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Editorial Este número do Boletim Eletrônico de Ipas Brasil tem o propósito de divulgação do DIA NACIONAL DE COMBATE AO ABUSO E À EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES. A data de 18 de maio foi estabelecida em 2000, para sensibilizar a sociedade e o governo para implementação de políticas e ações capazes de enfrentar o fenômeno, no âmbito do combate à impunidade e de proteção e promoção às pessoas em situação de vítimas ou vitimização, conforme estabelece o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Criança e Adolescente*. Em relação aos avanços do governo, gostaríamos de destacar a trajetória da Área de Saúde do Adolescente e do Jovem do Ministério da Saúde que vem trabalhando para formular uma política de saúde voltada ao atendimento das necessidades da população adolescente como sujeitos autônomos e com necessidades específicas. Em relação a este, destacamos a entrevista da Thereza de Lamare (coordenadora da Área de Saúde do Adolescente e do Jovem do Ministério da Saúde) na seção "Especial 18 de maio" sobre o Ministério da Saúde e o atendimento do SUS às jovens vítimas de violência sexual, além de uma entrevista com Andrea Barreto (coordenadora do projeto Atenção à Mulher Vítima de Violência Sexual Ipas Brasil) que explica a participação de Ipas Brasil nesse convênio através de consultoria técnica, pesquisa e participação nas atividades propostas em Belém e Santarém/ PA nesse mês de maio. Além disso; apresentamos, dentro do contexto da adolescência; o artigo "Cogitação e prática do aborto entre jovens em contexto de interdição legal: o avesso da gravidez na adolescência" de Simone Ouvinha Peres (Instituto de Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Maria Luiza Heilborn (Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Também lembramos nessa edição: o dia 28 de maio - DIA INTERNACIONAL DE AÇÃO PELA SAÚDE DA MULHER; e recomendamos uma visita aos sites: Women's Global Network for Reproductive Rights (WGNRR) - e - Latin American and Caribbean Women’s Health Network (LACWHN) onde o tema para a campanha de 2007 é “Women’s Sexual and Reproductive Health and Rights: Repoliticizing our Perspective, Repoliticizing our Demands" - (click aqui para versão em espanhol). Dentro do Debate Global, contamos também com a contribuição de José Henrique Rodrigues Torres (juiz de direito, membro suplente do conselho diretivo da AJD e membro titular do conselho executivo da FJD) com o artigo:" Descriminalização do aborto a pedido da gestante: Portugal respondeu SIM ". Também gostaríamos indicar, neste número, os artigos de Washignton Castilhos que tratam do debate sobre a descriminalização do aborto na América Latina. "Laicidade à prova" é um dos artigos que fazem parte da série de análises produzidas pelo Observatório de Sexualidade e Política sobre as motivações da visita do Papa Bento XVI ao Brasil, bem como o cartão postal produzido por várias organizações da sociedade civil (inclusive Ipas Brasil) por ocasião da visita do papa ao Brasil, no qual manifestamos nossa visão sobre sexualidade e saúde sexual e reprodutiva no Brasil. Agradeço mais uma vez as contribuições oferecidas para a editoração desta edição. Para aqueles que queiram oferecer sua contribuição para a publicação de algum artigo, eventos ou cursos a serem realizados e relacionados com nossos objetivos (saúde sexual e reprodutiva da mulher), pedimos que nos contatem através do e-mail: revista@ipas.org.br. Muito
obrigada *
Fonte: Secretaria Executiva do Comitê Nacional. |
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| Nesta
Edição BRASIL
EM FOCO ESPECIAL
18 DE MAIO "Diagnóstico
apresentará como jovens vítimas de violência
sexual são atendidos no SUS" SAÚDE
SEXUAL E REPRODUTIVA REFLEXÕES
E OPINIÕES Ipas
Notícias e clippings |
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18
de maio - Dia Nacional de Luta contra o Abuso e Exploração Sexual de Crianças
e Adolecentes Primeiro
Seminário Internacional “Política
e Feminismo” - A Política na Ausência das Mulheres Apresentação
dos Resultados da Pesquisa: Debate sobre universo feminino Treinamento
At. Violência e Curso AA/AMIU MESA
REDONDA: ABORTO - UMA QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA CURSO
TEÓRICO-PRÁTICO DE AMIU 2º Congresso
de Direitos Humanos, Sociedade e Estado 52º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia 10º Congreso Internacional Interdisciplinar sobre
las Mujeres, Mundos de Mujeres / Women´s Worlds 2008
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Anistia
Internacional adota nova política em direitos sexuais e reprodutivos Recentemente, a maior organização de direitos humanos do mundo, adotou uma política interna sobre direitos sexuais e reprodutivos que adota uma posição mais abrangente em relação ao aborto. A partir da adoção da nova política, a Anistia expressamente se opõe à penalização e ao encarceramento de mulheres que tenham praticado aborto; apóia o acesso à atenção médica que inclua a interrupção segura da gravidez em casos de estupro, violência sexual ou incesto, ou em casos em que a gravidez ofereça risco à vida ou à saúde da mulher; e solicita aos governos que garantam o acesso à saúde e a outros serviços para as mulheres que tenham sofrido complicações decorrentes do aborto inseguro, independentemente do status legal do aborto no país em que se encontram. O posicionamento da Anistia é resultado de um processo de consulta interna que durou cerca de dois anos e está diretamente relacionado ao trabalho que vem realizando no contexto do direito à saúde e em relação à epidemia global de violência contra a mulher em vários países do mundo. O Ipas Brasil parabeniza a Anistia Internacional por ter dado um passo tão importante para o reconhecimento dos direitos humanos, sexuais e reprodutivos das mulheres e espera que seja um exemplo para outras organizações que promovem e defendem os direitos humanos das mulheres no Brasil e em outros países do mundo.
* fonte: AJURIS Mais sobre o Seminário
Internacional Liberdades Laicas:
Cidade
do México aprova a descriminalização do aborto A Assembléia Legislativa do Distrito Federal da Cidade do México aprovou no dia 24 de abril de 2007 um projeto da esquerda que autoriza a interrupção da gestação nos três primeiros meses. Esse projeto também reduz a pena para mulheres que abortam após o prazo dos três primeiros meses. Até agora, o aborto só era permitido em caso de estupro, quando apresentava risco de morte para a mãe ou depois de apresentar sinais graves de deformidade no feto. Para saber
mais: http://www.ipas.org/english/press_room/2007/releases/04242007.asp (em Inglês)
Ipas
Brasil encaminha carta de apoio à ministro Na correspondência o Ipas, uma ONG internacional que atua no Brasil desde 1994 desenvolvendo programas para o setor de saúde, expressa ao ministro a posição do IPAS e é endossada por 29 profissionais que atuam diretamente na atenção à violência sexual e também nas complicações derivadas de aborto inseguro. A ONG espera que o apoio de entidades mantenha a posição do ministro de incentivar uma discussão pública sobre o tema ainda pouco debatido no Brasil, principalmente a respeito do alto índice de mortalidade de mulheres em virtude de abortos clandestinos. Estatísticas indicam que cerca de 1 milhão de mulheres morrem anualmente em decorrência do procedimento.
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SITE: ADOLEC SITE:
OBSERVATÓRIO DE SEXUALIDADE E POLÍTICA SITE: Secretaria
Especial dos Direitos Humanos - SEDH SITE: Red
de Salud de las Mujeres Latinoamericanas y del Caribe, RSMLAC
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Ciência
e Pesquisa
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| Debate
Global “Ela está morrendo de tanto sangrar” O português e universal Eça de Queiroz certamente não imaginou que uma de suas maiores obras literárias, “O crime do Padre Amaro”, seria materializada nas telas por Carlos Carrera para desvelar ao mundo um terrível drama que está a infelicitar a sociedade contemporânea há muitos anos. Milhares de mulheres, vítimas da exclusão e da dominação de uma ideologia patriarcal que não tem fronteiras, pobres em sua grande maioria, estão vivenciando, todos os anos, em todo o mundo, uma experiência dantesca. Abandonadas no lago de Tântalo, essas mulheres têm enfrentado uma terrível guerra, sem precedentes, contra a omissão da sociedade e, em especial, dos Estados, inclusive daqueles que se dizem sociais e democráticos, e que se proclamam garantidores dos direitos humanos. Milhares de mulheres estão morrendo todos os anos em razão da prática de abortamento inseguro. Aliás, essa causa de “morte materna” tem atingido de setenta a oitenta mil mulheres por ano em todo o mundo. No Brasil, em especial, o abortamento inseguro constitui a terceira ou mesmo a segunda causa de morte de gestantes. Entretanto, como observam Anibal Faundes e José Barcelatto, “as mortes de mulheres relacionadas ao aborto são apenas a ponta de um grande iceberg”, pois, centenas de milhares de mulheres, todos os anos, continuam suportando terríveis conseqüências físicas e psíquicas em razão do abortamento realizado em condições precárias e inseguras: infecções que se instalam nas paredes do útero ou que migram para as trompas, para os ovários ou para a cavidade abdominal; lesões traumáticas ou químicas dos genitais e outros órgãos pélvicos; reações tóxicas a produtos ingeridos ou introduzidos nos genitais; hemorragias, que acarretam anemia, choque e morte ou que exigem transfusões sanguíneas de emergência, que as expõem a altos riscos de peritonite e contaminação com HIV e outras infecções; septicemia e choque séptico; retirada das trompas, dos ovários e do útero; obstrução das trompas, que pode conduzi-las à esterilidade ou à gravidez tubária, outra causa dramática de morte materna; dores pélvicas crônicas; limitação da vida diária e das atividades sexuais; e depressão e complicações psicológicas (O drama do aborto - em busca de um consenso, ed. Komedi, p.81, 2004, Campinas). Em Portugal,
que também vivencia esse terrível problema
de saúde pública, decorrente diretamente da criminalização
do abortamento, iniciou-se, a partir do “25 de abril”, uma
forte mobilização popular pela descriminalização
da IVG (interrupção voluntária da gestação).
Mas foi apenas na década de 80 que o debate chegou às instituições
políticas. Em 1.982, frustrou-se a primeira tentativa de alterar
a legislação que mantinha o aborto como crime desde 1.852.
Dois anos depois, a primeira vitória: o aborto foi descriminalizado
em quatro hipóteses: perigo de vida para gestante; risco para
a sua saúde física e mental; malformação
fetal; e estupro. No entanto, ao não contemplar as causas sociais
e econômicas, bem como o aborto a pedido da mulher, esse parcial
avanço da legislação portuguesa acabou ignorando
as duas razões mais freqüentes para o recurso ao aborto.
Assim, não se deu solução adequada a esse imenso
problema e a incidência de abortos clandestinos continuou muito
elevada, enquanto milhares de mulheres continuaram morrendo ou suportando
as terríveis conseqüências do aborto clandestino, sob
a constante ameaça da espada de Dâmocles da acusação
e do julgamento criminal. Finalmente,
no dia 11 de fevereiro deste ano, foi realizado o segundo referendo
popular e, desta vez, respondendo àquela mesma pergunta,
as cidadãs e os cidadãos portugueses responderam SIM. É verdade
que, mais uma vez, o índice de abstenção nesse
referendo foi alto e não se atingiu o quorum exigido pela constituição
portuguesa (50% de eleitoras e eleitores inscritos) para que o resultado
seja juridicamente válido. Todavia, em razão de recentes
declarações feitas pelos políticos que formam
maioria no Congresso português, é possível acreditar
que Portugal, em breve, irá unir-se à maioria dos países
da Comunidade Européia, curvando-se ao resultado desse referendo
e aprovando em lei a descriminalização do aborto a pedido
da mulher, como já ocorre na Alemanha, na Lituânia, na
Escócia,
na Holanda, na Dinamarca, na Suécia, na Letônia, na Eslovênia,
na Áustria, na República Checa, na Eslováquia,
na Bulgária, na Romênia, na Grécia, na Hungria,
na Itália,
na Bélgica, na França e no Reino Unido. A tipificação do abortamento tem sido apenas um instrumento
ideológico de controle da sexualidade feminina, constitui
um mero instrumental simbólico da ideologia patriarcal, não
tem sido eficaz para a proteção da vida dos fetos e
está sendo
mantida com um enorme custo social, acarretando às mulheres
terríveis
seqüelas e morte.
Brasil
em Foco Da parte do Papa, nenhuma surpresa. Anunciada como uma visita pastoral, a vinda de Bento XVI ao Brasil é um nítido esforço político do Vaticano, no sentido de “reafirmar a fé dos católicos e os dogmas da Igreja” perante a maior nação e o maior continente católico do mundo, principalmente depois da recente descriminalização do aborto em Portugal e na Cidade do México (88% de católicos). Daí, já ser esperada sua posição radical contra o aborto, a eutanásia, o uso de preservativos e contraceptivos, o divórcio e o segundo casamento, num discurso apresentado como de “defesa da vida e da família”. Também como seria previsto, o tema mais repercutido pela imprensa foi a polêmica sobre a legalização do aborto, assunto que dominou amplamente as manchetes nesses dias. Os jornais O Globo (para cadastrados) e a Folha (somente para assinantes) investiram na discussão sobre um possível plebiscito. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, reclamou da agressividade dos bispos (“distante do que Jesus ensinou”) e recebeu o troco do bispo Dom Angélico Sândalo Bernardino (“gostaria que o ministro estivesse a favor da vida e não da morte”). Ainda na discussão moral, O Globo destacou a frase do secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa de que “ficar, que era próprio de garotas de programa, é hoje vivenciado pelas adolescentes”. Em análise publicada no Observatório da Imprensa (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=430CID001) sobre a participação do ministro no programa Roda Viva, da TV Cultura (http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/resultado.asp?programa=1056), a socióloga e professora no Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp, Maria Teresa Citeli, acredita que ele “foi corajoso diante de uma bancada difícil e não se intimidou com a retórica do jornalista Reinaldo Azevedo, da revista Veja, que recorreu aos mesmos argumentos do jurista Ives Gandra Martins na revista Época”. Para ela, na entrevista com Temporão, fez-se clara uma questão de gênero: jornalistas homens de um lado, jornalistas mulheres de outro, reproduzindo a mesma dinâmica dos papéis sociais destinados às diferenças sexuais.” Eles atuaram contra o ministro e, portanto, contra a legalização, de forma agressiva e arrogante”. Falando sobre Portugal e México, o Papa deu a senha para a posição da igreja na discussão sobre questões como o aborto. "A Igreja como tal não faz política, respeitamos a laicidade. Mas a Igreja indica as condições nas quais os problemas sociais podem ser amadurecidos", diz, segundo o UOL (só para assinantes). Mas em sociedades democráticas também não é papel do Estado fomentar doutrinas religiosas. Segundo o juiz de direito no RS, Roberto Arriada Lorea, mestre e doutorando em antropologia social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a laicidade do Estado impõe que a decisão seja acolhida pelo Ministério da Saúde, garantindo o pré-natal ou o acesso a um aborto legal e seguro, defende o juiz. Ainda segundo Lorea, o fato de vivermos em um Estado laico é que garante às brasileiras o acesso a informações sobre métodos contraceptivos e relações sexuais protegidas por preservativos. “Essas informações permitem que a mulher, livre e conscientemente, tome suas próprias decisões. Se uma mulher católica não quiser usar a pílula ou se proteger, não está obrigada a fazê-lo. O Estado laico respeita sua decisão, mas ela não perde sua liberdade para mudar de idéia quando quiser.“ POSIÇÃO DA IGREJA X POLÍTICAS PÚBLICAS O Vaticano não é só uma cúpula religiosa. É um estado soberano e, como tal, tem interesses e ideologias. Resta ver se sua estratégia de reafirmação radical de dogmas seculares reaproximará ou contribuirá para dispersar ainda mais um rebanho ressabiado com o conservadorismo da Igreja. Ao se manter inflexível nos temas morais, o Papa joga uma cartada arriscada. A juventude de hoje, como em todas as épocas, vive sem culpa as liberdades sociais conquistadas por gerações. Só o tempo dirá se a estratégia do Vaticano foi acertada ou se a Igreja terá de rever seu estatuto moral em descompasso. É mais provável, porém, que o tom da visita papal esteja nas palavras de dom Cláudio Hummes. No New York Times, d. Cláudio afirma ter avisado ao papa do risco da igreja “perder” a América Latina. "Seria irreparável", diz.
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