Caso não esteja visualizando este e-mail
corretamente clique AQUI |
||
![]() |
||
|
|
Editorial Comemoramos, no dia 28 de maio, o Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher. O Dia 28 de maio é lembrado desde 1987, quando, realizou-se uma reunião onde oitenta mulheres de várias nacionalidades instituíram o 28 de Maio como Dia de Ação pela Saúde da Mulher, tomando como subtema, naquele momento, a morte materna. A Campanha iniciada pelas mulheres, teve um efeito dominó e, foi sendo assumida pelos governos de diversos países e por organizações internacionais, regionais e nacionais de saúde. Na sua dinâmica, a Campanha muda de tema a cada dois anos, mas sempre tendo como foco os direitos das mulheres à saúde sexual e reprodutiva. Para 2006, campanha organizada pela Rede Mundial de Mulheres por seus Direitos Reprodutivos, RMMDR, estará voltada ao Acesso da Mulher à Saúde; com ênfase nas vulnerabilidade que as mulheres enfrentam com relação à epidemia do HIV/ AIDS. Dentro dessa temática, apresentamos nessa edição da Revista de Saúde Sexual e Reprodutiva, um texto de Beatriz Galli e Leila Hessini, que aborda as dificuldades das mulheres ao acesso e à melhoria da qualidade da saúde materna de acordo com as Metas do Milênio: "A vida das mulheres importa? O mundo alcançará a Meta de Desenvolvimento do Milênio 5?" Em consonânica com o Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher, destacamos nesta edição dois temas: o da Mortalidade Materna referida no relatório do Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade divulgado por Adson Roberto França Santos, Coordenador do Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal; e o da Violência Sexual, para o qual Ipas Brasil, Universidade Federal do Pará, OAB Pará e a Comissão de Assuntos Municipais da Assembléia Legislativa do Estado do Pará promoveram em Belém do Pará, no dia 23 de maio, o Seminário "Enfrentamento da violência sexual contra adolescentes e mulheres: Uma questão de políticas públicas" buscando o fortalecimento e implementação de ações de combate efetivo à violência sexual no Estado do Pará. Apresentamos também, resultados de um estudo realizado pela pesquisadora Edlaine de Campos Gomes e Juliana de Mello Jabor: "Pluralismo Religioso, Sexualidade e Experiência Religiosa entre Estudantes de Ensino Fundamental e Médio"; além de uma entrevista com Márcia Pereira Leite (doutora em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ e professora do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UERJ) que faz uma reflexão sobre a inserção do tema do gênero dentro do aspecto da violência urbana e social. Essa edição da Revista ainda aborda a área dos direitos humanos sexuais e reprodutivos, com o texto de Beatriz Galli e da Dra. Mariana Maldonado: "Discriminação no acesso à saúde de mulher vivendo com HIV/AIDS: uma questão ética e de direitos humanos", que faz parte da Coluna "Dilemas e Soluções na rotina dos serviços de saúde"; e a área da saúde, com a divulgação do "Balanço de dois anos do Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal - Março de 2006". Para aqueles que queiram oferecer sua contribuição para a publicação de algum artigo, eventos ou cursos a serem realizados e relacionados com nossos objetivos (saúde sexual e reprodutiva da mulher), pedimos que nos contatem através do e-mail: revista@ipas.org.br. Muito
obrigada |
|
| Nesta
Edição BRASIL
EM FOCO DIREITOS
SEXUAIS E REPRODUTIVOS - Dilemas e soluções na rotina dos serviços SAÚDE
SEXUAL E REPRODUTIVA REFLEXÕES
E OPINIÕES » Seminário
sobre violência sexual
no Pará » Clippings
de notícias relacionadas |
||
|
CURSO: Curso
Atenção Pós Abortamento /Aspiração Manual Intra-Uterina XXIV Congresso
de Obstetrícia
e Ginecologia do Nordeste 20ª Jornada de Obstetrícia e Ginecologia
da Santa Casa de Misericórdia de SP XIV Jornada
de Ginecologia e Obstetrícia do Sudoeste Goiano
|
||
|
SEMINÁRIO SOBRE VIOLÊNCIA SEXUAL NO PARÁ No Brasil, os crimes sexuais ainda são pouco denunciados e o número real de casos é muito superior ao que chega ao conhecimento da Polícia e do Judiciário. O Ministério da Saúde reconhece que menos de 10% dos casos de violência sexual são notificados na Delegacia. O cenário de violência sexual no país tem graves repercussões para a saúde pública e os direitos humanos da mulheres e adolescentes. Nesse sentido, o governo tem realizado esforços políticos para reduzir a incidência de violência sexual, tais como:
Para ampliar o debate sobre políticas públicas que apontem para a necessária redução das barreiras administrativas e culturais existentes, foi estabelecida uma articulação entre Ipas Brasil, OAB do Pará, Comissão de Assuntos Municipais da Assembléia Legislativa do Estado do Pará e a Universidade Federal do Pará / Observatório Paraense de Políticas Municipais para o desenvolvimento de convergências de ações que permitam solidificar as garantias de direitos sociais às mulheres e adolescentes que são vítimas de violência sexual, portanto apresentamos este seminário "Enfrentamento da violência sexual contra adolescentes e mulheres: Uma questão de políticas públicas", enquanto espaço de discução e construção de novas estratégias que fortaleçam a rede de proteção. Clippings de notícias relacionadas: Subnotificação da violência mascara o problema e
dificulta as ações Se por um lado um dos problemas da violência sexual contra mulher é a falta de organização de dados acerca dos casos, por outro a subnotificação também se configura num desafio para reduzir os índices das agressões. Quem chama atenção para a questão é a médica e diretora da ONG IPas-Brasil, Leila Adesse. Ela afirma que as políticas públicas para as mulheres têm avançado no País, mas um dos problemas é a resistência à denuncia. "Muitas vezes, a mulher não denuncia porque o agressor é o provedor da casa. Se ele for preso, a família inteira fica sem ter como se sustentar. É preciso muito mais que estimular a denúncia. É preciso políticas para que a vítima tenha como ganhar a sua vida sem precisar do marido", afirma. Ela ressalta que a violência contra a mulher, desde 2002, é encarado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um problema de saúde pública. "As agredidas, em sua imensa maioria, são encaminhadas para as unidades de saúde pública", constata. Ela também aposta no novo sistema de informação, o qual vai reunir os registros feitos nos estabelecimentos de saúde, de segurança e até de educação. A coordenadora da Clínica de Tocoginecologia da Fundação Santa Casa de Misericórdia, Neila Dahas, afirma que na instituição em nove anos foram registrados 332 casos de estupros, cometidos contra mulheres de todas as idades, mas que a faixa etária mais atingida é de 15 a 25 anos. A médica conta que, na maioria das vezes, o crime é cometido por homens próximos das vítimas, como pais, padrastos, irmãos, avôs e os "criminosos mais conhecidos da vizinhança". Para ela, essa proximidade é o que tem dificultado as denúncias. Ainda assim, ela estimula que os crimes sejam denunciados para evitar a impunidade dos agressores. Neila cita que, em um década, foram realizados 83 abortos legais, cuja concepção teve origem em violência sexual. Ela esclarece que, atualmente, vale a palavra da vítima e que não é mais necessário o Boletim de Ocorrência para que o médico realize a intervenção. Sistema
de Informação Municipal da Mulher começa
até o final do ano Ari Loureiro explica que o instrumento é imprescindível para a elaboração de políticas públicas mais precisas destinadas a conter a violência contra mulher. Os dados, atualmente, comenta ele, não estão reunidos em uma única base de informações, o que dificulta traçar estratégias para resolver o problema. E detalha ainda que o Simm vai mostrar, entre outras coisas, quais os bairros com a maior incidência de agressões em Belém."As instituições compentes poderão desenvolver ações direcionadas para cada foco do problema", comenta. Nesta fase do projeto, estão sendo levantadas informações sócio-econômicas nos registros oficiais. Ari Loureiro explica que, no momento, tem trabalhado com o apoio dos graduandos do curso de Serviço Social da UFPA. A iniciativa não está sendo financiada por nenhuma instituição pública ou privada e tem também a participação da Organização Não-Governamental Ipas-Brasil, da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Pará (OAB/PA) e da Comissão de Assuntos Municipais da AL. O coordenador do Laboratório diz que as prefeituras das cidades paraenses estão sendo contatadas para usarem o Simm, como principal referência de informações para elaboração de políticas para mulheres.
ANIS:
Uma História Severina "Depois do parto, o documentário Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal começa a ser oficialmente comandado por uma mulher – pela primeira vez em seus quase 200 anos de história. A ministra Ellen Gracie Northfleet, que toma posse nesta quinta-feira, terá uma oportunidade histórica para fazer um pouco de justiça às mulheres brasileiras. Neste semestre ainda, se tudo correr bem, chegará ao plenário do Supremo o debate a respeito de uma questão delicada e fundamental: o direito das mulheres de interromper a gravidez de fetos sem cérebro – cujas chances de sobrevivência fora do útero são iguais a zero. No ano passado, o assunto chegou ao Supremo, o aborto foi devidamente autorizado mas, quatro meses depois, a autorização foi cancelada. Os ministros que tiverem interesse em aprofundar-se no assunto – e sobretudo em dar uma olhada no imenso sofrimento que provocam na vida das brasileiras mais humildes com essas decisões que ora vão para um lado, ora vão para outro – podem assistir a um documentário singelo e pungente. Chama-se Uma História Severina, de autoria de Debora Diniz e Eliane Brum. Em 22 minutos, o filme narra a dolorosa peregrinação de Severina, moradora de Chã Grande, no interior de Pernambuco, em busca do direito de abortar o feto sem cérebro que carregava no útero. No dia em que o Supremo cancelou o direito ao aborto, Severina estava internada num hospital para interromper a gravidez de quatro meses. A cirurgia então foi cancelada – e começou a via-crúcis de Severina e seu marido, Rosivaldo. A cena mais forte do documentário é filmada na sala de parto. Ali, Severina, já com sete meses de gravidez e depois de incontáveis idas e vindas da burocracia, fica mais de trinta horas em trabalho de parto induzido e dá à luz uma criança morta, com pouco mais de 1 quilo. Ao lançar seu primeiro olhar para o filho morto, no qual a ausência de cérebro está fisicamente evidente, ela revela todo o seu desespero: "Meu filho, ai meu pai, meu Deus". A pergunta que fica – à qual os ministros do Supremo são os únicos que podem responder – é a seguinte: era preciso forçar Severina a dar à luz uma criança que não sobreviveria ao parto? Era preciso submetê-la a tamanha tortura física e psicológica? Depois do parto, o documentário mostra o enterro da criança, vestida com a única roupa branca que lhe compraram e com o corpo inerte dentro de um ataúde das dimensões de uma caixa de boneca. Era preciso tanto sofrimento? A ministra Ellen Gracie Northfleet, logo que chegou ao Supremo, deu uma contribuição decisiva para acabar com uma aberração – aquela que só considerava o estupro como um crime hediondo nos casos em que produzia lesões corporais graves. A ministra ensinou aos seus pares que o estupro era sempre hediondo, com ou sem danos físicos graves. No caso do aborto de fetos sem cérebro, a ministra terá uma nova chance de ajudar a fazer história a favor da mulher. -------------------------------------------------------------- Informações
e como comprar Título: Uma História Severina | Duração: 23 min. | Direção e Roteiro: Debora Diniz e Eliane Brum | Produção Executiva: Fabiana Paranhos | Realização: ImagensLivres [Anis – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero] | Apoio: The Ford Foundation, International Women’s Health Coalition, Campaña por una Convención e UNIFEM | O
DVD do filme está à venda por R$10. Envie uma mensagem
para a Anis ou telefone [61] 3343.1731 e adquira o seu.
Clipping: Profissionais do SUS serão capacitados para perceber abuso sexual em jovens O Ministério da Saúde (MS) lança hoje (18/05), no Dia Nacional de Combate à Exploração ao Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes, o Marco Teórico e Referencial da Saúde Sexual e Reprodutiva dessa parcela da população. A partir de agora, os profissionais de saúde que trabalham nas 40 mil unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) serão capacitados para perceber indícios de violência sexual e maus-tratos vividos por crianças e adolescentes. O documento estabelece diretrizes para o atendimento à saúde do jovem na rede SUS. Além de prepará-los para perceber sinais de agressão, os profissionais de saúde serão orientados a respeitar a individualidade e a privacidade do paciente. O Marco Teórico foi elaborado para garantir os direitos estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Pela primeira vez, o tema é tratado oficialmente. O Marco Teórico aborda o assunto de forma ética e não preconceituosa. Leva em consideração, principalmente, os direitos dos jovens. Com esta ação, o Ministério da Saúde pretende auxiliar jovens e crianças a usufruir dos seus direitos sexuais e reprodutivos com responsabilidade. O Ministério distribuirá o documento para gestores, profissionais de saúde e de educação. O Marco Teórico também estará disponível para entidades de movimentos sociais e universidades. Violência - Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que crianças e adolescentes são vítimas constantes da violência, com destaque para o abuso sexual. Segundo a OMS, uma em cada três meninas no Brasil sofre agressão. Estatísticas do Disque Denúncia, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, mostram que a cada oito minutos uma criança é vítima de abuso sexual no país. Por ano, são registrados 60 mil casos. Em 80% das ocorrências, as vítimas são meninas com idade entre dois a dez anos. Atualmente, apenas 2% dos ataques são denunciados. Quando agredidos, os jovens dão sinais de fácil observação. A mudança no comportamento é o primeiro alerta. Passam a apresentar falta de apetite e sintomas de depressão, por exemplo.
Mais informações:
Clipping: CCJ dá parecer favorável ao PLC 37/06 que trata da violência doméstica 24/05/2006 Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), do Senado Federal, apresentou, nesta quarta-feira (24/05), parecer favorável ao Projeto de Lei de Conversão 37/06 que cria mecanismos de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher e estabelece medidas para a prevenção, assistência e proteção às mulheres em situação de violência. A matéria, que foi relatada pela senadora Lucia Vânia (PSDB-GO), será apreciada em regime de urgência pelo Plenário da Casa, a pedido da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT). A proposição aprovada proíbe a aplicação de penas pecuniárias (cestas básicas e multas) e institui juizados especiais com competência cível e criminal. O projeto conceitua e define as formas de violência vividas por mulheres no cotidiano: violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Além disso, determina o encaminhamento de mulheres em situação de violência e seus dependentes a programas e serviços de proteção, garantindo os direitos à guarda dos filhos e a seus dependentes. Com a aprovação do PLC 37/06, o Brasil estará cumprindo os acordos internacionais da Convenção de Belém do Pará e do Comitê de Eliminação de Todas as Formas de Violência contra as Mulheres (CEDAW). Desde 2003, a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do CEDAW, recomendou ao Brasil a elaboração de uma legislação específica sobre violência doméstica contra a mulher. Fonte: http://200.130.7.5/spmu/noticias/2006/noticias_24_05_1.htm
Clipping: Primeiro módulo do Sistema Nacional de Informações de Gênero já está disponível A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República - SPM - coloca à disposição o primeiro módulo do Sistema Nacional de Informações de Gênero - SNIG -que foi desenvolvido em parceria com o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher - UNIFEM - e com o apoio do Departamento de Desenvolvimento Internacional do Reino Unido - DFID e da Fundação IBGE. Ele contém dados dos Censos de 1991 e de 2000, reunidos e constituídos a partir de indicadores que oferecem uma leitura dos microdados censitários sob a ótica de gênero e cor/raça. O Sistema é interativo e fornece os resultados das consultas em formato de tabelas, gráficos e mapas. Download
do módulo a partir do website:
Clipping:
Central de Atendimento à Mulher passa a atender durante 24
horas A
Central de Atendimento à Mulher passa, a partir desta quarta-feira,
a funcionar todos os dias da semana, durante 24 horas. O número é o
180. Com Agência Brasil / da Folha Online
|
||
|
O
PROGRESSO DAS MULHERES NO BRASIL Casa
de Cultura da Mulher Negra Mais links recomendados no website de Ipas Brasil: http://www.ipas.org.br/links.html ou na Biblioteca online: http://www.ipas.org.br/biblioteca.html
|
||
|
Ciência
e Pesquisa Localização: MX1.1 - Meio Eletrônico: CD-ROM / Artemisa10 - Fonte: LILACS
Título: Sob
o signo de Marte: relações conjugais, gênero
e saúde reprodutiva no discurso de mulheres de baixa renda
/ Connubial relationship, gender negatiation and reproductive health
in discourse of low-income women. BR67.1/612.6072*22; BR67.1/Mtr 849 Fonte: LILACS
|
||
| ATENÇÃO: Alguns dos Arquivos On-line a seguir estão em formato Word® (doc) ou Acrobat Reader® (pdf). Clique nos logos abaixo caso você não possua o Acrobat Reader ou o Microsoft Word Viewer para fazer o download dos programas e ter acesso aos artigos. |
||
Download Adobe Acrobat Reader® (usuários Mac / PC ) |
(usuários PC sem o Microsoft Word) |
|
| Ipas
Global Meta
do Milênio 5: Melhorando a saúde
materna Saúde maternal:
um tema de saúde pública, direitos
humanos e justiça social Mortalidade
maternal é não só um problema
de saúde
pública, mas também uma injustiça social e uma
violação
dos direitos humanos e dignidade das mulheres. Noventa e nove por cento
de todas as mortes maternas ocorrem em países em desenvolvimento
(Ibidem). Globalmente, existe uma grande disparidade entre os países
desenvolvidos e em desenvolvimento em termos de mortalidade materna
do que em relação a qualquer outro tema de saúde
pública
como, por exemplo, vacinação e HIV/AIDS (Cook et al.,
2001). Por que
as mulheres morrem? ...
Brasil
em Foco Resumo Palavras-chave: sexualidade, pluralismo religioso, posturas individuais e experiência religiosa
Key words: sexuality, religious pluralism, individual positions and religion experience ...
Direitos
Sexuais e Reprodutivos - Dilemas e soluções na rotina dos serviços
de saúde Relato do caso: Estava no primeiro ano de residência iniciando a prática de atendimento no ambulatório de Ginecologia. Naquele dia, estava fazendo a triagem das pacientes, quando Márcia – a próxima paciente de uma fila interminável - entrou na minha sala.. Ela sentou-se na cadeira à minha frente e iniciou sua história com a seguinte frase: “doutora, eu acho que a senhora vai achar que eu estou fora do meu juízo com o que vou lhe contar, mas não estou não.” Márcia era uma mulher de 30 anos, negra, casada há 10 anos, segundo grau completo e estava terminando um curso profissionalizante de auxiliar de enfermagem. “Quero cuidar das mulheres com o mesmo problema que eu.” dizia. Sua queixa principal: há 3 anos tentava engravidar, mas até agora não tinha conseguido e queria saber o porquê. Estava ali por que queria ser atendida no nosso ambulatório de infertilidade. Fiz as perguntas de rotina: se já tinha engravidado alguma vez, se o seu marido era seu único parceiro atual, como eram seus ciclos menstruais, se já tinha feito algum exame ou tratamento para infertilidade, na tentativa de encontrar algo que pudesse indicar a origem do problema. Todas as respostas foram negativas. Mas, quando perguntei se era portadora de alguma doença, ela olhou bem para mim e disse: “eu e meu marido somos portadores do vírus HIV há 5 anos estamos com a doença sob controle. Sabemos de todos os riscos que corremos por ter relações sexuais sem camisinha. Nós nunca tivemos filhos e o nosso desejo é muito maior do que o medo dos riscos.” Confesso que fiquei surpresa: aquela mulher realmente queria ser mãe e estava colocando em risco a sua saúde para realizar seu sonho. Fui passar o caso para a minha staff na sala ao lado, certa de que ela seria aceita no ambulatório, afinal tinha indicação para iniciar uma investigação. Quando falei que a paciente era HIV positivo, ela perdeu a razão: começou a gritar comigo, dizendo que eu estava ficando maluca. Como eu poderia querer aceitar no ambulatório uma mulher HIV + para investigar esterilidade? Não sabia de todos os riscos que significaria para o bebê nascer de uma mãe com HIV? Que se até agora ela não engravidou, era por que a natureza sabia o que estava fazendo. O hospital não iria incentivar tal absurdo. Saí da sala dela arrasada. Como iria dizer isto para Márcia? Apesar de não concordar, não podia fazer muita coisa. A palavra final era dela. Disse a Márcia, que apesar de preencher os critérios para investigação de esterilidade, não poderíamos aceitá-la pois, no momento, o ambulatório estava fechado para triagem de novas pacientes . Indiquei outros serviços de referência e ela foi embora me agradecendo, dizendo que não iria desistir. Como dever ser uma atenção de qualidade neste caso? Aspectos Éticos Uma mulher soropositiva deve ter assegurado o acesso ao tratamento adequado sem discriminação, e deve ser vista como um ser autônomo para escolher sobre o tratamento de saúde adequado para ela. O aconselhamento nestes casos deve não intervir ou direcionar a sua decisão sobre ter filhos ou interromper uma gravidez indesejada. Durante o atendimento,
Márcia deve ser informada pelo profissional
de saúde sobre os riscos do tratamento para sua saúde
e a do seu futuro bebê. Assim, ela poderá tomar uma decisão
informada sobre o tratamento. Cabe ao profissional de saúde
orientá-la garantindo a confidencialidade obre a sua condição
de soropositividade, respeitando a sua privacidade. Embora o feto não
possa ser considerado legalmente uma pessoa, responsabilidades éticas
estão relacionadas ao futuro ser, tendo ou não o mesmo
sido concebido. O ser em potencial pode ser infectado no momento do
nascimento ou sucumbir à infecção logo em seguida,
e tal informação deve ser dada, além das implicações
e riscos na gravidez, para a futura mãe. Além disso,
informação sobre a amamentação e seus riscos
também é necessária.
Saúde
Sexual e Reprodutiva Lançado pela Presidência da República em 08 de março de 2004, aprovado na Comissão Intergestores Tripartite e no Conselho Nacional de Saúde, o Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal, tem por objetivo articular os atores sociais mobilizados em torno da melhoria da qualidade de vida de mulheres e crianças. Com 25 Unidades Federadas e duas em processo de pactuação, em um movimento articulado com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde - CONASS, o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde- CONASEMS, a Secretaria Especial de Políticas para | ||