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Editorial O cenário nacional têm se mostrado favorável à mudanças que coibam a violência doméstica. É o que comprova a aprovação do projeto de lei da Câmara (PLC) 37/06, pelo Senado no último dia 04 de julho; encaminhado pela Presidência da República (PL 4559/04), que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Essa nova legislação permitirá a criação de varas judiciais com competência civil e penal, atendendo a reivindicações históricas do movimento de mulheres, que há anos vem solicitando uma estrutura no Judiciário que possa contribuir para o enfrentamento da violência contra a mulher, considerando diretrizes de compromissos internacionais assumidos pelo Governo Brasileiro, a exemplo do que está firmado na Cedaw (Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher) e na Convenção de Belém do Pará. Destacamos, assim, que Ipas aderiu ao manifesto que apoia a sanção integral do projeto de lei. Diante desta perspectiva, trazemos nesta edição, uma coletânea de textos reunidos a partir de dois seminários “Estado Laico e Liberdades Democráticas” organizados no I Fórum Social Brasileiro (Belo Horizonte, 09 de novembro de 2003) e no I Fórum Social Nordestino (Recife, 23 de novembro de 2004). Esses textos, organizados por Carla Batista (SOS Corpo) e Mônica Maia (Rede Nacional Feminista de Saúde), discutem a laicidade do Estado; que se mostra como um tema contemporâneo da maior relevância para aqueles/as que acreditam e trabalham pela ampliação da democracia no Brasil. Contamos também com uma amostra do livro “O Progresso das Mulheres no Brasil” a partir do capítulo escrito por Miriam Ventura “Saúde feminina e o pleno exercício da sexualidade e dos direitos reprodutivos”. Essa obra traz um balanço detalhado das conquistas e dos desafios que temos pela frente. Esse projeto foi organizado pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), com apoio da Fundação Ford e a colaboração da organização não-governamental Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação (Cepia). Para saber mais, visite o site: http://www.mulheresnobrasil.org.br/ Além disso, apresentamos a reflexão da Desembargadora Maria Berenice Dias sobre o incesto, através de seu texto: “A Justiça e a invisibilidade do incesto”; bem como um estudo de caso sobre “Violência doméstica e uso de drogas na gestação” de autoria de Daniela Taysa Rodrigues (Enfermeira Especialista em Obstetrícia e Neonatal, Pós-graduanda do Programa de Enfermagem em Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo) e Ana Márcia Spanó Nakano (Professora Doutora Associada ao Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública da EERP – USP); que tão gentilmente colaboraram no envio de seus artigos para nossa Revista Eletrônica de Saúde Sexual e Reprodutiva. Na seção da Revista entitulada “Ipas Global”; Ipas investiga as experiências sexuais e reprodutivas de alunas de enfermagem de Veracruz e Chiapas no México. Esse estudo visa produzir informação sistematizada para reorientar ou aprofundar os programas de saúde sexual e reprodutiva na formação das enfermeiras, incidindo sobre problemas específicos que afetam o seu desenvolvimento profissional. Agradeço mais uma vez as contribuições oferecidas para a editoração desta edição. Para aqueles que queiram oferecer sua contribuição para a publicação de algum artigo, eventos ou cursos a serem realizados e relacionados com nossos objetivos (saúde sexual e reprodutiva da mulher), pedimos que nos contatem através do e-mail: revista@ipas.org.br. Muito
obrigada |
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| Nesta
Edição BRASIL
EM FOCO DIREITOS
SEXUAIS E REPRODUTIVOS SAÚDE
SEXUAL E REPRODUTIVA REFLEXÕES
E OPINIÕES » Novo
website de Ipas classifica estados norte-americanos
quanto aos direitos sexuais e reprodutivos |
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XI Congresso
Paulista de Obstetrícia e Ginecologia SEMINÁRIO: Desafios
para a Inserção de Direitos Humanos, Direitos Sexuais
e Reprodutivos nos cursos de Medicina, Enfermagem e Direito I ENCONTRO
NURSING NA SAÚDE DA MULHER E DA CRIANÇA VI Colóquio
Internacional de Direitos Humanos “Fortalecendo os Direitos
Humanos no Sul” I Encontro
Nacional da AMB (Articulação de Mulheres Brasileiras)
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Ideal para ativistas, jornalistas e pesquisadores, "Mapeado nossos Direitos: Navegando por entre a discriminação contra mulheres, homens e famílias" foi lançado em Washington, D.C., nos Estados Unidos, em 31 de maio de 2006. Esse website oferece interatividade e rapidez para monitorar as leis estaduais norte-americanas quanto aos direitos sexuais e reprodutivos. "Mapeando seus Direitos" é totalmente clicável e usa 25 indicadores para classificar os 50 estados americanos e o Distrito de Columbia. Entre esses indicadores estão: - Verba
pública destinada para o planejamento
familiar e o aborto; Baseados nesses indicadores, podemos dizem que os Estados de Nova Iorque e Novo México estão empatados em primeiro lugar , por promoverem e não restringirem os direitos sexuais e reprodutivos de seus cidadãos. Esse site (http://www.mappingourrights.org) é o resultado de uma colaboração entre as organização: Ipas, National Gay and Lesbian Task Force e SisterSong Women of Color Reproductive Health Collective, e tem por objetivo promover a conscientização da legislação discriminatória norte-americana.
Senado aprova projeto que combate violência doméstica contra a mulher O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (4 de julho de 2006) o projeto de lei da Câmara (PLC) 37/06, encaminhado pela Presidência da República, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. A relatora da proposta, senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) explicou que o PLC torna mais rígidas as punições para os agressores, criando uma vara judiciária especial para tratar desse tipo de crime. A senadora assinalou que o projeto apresenta algumas inovações que poderão contribuir para a redução dos casos de violência doméstica, como a proibição da aplicação de penas restritivas de direito, de prestação pecuniária, cestas básicas e multas. O projeto também define violência doméstica e familiar contra a mulher como qualquer ação ou conduta baseada na relação de gênero que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico. Elaborado a partir de diretrizes contidas em diversos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, o projeto estabelece ainda o atendimento da vítima por equipe multidisciplinar, composta por profissionais de áreas externas ao meio jurídico, como médicos, psicólogos e assistentes sociais. Fonte:
Agência
Senado
Mulher
jovem opta pelo aborto clandestino O aborto provocado foi o desfecho da primeira gravidez de 16,7% das mulheres de 18 a 24 anos, de acordo com levantamento feito com 4.634 jovens moradoras de Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS). Além disso, a pesquisa mostrou como condição social e acesso à educação estão relacionados com a opção por interromper a gestação: em jovens com renda familiar superior a R$ 180, o número de abortos é quatro vezes maior do que entre as de menor renda e grau de escolaridade. ... Para
ver a matéria completa acesse: O
Liberal
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CECRIA
- CENTRO DE REFERÊNCIA, ESTUDOS E AÇÕES SOBRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES REDE
UNIDA Mais links recomendados no website de Ipas Brasil: http://www.ipas.org.br/links.html ou na Biblioteca online: http://www.ipas.org.br/biblioteca.html
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Ciência
e Pesquisa Localização: BR734.1; P245m - Fonte: LILACS
Título: IAMANEH
and the new concept of reproductive health. International Association
for Maternal and Neonatal Health. PMID:10075206
/Ui:
99173528 -
ISSN: 0020-7292 Fonte: LILACS
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| Ipas
Global En la época de los años 60, muchos jóvenes asumieron en edad temprana las funciones y las responsabilidades de los adultos; entre ellas la de ser padres. La sociedad incorporó el embarazo de la adolescente a los hechos de la vida diaria sin mucha preocupación, ya que cada uno de ellos se consideraba un caso aislado, o bien era resultado de la costumbre en las zonas rurales, y posteriormente, de las zonas urbano marginales. Los cambios demográficos que esto ocasionó, aunado a los cambios políticos y económicos y a las implicaciones sociales que se derivaron de estos hechos, presentan en la actualidad un panorama distinto que obliga a la reflexión y al análisis, dadas las repercusiones que tiene sobre la salud física, emocional, económica y social de los jóvenes un embarazo no planeado o un hijo no deseado. Se estima que cada año 14 millones de adolescentes (es decir, jóvenes menores de 20 años) dan a luz en el mundo, lo cual representa poco más del 10% del total de nacimientos. El 80% de los nacimientos tienen lugar en los países en desarrollo. La población joven en México, abarca 22% del total de la población, es decir, los y las jóvenes de entre 10 y 19 años suman ya un total de 21,560 millones. De acuerdo a las proyecciones de CONAPO en 2004 se estimaban 259,257 nacimientos en mujeres menores de 20 años, alrededor del 17% del total de los registrados en el país. Las cifras de embarazo adolescente seguramente son más altas, si consideramos que no todos los embarazos llegan a término, sea porque terminen en un aborto espontáneo o en uno inducido. ...
Apresentação O primeiro
seminário
foi organizado no contexto das Campanhas: Contra os Fundamentalismos, por
uma Convenção dos Direitos Sexuais e dos
Direitos Reprodutivos, e 28 de Setembro – Campanha pela Legalização
do Aborto. As três campanhas se articulam na América Latina
e no Caribe. A atividade foi construída em uma parceria entre a Articulação
de Mulheres Brasileiras - AMB, a Rede Nacional Feminista de Saúde,
o Comitê Latino Americano
de Defesa dos Direitos da Mulher - CLADEM Brasil, o Centro Latino Americano em
Sexualidade e Direitos Humanos - CLAM e Católicas pelos Direitos
de Ao distribuir os panfletos convidando para os seminários, não raro as pessoas perguntavam: “e o que é Estado Laico?”. Tal questão é apenas mais uma que comprova a relevância do debate. Ele não está instalado mesmo dentro do campo dos movimentos sociais, e o fato é que, cada vez mais, discutir a laicidade do Estado se mostra como um tema contemporâneo da maior relevância para aqueles/as que acreditam e trabalham pela ampliação da democracia no Brasil. Infelizmente não foi possível resgatar todas as participações, mas a maioria delas está aqui. Mantivemos, inclusive, a fala das duas debatedoras das mesas do primeiro seminário, Fabíola Rohden e Fátima Oliveira. Os textos apresentados são também uma contribuição à discussão sobre as diversas faces do conservadorismo, do fundamentalismo religioso, ao mesmo tempo em que buscam lançar luzes sobre as possibilidades de enfrentá-los. Desejamos uma boa Leitura, e convidamos a todos/as à ação em defesa da democracia! ...
Direitos
Sexuais e Reprodutivos A busca
por igualdade, liberdade e justiça social no campo da saúde
sexual e reprodutiva O período
entre 1992 e 2002 foi marcado por alguns avanços nessa área.
Houve uma
Saúde
Sexual e Reprodutiva Resumo ...
Reflexões
e Opiniões Há fatos que não se quer ver, realidades que não se quer enxergar, como se, com isso, eles fossem desaparecer. Quando o assunto são crimes sexuais, crimes que acontecem dentro do lar, crimes cometidos contra crianças por pais, padrastos, tios, avós, etc., ninguém sequer gosta de pronunciar o nome. Aliás, é delito que nem nome tem, pois não se
encontra tipificado no Código Penal. Tudo é envolto em um manto de silêncio, daí a dificuldade em estabelecer estimativas a respeito de números. Assim, é difícil se ter uma idéia dessa perversa realidade. Avalia-se que apenas 10 a 15% dos casos de incesto são revelados, sendo que 20% das mulheres e de 5 a 10% dos homens foram vítimas de abuso sexual na infância ou na adolescência. Na
expressiva maioria, 90% dos delitos são cometidos por
homens que as vítimas amavam, respeitavam e confiavam:
69,6% dos agressores é o
pai biológico; 29,8% o padrasto e 0,6% o pai adotivo.
Não
há registro de abuso por parte de pais homossexuais. O
incesto é um delito cujo início é marcado por
uma relação de afeto, um vinculo de confiança.
São práticas que começam com gestos gentis, toques
e carícias que a vítima recebe de uma pessoa que ela
ama, que ela respeita e à qual deve obediência. O abusador passa a cobrar o silêncio e a cumplicidade da vítima, colocando em suas mãos a mantença da estrutura da família e a sua própria liberdade. Leva-a a acreditar que a genitora vai ficar com ciúme, pois ele a ama mais do que à mãe, e ninguém vai entender esse amor “especial”. Muitas vezes, a vítima se sujeita em virtude da ameaça do abusador de que ele passará a manter relações incestuosas com as outras filhas menores, o que inibe a denúncia. Resta o medo de provocar o esfacelamento da família e, com isso, gerar dificuldades a todos. Também, receia ser afastada de casa, tendo de ir para um abrigo. A denúncia é muito difícil, pois o crime não é praticado com o uso de violência, e, quando a vítima se dá conta de que se trata de uma prática erótica, simplesmente o crime já se consumou. A vítima é pega de surpresa e surge o questionamento de quando foi que tudo começou, vindo junto a vergonha de contar o que aconteceu, o sentimento de culpa de, quem sabe, ter sido conivente. Teme ser acusada de ter seduzido o agressor, ser questionada de por que não denunciou antes. Assim, cala por medo de ser considerada culpada. Surge, então, o medo de não ser acreditada. Afinal, o agressor é alguém que ela quer bem, que todos querem bem, que a mãe e toda a família amam e respeitam, pois geralmente é um homem honesto e trabalhador, sustenta a família, é benquisto na sociedade e respeitado por todos. Quem daria credibilidade à palavra da vítima? Denunciado
o fato, a Justiça
acaba sendo conivente com o infrator, pois sempre procura
culpabilizar a vítima, e o altíssimo índice
de absolvições gera a consciência
da impunidade. Há uma enorme dificuldade de emprestar credibilidade à palavra da vítima. Quando são crianças, costuma-se pensar que elas usam da imaginação ou que foram induzidas a mentir. Quando são adolescentes, acredita-se que elas provocaram o abusador, seduziram-no, insinuaram-se a ele, justificando, assim, a prática do delito. A vítima é inquirida se sentiu prazer, como se esse fato tivesse alguma relevância para a configuração do delito. Com isso, a responsabilidade pelo crime passa a ser atribuída a ela, e não ao réu. No atual processo penal, a vítima é ouvida mais de uma vez e, em cada depoimento, revive os fatos, sofrendo nova violência. É revitimizada cada vez que precisa relatar perante estranhos o que aconteceu. É ouvida por pessoas não capacitadas para este tipo de escuta. No fim, cansada de repetir a mesma história, de ser sempre perguntada sobre o que quer esquecer, acaba caindo em contradições, o que geralmente enseja um juízo de absolvição por ausência de prova... Algo precisa
ser feito.
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| Conselho Editorial | ||
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João Parente Paulo Azevedo Osmar Colás Oswaldo José Queiroz Dias Rivaldo Albuquerque Roberto Benzecry Sônia Madi Vera Rolim |
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Revista
de Saúde Sexual e Reprodutiva IPAS BRASIL |
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| Coordenação
Editorial - Leila Adesse Editor - Jefferson Drezett Editoração - Alessandra Foelkel Editores Associados - Cristião Fernando Rosas e Roberto Benzecry |
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