulo Vanucchi, e à ministra
Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres,
durante a XI
Conferência Nacional de Direitos Humanos, em Brasília.
2) Entidades como FEBRASGO, FLASOG e Ipas Brasil, participantes do XIII Fórum
Interprofissional Sobre Violência Contra a Mulher e Implementação
do Aborto Previsto na Lei, que aconteceu no Maranhão em novembro passado,
solicitam a todos que assinem o documento online "MOCIÓN
CONTRA LA QUIEBRA DE LA PRIVACIDAD Y LA CRIMINALIZACIÓN MASIVA DE MUJERES
POR SUPUESTO CRIMEN DE ABORTO EN EL ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, BRASIL" (em
espanhol). A moção, escrita durante o “XIX Congreso Latinoamericano
de Obstetricia y Ginecología” da FLASOG, na Argentina, foi feita
em apoio a milhares de mulheres de Mato Grosso do Sul, que estão sendo
investigadas pela prática de aborto. Pedimos a todos para divulgarem
e assinarem.
3) A realização
do "Seminário
O Impacto da Ilegalidade do Aborto na Vida das Mulheres: Realidades
e Desafios", organizado em dezembro de 2008 na Bahia pelo IMAIS
(Instituto Mulheres pela Atenção Integral à Saúde
e aos Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos). No evento foram apresentados
os resultados do "Dossiê :
A Realidade do Aborto Inseguro na Bahia: a Ilegalidade da Prática
e seus Efeitos na Saúde das Mulheres em Salvador e Feira de
Santana". O documento foi elaborado
com base na pesquisa GRAVAD, realizada com 4.634 moças e rapazes
de 18 a 24 anos em Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Segundo
o dossiê,
as cidades de Salvador e Feira de Santana fazem parte do grupo de regiões
com altas taxas de internações por abortos inseguros
e alta razão de morte materna por causas evitáveis. O
documento também aponta o perfil das mulheres que morrem devido
ao aborto inseguro nessas regiões da Bahia: são adolescentes,
jovens, empregadas domésticas e trabalhadoras rurais, e a maioria é negra.
Contrapondo-se a essas iniciativas, tivemos, justamente na semana em que comemoramos
os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a criação
da CPI do aborto, que visa investigar a prática de abortos clandestinos
no Brasil. A iniciativa foi liderada pelo movimento “Pró-Vida”,
Frente Parlamentar organizada pelos deputados e senadores que se posicionam
contrários a toda e qualquer medida que permita a interrupção
voluntária de gravidez.
A assinatura da criação da CPI fez com que diversas organizações
sociais reagissem, destacando
que os direitos humanos compreendem a revisão da legislação
punitiva ao aborto, incluem os direitos sexuais e reprodutivos em seu cerne
e lembrando que muitas das mulheres que buscam a interrupção
voluntária de gravidez o fazem pois são violentadas, e não
querem manter uma gravidez indesejada.
A notícia tem sido tema de várias matérias na imprensa,
inclusive uma extensa na revista Carta
Capital, que entrevistou representantes do Ipas Brasil, das Católicas
pelo Direito de Decidir e do Ministério da Saúde, e parlamentares.
Além disso, o presidente Lula declarou, durante a abertura da XI Conferência
Nacional de Direitos Humanos, que o aborto deve ser discutido como uma questão
de saúde pública. "Uma das coisas mais ofensivas que
eu sinto é a questão do preconceito. É o medo de discutir. É a
disposição de não querer enfrentar determinados temas
porque parecem tabus. A questão do aborto não é ser contra
ou a favor. Se trata de uma questão de saúde pública", disse
o presidente, completando: “Quantas madames vão fazer aborto
até em outro país e as pobres morrem nos redutos urbanos nesse
País? Não tem que ter medo de debater." [1]
Aproveitamos para anunciar que o filme da campanha de Ipas Brasil "Criminalizar
o aborto resolve? Vai Pensando ai", lançada em março
desse ano e veiculada também na MTV, YouTube e Orkut, agora conta com
um site próprio. Convidamos a todos para conhecerem, divulgarem a campanha
e responderem a enquete que está sendo feita no site. Acesse: http://www.vaipensandoai.com.br.
Com mais esta ferramenta, esperamos contribuir para a reflexão sobre
as conquistas e desafios com relação aos direitos sexuais e reprodutivos
da mulher brasileira para o ano de 2009.
Feliz Ano Novo e Boas Festas para todos.
Muito obrigada
Leila Adesse
Diretora IPAS BRASIL
[1] BORGES, Laryssa. “Para
Lula, aborto é questão de saúde pública”.
Portal Terra, 15/12/2008. Disponível em: http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3394479-EI7896,00.html
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Ipas
Notícias
Campanha “Vai
pensando
ai” agora
tem
site
interativo
Dezembro/Janeiro
2008
A campanha
"Criminalizar o aborto resolve? Vai Pensando ai",
lançada em março desse ano por Ipas Brasil através
de um vídeo no YouTube, agora conta com um site próprio:
http://www.vaipensandoai.com.br
O vídeo da campanha “Vai pensando ai” foi produzido
gratuitamente para Ipas Brasil pela Agência Santa Clara e já foi
exibido na MTV e outros canais de TV do Brasil como “anúncio
de utilidade pública”, além de ter participado como
um dos finalistas ao prêmio máximo da propaganda da categoria “Filme” do
Festival de Cannes de 2008.
Virtualmente, a campanha
conta com uma comunidade no Orkut e o apoio na divulgação e geração de debates online
através de diferentes redes sociais, blogs e sites.
A exibição do video da campanha também está em
congressos, cursos e seminários de organizações
como a UNE (União Nacional dos Estudantes), que, em parceria com
o Ministério da Saúde, promoveu a discussão sobre
a legalização do aborto durante a "Caravana UNE: Saúde,
Educação e Cultura". A Caravana percorreu 41 universidades
públicas e privadas nos 26 estados brasileiros no período
de agosto a novembro de 2008. O vídeo “Vai pensando ai” foi
um dos materiais apresentados nos debates.
Participe
você também: acesse http://www.vaipensandoai.com.br e deixe sua opinião sobre o assunto. Criminalizar o aborto resolve?
Vai pensando ai.
Organizações
sociais respondem à criação da CPI do Aborto
Presidente
Lula diz que aborto deve ser discutido como uma questão
de saúde pública
16
de dezembro de
2008
Representantes
de diversas organizações sociais
se reuniram no dia 10 de dezembro com o Presidente da Câmara dos
Deputados, Arlindo Chinaglia, para repudiar a assinatura da criação
de uma CPI para investigar a prática de abortos clandestinos no
Brasil. A criação da CPI, no dia 9 de dezembro, foi liderada
pelo movimento “Pró-Vida”, Frente Parlamentar organizada
pelos deputados e senadores que se posicionam contrários a toda
e qualquer medida que permita a interrupção voluntária
de gravidez.
A notícia foi tema de uma extensa matéria da revista Carta
Capital (veja
aqui a reportagem), que entrevistou representantes do Ipas
Brasil, das Católicas pelo Direito de Decidir e do Ministério
da Saúde, além de parlamentares. Além disso, o presidente
Lula, em seguida à publicação da reportagem, declarou,
durante a abertura da XI Conferência Nacional de Direitos Humanos
que o aborto deve ser discutido como uma questão de saúde
pública.
Uma das justificativas para a realização da CPI foi uma
declaração do ministro da Saúde, Jose Gomes Temporão,
no programa Roda Viva, da TV Cultura, em abril do ano passado. Na ocasião,
o ministro afirma que o aborto é uma questão de saúde
pública e que deveria se tratado como tal, buscando reduzir
a alta taxa de mortalidade materna. Os parlamentares, em uma estratégia
de argumentação política, inverteram a fala do
ministro, que, em diversas ocasiões, se posicionou favorável à descriminalização
da interrupção voluntária de gravidez.
Com a CPI, o movimento “Pró-Vida” pretende rever
o Código Penal de 1940, que permite o aborto em duas situações
apenas: em caso de risco de vida à mãe e em caso de estupro.
Transformando a interrupção voluntária de gravidez
em crime hediondo, as mulheres vítimas de violência sexual
- ou aquelas que correm risco de vida - não poderão mais
recorrer ao serviço de saúde e serão obrigadas
a manter a gravidez.
A CPI tem em sua base muito mais o fortalecimento de um dado segmento
político do que a ação de coibir, em longo prazo,
a prática da interrupção voluntária da
gravidez.
O intuito dela é, segundo seu maior articulador, o deputado
Luiz Bassuma (PT), “desbaratar as clínicas, indiciar e
punir os profissionais de saúde e as mulheres, bem como acabar
com o comércio de substancias abortivas”.
A criação desta CPI coincide com a semana de comemoração
dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos
e com o lançamento no Brasil da Campanha “Homens Unidos
pelo Fim da Violência contra Mulheres”.
As organizações sociais destacam que os direitos humanos
compreendem a revisão da legislação punitiva ao
aborto, incluem os direitos sexuais e reprodutivos em seu cerne e lembram
que muitas das mulheres que buscam a interrupção voluntária
de gravidez o fazem pois são violentadas, e não querem
manter uma gravidez indesejada. Dados da Organização
Mundial de Saúde divulgados durante a campanha “Homens
Unidos pelo Fim da Violência contra Mulheres” mostram que
uma em cada três mulheres apanham, são violentadas ou
forçadas a manter relações sexuais em algum momento
de sua vida.
Além disso, muitas dessas mulheres sofrem maus tratos na rede
pública quando estão em processo de abortamento.
Com a criação da CPI no Congresso Nacional, as organizações
sociais perguntam: na semana comemorativa dos direitos humanos, é essa
a resposta que o Governo Federal pretende dar às mulheres?
Dossiê mostra
a situação do aborto inseguro na Bahia
16 de dezembro
de 2008
A cada cem internações por parto, na capital
baiana, ocorrem 25 em decorrência do aborto, número bem
acima da proporção nacional que é de 15 para 100.
As estatísticas também colocam Salvador com um índice
de mortalidade materna cinco vezes maior do que o mínimo definido
como aceitável pela Organização Mundial de Saúde
(OMS), sendo o aborto a principal causa isolada. Dados como esses constam
no dossiê A Realidade do Aborto Inseguro na Bahia: a Ilegalidade
da Prática e os seus Efeitos na Saúde das Mulheres em Salvador
e Feira de Santana, divulgado no dia 5 de dezembro, na Sociedade de Ginecologia
e Obstetrícia da Bahia (Sogiba).
Feito em parceria entre Ipas Brasil, Grupo Curumim, Jornadas pelo Aborto
Legal e Seguro, Cfemea e Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos
Sexuais e Direitos Reprodutivos, o estudo mostra ainda que a curetagem
pós-aborto aparece como o segundo procedimento mais freqüente
na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Só em 2007
foram realizadas 8.387 curetagens em Salvador. Isso significa quase 699
por mês, 23 por dia e 01 a cada hora. O documento integra as ações
do movimento de mulheres no Brasil pela legalização do
aborto e foi organizado pelo Instituto Mulheres pela Atenção
Integral à Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos
(IMAIS).
O dossiê visa contribuir para dar visibilidade ao aborto inseguro
como violação dos direitos humanos das mulheres. Também
busca subsidiar o trabalho de parlamentares para a implementação
de políticas públicas e para a mudança da legislação
brasileira que está entre as mais restritivas do mundo. Segundo
o artigo 128 do Código Penal, que data de 1940, o aborto só não é passível
de punição se for a única maneira de garantir a
vida da mulher e se for realizado para interromper gravidez por estupro.
Realizado neste semestre, o documento foi elaborado a partir de dados
formais da rede pública de saúde e entrevistas realizadas
com 12 profissionais envolvidos com a atenção direta às
mulheres com abortamento - oito ginecologistas, três anestesistas,
duas enfermeiras, duas assistentes sociais e uma psicóloga – e
também com mulheres que vivenciaram a experiência e familiares.
Tanto a pesquisa em campo quanto os dados compilados sobre o assunto
mostraram que o aborto é praticado clandestinamente por mulheres
de todas as classes sociais, níveis de escolaridade, etnias e
religiões. No entanto, tem conseqüências desiguais,
a depender da inserção social, produzindo riscos à vida
de mulheres pobres, com baixa escolaridade e pouco acesso a serviços
de saúde de qualidade.
No Brasil, o Ministério da Saúde registrou aproximadamente
220.000 internações motivadas por aborto inseguro nas unidades
do SUS, em 2007, e, estima que, cerca de 1.400.000 mulheres realizem
aborto no país a cada ano. Em Salvador, segundo dados da Secretaria
Municipal de Saúde, a gravidez, o parto e o puerpério foram
as causas mais freqüentes de internação hospitalar
na cidade, em 2006, correspondendo a 39.120, ou seja, 44% de todas as
internações no SUS. Destas internações, 22%
referem-se a gestações que terminaram em aborto.
Estes são apenas alguns dos aspectos abordados pelo dossiê,
que apresenta, em 60 páginas, detalhes da situação
do aborto inseguro na Bahia.
Para ver
os dados resumidos do dossiê, acesse o link abaixo (em PDF):
http://www.ipas.org.br/arquivos/RELEASE_Dossie_BA.pdf
MOÇÃO
DE REPÚDIO À CRIAÇÃO DA CPI DO ABORTO
Do Encontro da Cúpula dos Povos
15
de dezembro de 2008 - Centro Brasileiros de Estudos de Saúde - CEBES
Não é de hoje que o aborto causa divergências entre
os vários grupos da sociedade civil: de um lado, em sua maioria
religiosos, condenam a prática em defesa da vida; do outro, os
que lutam pela descriminalização do aborto como uma questão
de saúde pública.
A polêmica reascendeu recentemente devido à aprovação
pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP),
em 9/12, da CPI que investigará o comércio de substâncias
abortivas e a prática de aborto. Deputados da Frente Parlamentar
em Defesa da Vida — Contra o Aborto usaram declarações
do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, sobre
a existência de comércio clandestino de substâncias
abortivas e prática ilegal de aborto no país, para fazer
o requerimento.
...
Para ver o artigo completo, acesse o link abaixo:
http://www.cebes.org.br/default.asp?site_Acao=mostraPagina&paginaId=167&acao=exibe&bID=60
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| Global
Américas
- Os
60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos
ANISTIA
INTERNACIONAL- Informe 2008 - Seção "Américas" -
O Estado dos Direitos Humanos no Mundo
Se os direitos
humanos estão hoje no coração do
projeto das Nações Unidas, isso se deve, em grande parte,
aos esforços dos países latino-americanos. Para as principais
potências do pós-guerra envolvidas no projeto da Carta
da ONU, inclusive os Estados Unidos, os direitos humanos estavam no
fim
de seu rol de prioridades. Entretanto, em 1945, pouco antes da reunião
fundadora da ONU, em São Francisco, a Conferência Inter-Americana
reuniu-se na Cidade do México e decidiu buscar a inclusão
de uma declaração transnacional de direitos à Carta
da ONU, que acabou por levar à adoção da Declaração
Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Em maio de 1948, meses antes
da adoção da DUDH, a Conferência Inter-Americana
adotou a Declaração Americana dos Direitos e Deveres
do Homem, o primeiro instrumento geral de direitos humanos do mundo. Essa contribuição crucial aos direitos humanos internacionais
foi obscurecida durante os anos de intervenção dos regimes
militares que dominaram a maior parte da região. Desde o início
da década de 60, até meados dos anos 80, muitos países
latino-americanos suportaram um longo período de governos militares,
que se caracterizaram por violações sistemáticas
e generalizadas de direitos humanos. Algumas violações,
como os desaparecimentos forçados, tornaram-se emblemáticas
tanto desses regimes quanto do foco das campanhas que a Anistia Internacional
realizava na região naquela época.
...
Para
ler o documento completo acesse o link:
http://thereport.amnesty.org/prt/regions/americas

Brasil
em Foco
"Relatório
de direitos humanos destaca caso de milhares de mulheres investigadas ela
prática de aborto em Mato Grosso do Sul"
No dia 4 de dezembro, no Salão Nobre da Faculdade de Direito
do Largo São Francisco, em São Paulo, foi lançado
o Relatório Direitos Humanos no Brasil 2008, organizado pela Rede
Social de Justiça e Direitos Humanos e que traz um panorama sobre
as violações de direitos no Brasil este ano.
Esta é a nona edição do livro, que é resultado
do trabalho de pesquisa de 22 organizações sociais. Ipas
Brasil participa de um dos capítulos da obra com artigo que faz
uma análise sobre as violações sofridas por milhares
de mulheres investigadas pela prática de aborto em Mato Grosso
do Sul.
As autoras – Beatriz Galli e Carmen Hein Campos – escrevem:"O
caso aponta para uma urgente reflexão sobre a atualidade e a eficácia
da lei penal de 1940 em relação ao aborto. Ao estourar
a Clínica de Planejamento Familiar que funcionava há mais
de 20 anos na cidade e apreender as fichas médicas, os poderes
públicos violaram inúmeros direitos fundamentais. Além
disso, a ausência de serviços para abortamento legal, além
da manutenção de uma legislação proibitiva
ao abortamento, demonstra que o Estado brasileiro viola a equidade no
acesso à saúde."
Leia aqui o artigo publicado no Relatório - "Mulheres
processadas pela prática
de aborto em Mato Grosso do Sul: direitos humanos e reprodutivos em questão" (documento
em PDF) - de Beatriz Galli e Carmen Hein Campos.
Para ler a íntegra do relatório (em PDF) acesse o link
abaixo:
http://www.ipas.org.br/arquivos/relatorio%20dh%20brasil%202008.pdf

Direitos
Sexuais e Reprodutivos
"Processos
judiciais envolvendo abortamento: Negação dos direitos
reprodutivos das mulheres em Mato Grosso do Sul"
Entidades
entregam ao ministro Paulo Vanucchi e à ministra Nilcéia
Freire relatório que aponta violações sofridas
por 10 mil mulheres investigadas pela prática de aborto
O relatório “Processos
judiciais envolvendo abortamento: Negação dos direitos
reprodutivos das mulheres em Mato Grosso do Sul”, que mostra
as irregularidades na ação policial com a apreensão
e manuseio dos prontuários médicos e o posterior processamento
posterior das mulheres em Campo Grande, foi entregue no dia
16 de dezembro, ao Secretário Especial de Direitos Humanos
da Presidência da República, Paulo Vanucchi, e à ministra
Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas
para as Mulheres, durante a XI Conferência Nacional de Direitos
Humanos, em Brasília.
No processo são violados o direito à privacidade, o direito à saúde, à liberdade,
e ao devido processo legal, entre outros direitos, previstos na Constituição
Federal e nos tratados de direitos humanos ratificados pelo Brasil.
Os agentes policiais não respeitaram a privacidade das mulheres,
não impediram a exposição indevida do conteúdo
das fichas médicas e o seu manuseio por pessoal não qualificado.
A legislação brasileira prevê procedimento específico
para a investigação de registros médicos de pacientes,
exigindo que as autoridades judiciais apontem um especialista para
manusear os prontuários, com o objetivo de preservar o sigilo
médico.
Ignorando este procedimento, a polícia utilizou os registros
médicos apreendidos de forma ilegal para investigar criminalmente
milhares de mulheres suspeitas de terem se submetido a abortamentos
ilegais.
Estes acontecimentos afetaram as vidas de milhares de mulheres que,
hoje, estão sob investigação. Setenta delas já receberam
sua sentença, e outras mais são acusadas diariamente.
Muitas que ainda não foram processadas vivem com medo de serem
investigadas criminalmente, podendo ter a sua vida privada revelada
para suas famílias, seus colegas de trabalho ou o público
de forma geral. Atualmente, a polícia planeja investigar cerca
de duas mil mulheres cujos casos ainda não estariam prescritos.
O relatório foi organizado pelo Ipas Brasil a partir de visitas
de campo a Campo Grande e baseia-se em entrevistas com pessoas-chave
envolvidas no caso, em documentos oficiais e na imprensa, pesquisados
e sistematizados por um grupo de entidades e redes que atuam pela promoção
e defesa dos direitos reprodutivos: Antígona/CLADEM – Comitê Latino
Americano e do Caribe pela Defesa dos Direitos da Mulher, CCR - Comissão
Cidadania e Reprodução, CFEMEA, Ipas Brasil, Themis,
Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Reprodutivos e Jornadas
pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro.
Questão de saúde pública tratada como questão
de polícia
A interrupção da gravidez é um grave problema
de saúde pública e de direitos humanos no Brasil. Apesar
de o Código Penal brasileiro criminalizar o procedimento, estima-se
que ocorram 1.054.243 abortamentos a cada ano no país. O abortamento
inseguro está entre as principais causas de mortalidade materna.
Aproximadamente 250.000 mulheres são atendidas anualmente nos
hospitais brasileiros com complicações decorrentes de
abortamentos inseguros.
A criminalização do aborto tem um efeito perverso na
saúde pública e não previne a sua prática.
O caso de Mato Grosso do Sul é emblemático e demonstra
que o Estado deve buscar resposta fora da esfera penal para lidar com
a questão.
Para
ler o documento completo acesse o link a seguir:
http://www.ipas.org.br/arquivos/RelatorioMS_FINAL.pdf

Saúde
Sexual e Reprodutiva
"Mulheres,
soropositividade e escolhas reprodutivas"
SANT'ANNA,
Ana Carolina Cunha; SEIDL, Eliane Maria Fleury and GALINKIN,
Ana Lúcia. Estud. psicol. (Campinas), Campinas, v. 25,
n. 1, Mar. 2008 .
RESUMO
O
crescimento da epidemia do vírus da imunodeficiência
humana entre as mulheres vem atualizando questões referentes à sexualidade
e à reprodução. Este estudo investigou a percepção
de mulheres portadoras do vírus da imunodeficiência humana
positivo quanto às escolhas reprodutivas no contexto da soropositividade.
Optou-se pela metodologia qualitativa, com a utilização
de um grupo focal com mulheres soropositivas residentes no Distrito
Federal. Na análise dos resultados, observou-se que as participantes
estavam bem informadas sobre o processo de prevenção
da transmissão vertical. A condição sorológica
teve impacto na vida sexual e reprodutiva, evidenciado no adiamento
ou extinção dos planos de ter filhos. A reação
das pessoas em geral, bem como do profissional de saúde, diante
do desejo de ter filhos por parte da mulher soropositiva foi apontada
como desfavorável. Os achados do estudo, de caráter exploratório
e preliminar, apontam para a relevância da realização
de pesquisas na área, a fim de que os direitos reprodutivos
das mulheres soropositivas sejam compreendidos, favorecendo sua valorização
e respeito.
...
Para
ler o texto completo acesse o link da SCIELO, a seguir:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-166X2008000100010&script=sci_arttext&tlng=end_0100-6916

Reflexões
e Opiniões
"Intolerância à diversidade
sexual"
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