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ISSN 2176-4107

Editorial

No mês em que comemoramos o Dia Internacional pela Saúde da Mulher – 28 de maio -, Ipas Brasil lança o dossiê “A realidade do aborto inseguro: O impacto da ilegalidade do abortamento na saúde das mulheres e nos serviços de saúde do Estado do Rio de Janeiro”, trazendo dados sobre a situação do aborto inseguro no estado do Rio de Janeiro. O documento foi divulgado no dia 3 de maio, durante audiência pública na Assembléia Legislativa do estado do Rio de Janeiro que contou com a participação de jornalistas, deputados, representantes do movimento feminista e médicos.

Resultados do estudo mostram que de 1999 a 2007, mais de 800 mil abortos foram induzidos no Estado do Rio de Janeiro, sendo que três em cada quatro deles foram realizados em mulheres de 15 a 29 anos. Os dados mostram, também, que em 2008, o Estado somou 15.868 internações motivadas por aborto inseguro.

No dia 18 de maio, por ocasião do Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, Ipas Brasil receberá uma homenagem da Câmara de Vereadores do Município de Amapá pelo apoio na organização, na criação e no fortalecimento da Rede Abraça-me de Atenção a Crianças e Adolescentes Vìtimas de Violência Sexual.

Também divulgamos a realização do Seminário sobre Anencefalia, promovido pelo Grupo de Estudos sobre Aborto (GEA), em parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no dia 27 de maio, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília. Serão discutidos aspectos científicos, médicos e jurídicos sobre a questão, a fim de trazer elementos para o caso em exame no Supremo Tribunal Federal através da ADPF (Arguição de descumprimento de preceito fundamental) nº 54.

Esperamos que as datas comemoradas no mês de maio venham a sensibilizar nossa sociedade sobre realidade do aborto inseguro e as conseqüências da ilegalidade para a saúde das adolescentes, jovens e mulheres brasileiras.


Muito obrigada
Leila Adesse
IPAS BRASIL

Nesta Edição

Artigos On-Line


IPAS GLOBAL

"Nuevo estudio ofrece la primera evaluación nacional del aborto en Etiopía"
Ipas y Instituto Guttmacher - abril 2010

BRASIL EM FOCO
Dossiê “A realidade do aborto inseguro: O impacto da ilegalidade do abortamento na saúde das mulheres e nos serviços de saúde do Estado do Rio de Janeiro”
Beatriz Galli, Paula Viana e Tizuko Shiraiwa - maio 2010

DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS
"Argentina: Los (abortos) no punibles no se hacen"
Sandra Chaher em 21.4.2010 no site da Artemisa

SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA
"Temas Estratégicos para Conselheiros de Saúde: SAÚDE DA MULHER - Um diálogo aberto e
participativo"
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Departamento de Apoio à Gestão Participativa e ao Controle Social.
Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2010.

REFLEXÕES
"De pecados e crimes"
Roseli Fischmann – Artigo Publicado na Folha de São Paulo em 29/3/2010

DESTAQUES | MOBILIZAÇÃO
» CPI do Aborto e Estatuto do Nascituro: Dois graves perigos para a saúde da mulher brasileira
» Caso de morte por aborto legal no Rio Grande do Norte

Informações e Eventos

Ipas Notícias e clippings
» Caso de Alagoinha em vídeo, um ano depois: novo caso
» Câmara de Vereadores do Amapá homenagerá Ipas Brasil
» Anencefalia: interrupção de gravidez é tema de seminário
» Comentário: O aborto dura para sempre
» Clipping: EL DEBATE SOBRE LOS DERECHOS SEXUALES Y REPRODUCTIVOS EN
AMERICA LATINA (Matéria com alguns resultados do Congresso Latinoamericano de Direitos Sexuais e Reprodutivos realizado na Guatemala) - Página 12, Argentina


Links Recomendados:

Aborto con medicamentos ahora existe en español! (Ipas)

Este sito comprehensivo ofrece recursos sobre el aborto con medicamentos producidos por Ipas y nuestros socios, y también comparte nuestro trabajo en los áreas de la capacitación y mejoramiento de servicios, la investigación, la participación y movilización comunitaria, las políticas y promoción y defensa (advocacy), y la creación de redes que apoyen el acceso a los servicios del AM

Radis, a revista da Fiocruz, de abril aborda a violência contra a mulher
A violência doméstica e a implantação da lei Maria da Penha são temas de reportagem de capa da revista Radis do mês de abril. Criada para coibir e prevenir violência contra a mulher, a lei é considerada um marco na defesa dos direitos humanos, segundo especialistas. Mas também é alvo de críticas por parte de juristas que consideram o texto inconstitucional, por proteger somente as mulheres em casos de violência doméstica e familiar. Em PDF:
http://www4.ensp.fiocruz.br/radis/92/pdf/radis_92.pdf

Ciência e Pesquisa

Informações e Eventos

MAIO

Congresso Internacional "Violência nas Relações de Intimidade: (O)Usar Caminhos em Saúde"
Em Coimbra (Portugal), nos dias 17, 18 e 19 de Maio de 2010.
Realização: Escola Superior de Enfermagem de Coimbra
Mais informações:
http://www.esenfc.pt/event/event/home/index.php?target=home&event=53&defLang=1

XXVI Congresso Nordestino e 36º Congresso Pernambucano de Ginecologia e Obstetrícia
Data: 20 a 23 de maio 2010
Local: Summerville Beach Resort – Porto de Galinhas – PE
Realização: http://www.sogope.com.br

Seminário sobre anencefalia
27 de maio, das 9h00 às 18h00, na sede da OAB (SAS Q. 5 – Lote 1 – Bl. M – Brasília, DF).
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no local do evento, a partir das 8h00 ou através do e-mail gea@medicinafetal.com.br
Mais informações: http://www.ipas.org.br/noticias2010.html#seminarioGEA
CLIQUE PARA VER EM MAIOR RESOLUÇÃO

VI COLÓQUIO NACIONAL REPRESENTAÇÕES DE GÊNERO E DE SEXUALIDADES/ II SIMPÓSIO NACIONAL DE PSICOLOGIA E CRÍTICA DA CULTURA: Identidades, sujeitos e representações na cultura contemporânea
Data: 31 de maio a 02 de junho de 2010
Local: Centro de Educação da UEPB (auditórios do CEDUC e do DLA)
http://mli.ceduc.uepb.edu.br/eventos/evento_padua.htm

Premiação envolve jovens com igualdade de gênero
Inscrições abertas até 28 de maio. A edição 2010 traz o tema "Igualdade e Equidade de Gênero".
Mais informações:
http://www.redejovem.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=15081&sid=30

Audiência Pública: "28 de maio: Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna"
Dia 28 de maio - 10 horas
Plenário Barbosa Lima Sobrinho - Palácio Tiradentes - Alerj
Rua Primeiro de Março, s/nº Centro - Rio de Janeiro

Ato dia 28 de maio em defesa das mulheres! Contra a CPI do Aborto, não a punição das mulheres que decidiram pelo aborto e pela sua legalização
Ação do 28 de Maio em SP
Dia: 28 de maio (Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher)
Local: Pça João Mendes
Hora: 14h
Frente Nacional Contra a Criminalização de Mulheres e pela Legalização o Aborto - SP

www.frentelegalizacaoaborto.wordpress.com
frentelegalizacaoabortosp@gmail.com

JUNHO

Global Health Conference 2010
14 a 18 de junho em Washington, DC, Estados Unidos
Mais informações no site:
http://www.globalhealth.org


JULHO

VIII Conferência da Rede Global de Centros Colaboradores da Organização Mundial da Saúde (OMS) para Enfermagem e Obstetrícia
Data: 28 a 30 de julho de 2010 em SP
http://www.primarycareconference.com

Ipas Notícias

Caso de Alagoinha em vídeo, um ano depois: novo caso
Maio 2010

Caso Alagoinha
Em fevereiro de 2009, a história da menina de 9 anos, que engravidou de gêmeos ao ser estuprada pelo padrasto, teve repercussão internacional. A gravidez só foi descoberta porque a mãe dela a levou para o médico de tanto se queixar de dores abdominais e náuseas. Resultado: ela estava grávida de quatro meses. No Recife, a garota ficou internada no Imip, mas foi transferida para o Centro Integrado Amaury de Medeiros (Cisam) em decorrência da demora para realizar o aborto. O caso gerou uma grande polêmica pela tentativa do então arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso, de evitar a interrupção da gravidez. Ele condenou à excomunhão os médicos que realizaram o aborto e a mãe da garota. O padrasto, que também abusava da irmã da garota de 14 anos, está preso e aguarda julgamento. Um ano depois do ocorrido, a história virou documentário com fins educativos.

Veja o trailer do vídeo: “Direito e Saúde: o caso de Alagoinha” (abaixo) e saiba como adquirir o vídeo através do formulário no link:http://www.ipas.org.br/formulario_livros.html

 

Caso Jaboatão
Há um mês foi descoberta a gravidez de uma garota de 10 anos de idade, também vítima de violência sexual do padrasto, em Jaboatão. Os abusos foram cometidos durante dois anos. Por medo das ameaças do padrasto, a menina nunca o denunciou. Os abusos só foram descobertos depois que a criança foi submetida a uma ultrassonografia para verificar as razões das dores abdominais que ela sentia. Descoberta a gravidez, ela resolveu contar que era abusada sexualmente. O padrasto, que permanece preso aguardando julgamento, se aproveitava dos momentos de ausência da mãe dela, que trabalha como diarista, para cometer o crime. Apesar de a Igreja Católica se posicionar contra o aborto em qualquer situação, o procedimento foi realizado, sem interferência da instituição religiosa, no Centro Integrado Amaury de Medeiros (Cisam).

Dados de Recife
Maturidade e responsabilidade para criar e educar uma criança não são coisas que se conquista de uma hora para outra. De acordo com a pesquisa da médica legista do Instituto de Medicina Legal (IML) do Recife, Carmelita Maia, no período de julho de 2005 a julho de 2007, com base no Sistema Nacional de Nascidos Vivos, foram registrados 99 casos de meninas com menos de 14 anos que deram à luz em maternidades públicas do Recife. Esse número representa 1% do total de partos do período. Em entrevista, 26% das meninas declararam ter sofrido violência sexual ao longo da infância e 82 % delas tinham 13 anos na época do parto.

Um levantamento do Ministério da Saúde (MS) aponta que, entre 2003 e 2009, em todo o País, 2.892 gestações advindas de violência sexual, em vítimas menores de 18 anos, foram registradas nas 60 unidades de referência em aborto legal do Brasil.

• Em Pernambuco, de 2003 a 2007, aproximadamente 85% das internações obstétricas foram para assistência ao parto. O abortamento contribui com 9,7% dessas internações.
• Por ano, no Recife, nascem cerca de 50 bebês provenientes de violência sexual em meninas menores de 14 anos. Em todo o Estado esse número é quatro vezes maior.
• Quase 1/3 das meninas, até 13 anos, que deram à luz nas maternidades públicas do Recife, entre 2005 e 2007, eram vítimas de abuso sexual.

Fonte: Matéria da Folha de Pernambuco, de Marcela Alves, em 2 de maio de 2010 - Links relacionados da Matéria:
Quando abortar pode ser “legal”
Meninas amadurecidas precocemente
Aborto foi legalizado em 1950
Crime deve ser denunciado à polícia
Conselho Tutelar: atua desde 1995
Duas histórias, um mesmo trauma
As dores de duas mães...
...marcadas para sempre


Câmara de Vereadores do Amapá homenagerá Ipas Brasil
Maio 2010

18 de maio é lembrado em todo o Brasil como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. No decorrer do mês de maio, a Câmara de Vereadores do Município de Amapá estará realizando uma série de atividades educativas e culturais com relação ao tema do 18 de maio. Na programação está uma homenagem às instituições da Rede Abraça-me de Atenção a Crianças e Adolescentes Vìtimas de Violência Sexual; entre elas, está Ipas Brasil.

A Rede Abraça-me consiste em uma série de serviços de atenção às mulheres e adolescentes vítimas de violência. A elaboração de um fluxograma de atendimento fez parte das atividades de Ipas Brasil para essa região; além de apoiar na organização, na criação, e no fortalecimento dessa rede de serviços.

A homenagem será feita através de Silvia Maués, do Grupo de Atividades e Monitoramento de Agravos por Fatores Externos-GAMAFE, da Coordenadoria de Vigilância em Saúde – CVS e Secretaria de Estado da Saúde. Adriana Mota, coordenadora das atividades e programas de violência sexual do Ipas Brasil, receberá pessoalmente a homenagem nessa ocasião em Macapá.

Para conhecer mais sobre os programas de violência sexual de Ipas Brasil acesse:
http://www.ipas.org.br/areaVS.html


Comentário: O aborto dura para sempre
Maio 2010

A jornalista Cristiane Segatto, da Revista Época, escreveu uma bela resenha sobre o livro Segredos de Mulher: Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista (Editora Atheneu) no mês de abril. De autoria de Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, a obra possui um capítulo sobre o aborto, no qual Rubens , que é psicanalista, observa que “nenhuma mulher sai incólume da experiência do aborto, por mais pertinentes que sejam os motivos para justificá-lo. Um aborto dura para sempre. É uma experiência que deixa marcas emocionais profundas.” Em seu texto, Cristiane pergunta: Se, do ponto de vista emocional, o aborto dura para sempre, o que as mulheres podem fazer para superar essa experiência? Rubens diz que a possibilidade de superar vivências difíceis (relacionadas ou não à feminilidade) depende essencialmente dos recursos que a mulher - e também o homem - desenvolveu ao longo da vida para lidar com frustrações, perdas, conflitos e até mesmo situações de satisfação e prazer.

O ginecologista Alexandre Faisal Cury observa que esse registro emocional não é uniforme, único ou invariável. O aborto é vivido e relembrado, no futuro, segundo as condições e características de cada mulher. Muitos anos depois do aborto algumas mulheres vão encará-lo como algo triste, mas necessário. Para outras, ele pode se transformar num drama sem fim.

Alexandre cita dois fatores que têm grande importância na forma como a experiência do aborto ficará registrada. Esses fatores dependem menos da mulher e mais do contexto social. Se ela teve apoio do parceiro, talvez consiga lidar melhor com a experiência do aborto. O outro aspecto é o caráter de ilegalidade.

A mulher que aborta no Brasil se torna, da noite para o dia, uma criminosa. "Nos países em que o abortamento é permitido por lei, a mulher encontra adequada assistência médica, psicológica e hospitalar e as coisas tendem a ser mais fáceis", diz Alexandre. "Numa crise de vida como essa, o que menos a mulher precisa é de alguém culpando-a ou desamparando-a", conclui.

Na publicação Mitos e Verdades sobre o Aborto, feita por Ipas Brasil, destacamos que o aborto não causa depressão e/ou síndrome pós-traumática.

Não existe nenhuma evidência científica que demonstre que as mulheres que fizeram aborto tenham tido síndrome pós traumática. Por causa desta falta de evidência científica, a Associação Psiquiátrica Americana NÃO reconhece a síndrome pós-aborto como um diagnóstico. [i]

As experiências com aborto vivenciadas pelas mulheres são muito diversas e variam através de uma gama de contextos sócio-econômicos, religiosos e culturais. Estudos científicos idôneos concluem que a violência sexual está associada à gravidez indesejada e ao aborto[ii], e consideram que as eventuais desordens psiquiátricas que as mulheres podem sofrer depois de um aborto são semelhantes àquelas ocorridas no pós-parto[iii]. A gravidez indesejada, muitas vezes fruto de violência e/ou coerção, é uma experiência dolorosa.

Relatos[iv] apontam que quando a gravidez é fruto de violência, as mulheres se sentem humilhadas, desmoralizadas e desprotegidas. Um dos achados mais consistentes e importantes dentre os estudos bem conduzidos nesse campo é o de que o estado de saúde mental da mulher antes do aborto é que vai determinar o seu estado de saúde mental depois deste.

Para ler toda a matéria da Revista Época acesse:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI135321-15230,00.html

FONTES DA PUBLICAÇÃO MITOS E VERDADES SOBRE O ABORTO (Coordenação: Beatriz Galli e Leila Adesse, 2009 – Ipas Brasil) :
[i] American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders (4th ed., text revision) (DSM-IV-TR). Arlington, VA, 2002.
[ii] Coker, A. L. (2007). Does physical intimate partner violence affect sexual health? A systematic review. Trauma, Violence & Abuse, 8(2), 149–177 ; Garcia-Moreno, C., Jansen, H., Ellsberg, J., Heise, & Watts, C. (2005). WHO multi-country study on women’s health and domestic violence against women. Initial results on prevalence, health outcomes and women’s responses. Geneva: World Health Organization ; Goodwin, M. M., Gazmararian, J. A., Johnson, C. H., Gilbert, B. C., & Saltzman, L. E. The PRAMS Working Group (2000). Pregnancy intendedness and physical abuse around the time of pregnancy: findings from the pregnancy risk assessment monitoring system, 1996–1997. Maternal and Child Health Journal, 4(2), 85–92; Adams, R. E. & Bukowski, W. M. (2007). Relationships with mothers and peers moderate the association between childhood sexual abuse and anxiety disorders. Child Abuse & Neglect, 31, 645–656; American Psychiatric Association [APA], (2000). Diagnostic and statistical manual of mental disorders – Text revision, (4th ed.). Washington, DC: American Psychiatric Association.
[iii] Gilchrist AC, Hannaford PC, Frank P, Kay CR. Termination of pregnancy and psychiatric morbidity. Br J Psychiatr 1995;167:243–8.
[iv] Ipas Brasil. Histórias de mulheres em situação de violência e aborto previsto em Lei, 2008

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Aborto con medicamentos ahora existe en español! (Ipas)
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BLOG - Aborto em Debate
Espaço informal com informações sobre dados de saúde pública e as leis que penalizam as mulheres no Brasil e em outros países.


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Ciência e Pesquisa

Buscando autonomia e poder: o processo decisório da adolescente pela gravidez - contribuição para o cuidar em enfermagem / Searching autonomy and power: the power to decide process of the pregnancy for the adolescent - contribution to take care of it in nursing.

Autor: Adão, Celeste Ferreira.
Fonte: Rio de Janeiro; s.n; 2005. [111] p. bilus.
Idioma: Português
Tese: Apresentada a Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Faculdade de Enfermagem para obtenção do grau de Mestre.
Resumo: Pesquisa descritiva com abordagem qualitativa, cujo objeto foi o processo decisório da adolescente pela gravidez. Teve como objetivos descrever o significado para a adolescente grávida da sua decisão pela gravidez e discutir o impacto dessa decisão sobre a sua vida, à luz dos direitos reprodutivos e da bioética. A pesquisa foi realizada com oito adolescentes dos doze aos dezesseis anos, atendidas no ambulatório de pré-natal de uma instituição pública federal na cidade do Rio de Janeiro. A metodologia utilizada para a coleta e análise de dados foi a Grounded Theory. Foram evidenciadas duas categorias que descreveram os significados para as adolescentes dessa sua decisão: 1) Descobrindo-se grávida, cujas subcategorias expressaram o desejo de engravidar, o planejamento da gravidez e a surpresa com a confirmação da gravidez; 2) Optando pela gravidez, cujas subcategorias expressaram a rejeição ao aborto, a descoberta do poder e a experiência de autonomia advindos com a gravidez. Da integração destas categorias emergiu a categoria central representativa do processo social básico: Buscando Autonomia e Poder. Respeitar esta decisão, reconhecendo-a como um direito das adolescentes, representa o ponto de partida para um cuidado de enfermagem sensível, pautado nos princípios da bioética e da humanização. Isto implica a necessidade de profissionais treinados e cientes do que representam os direitos reprodutivos, entendendo que as adolescentes têm o direito de exercer sua sexualidade com segurança e liberdade de escolha e tendo direito à informação sobre meios, possibilidades, estratégias, riscos e vantagens para que possa decidir sobre a sua prole.(AU)

BR1366.1 - Serviço de Bibliotecas Biomédicas B - Odontologia e EnfermagemBR1366.1; TE92
LILACS:
Id: 443871

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Global
"Nuevo estudio ofrece la primera evaluación nacional del aborto en Etiopía"
Considerables avances logrados desde la liberalización de la ley, pero el aborto inseguro aún es común

Ipas y Instituto Guttmacher - abril 2010

Cuatro años después de la liberalización de la ley de aborto, sólo una cuarta parte de todos los abortos en Etiopía ocurren en entornos seguros y legales. Según recientes investigaciones, los esfuerzos por brindar atención segura del aborto han tenido más éxito en zonas urbanas; los servicios continúan siendo particularmente limitados en zonas rurales, donde vive la mayoría de las mujeres etíopes.

Estos hallazgos provienen de un estudio publicado hoy por Ipas y el Instituto Guttmacher. El estudio se llevó a cabo en colaboración con la Sociedad Etíope de Ginecólogos y Obstetras y la Asociación Etíope de Salud Pública, conjuntamente con los Departamentos de Salud Regional de Etiopía. El Ministerio Federal de Salud aprobó el estudio y asesoró al equipo de investigación.

Sólo el 14% de las mujeres etíopes en edad reproductiva utilizan métodos anticonceptivos. El bajo nivel de uso de anticonceptivos conlleva a altos niveles de embarazo no intencional, la causa fundamental de aborto: un 42% de todos los embarazos no son intencionales. El estudio también encontró que la mayoría (el 81%) de las mujeres que buscan tratamiento por complicaciones de aborto inseguro, eran casadas. Por contraste, sólo el 46% de las mujeres que buscan servicios de aborto inducido eran casadas. La gran mayoría de ambos grupos --el 92% de las mujeres que buscaban atención postaborto y el 79% de las mujeres que tuvieron abortos— eran madres. La edad promedio entre ambos grupos fue de 28 años.

Hasta que se amplió el acceso a los servicios de aborto en Etiopía en el año 2005, la interrupción del embarazo era permitida sólo para salvar la vida de la mujer o para proteger su salud física. En la actualidad, el aborto es legal en Etiopía en casos de violación, incesto o discapacidad fetal. Además, una mujer puede recurrir a una interrupción legal del embarazo si su vida o la vida de su bebé corren peligro o si continuar el embarazo o dar a luz pondrían su vida en peligro. La mujer también puede interrumpir el embarazo si no puede criar al bebé, debido a que es menor de edad o a una enfermedad física o mental.

El estudio calcula que, en el año 2008, se realizaron 382,500 abortos en Etiopía, lo cual equivale a una tasa anual de 23 por cada 1,000 mujeres de 15 a 44 años de edad. A pesar del ampliado acceso legal a los servicios de aborto, sólo el 27% de estos —103,000— fueron procedimientos legales y seguros efectuados en establecimientos de salud.

El estudio encontró también que, en 2008, 58,600 mujeres recibieron tratamiento para complicaciones relacionadas con el aborto, causadas principalmente por procedimientos inseguros. Entre éstas, 100 mujeres murieron de las complicaciones y muchas más sufrieron lesiones o enfermedades relacionadas. Cuatro de cada diez mujeres presentaban signos de infección o lesiones invasivas cuando llegaron a los establecimientos de salud para recibir atención postaborto. Muchas de las mujeres con complicaciones nunca llegan a los establecimientos de salud porque viven demasiado lejos de los servicios, evitan buscar ayuda por temor y estigma, o mueren antes de llegar al establecimiento de salud.

“Se pueden mencionar varios factores que explican por qué el acceso a los servicios de aborto seguro aún no es una realidad en muchas partes del país”, dijo Hailemichael Gebreselassie de Ipas, coautor del estudio. “Entre estos factores figura el hecho de que muchas mujeres y profesionales de la salud desconocen los criterios ampliados bajo los cuales el aborto es permitido por la ley y que muy pocos establecimientos de salud fuera de las zonas urbanas están equipados para ofrecer los servicios.”

Los autores recomiendan que el gobierno etíope aumente la disponibilidad de los servicios de aborto seguro y atención postaborto en hospitales gubernamentales y centros de salud, que eduque a profesionales de salud y mujeres en cuanto a la nueva ley y que proporcione recursos adicionales para mejorar el acceso a los servicios de aborto seguro. Además, señalan que la introducción de servicios de aborto con medicamentos podría ampliar considerablemente el acceso a la atención del aborto de manera costo-eficiente.

Asimismo, los autores hacen un llamado a ampliar el acceso a los métodos anticonceptivos modernos y a la consejería anticonceptiva como una manera eficaz de disminuir las tasas de embarazo no intencional y aborto inseguro.

Los datos mundiales muestran que la ampliación del acceso a los servicios de aborto legal disminuyen las tasas de muerte y enfermedad a causa del aborto inseguro. Por ejemplo, en Sudáfrica la tasa de mortalidad materna relacionada con el aborto disminuyó en más del 50% después que se amplió el acceso en 1997. Muchas partes interesadas en toda la región consideran a Etiopía como un modelo para combatir la crisis de mortalidad materna. El estudio actual servirá de línea de base para evaluar los avances del país en la reducción de las muertes maternas según el gobierno continúe ampliando los servicios.

Los resultados completos del estudio se publicarán en dos artículos, en el número de marzo de la revista International Perspectives on Sexual and Reproductive Health:

- Singh S, Fetters T, Gebreselassie H, Abdella A, Gebrehiwot Y, Kumbi S y Audam S, The estimated incidence of induced abortion in Ethiopia, International Perspectives on Sexual and Reproductive Health, 2010, 36(1):16–25.

- Gebreselassie H, Fetters T, Singh S, Abdella A, Gebrehiwot Y, Tesfaye S, Takele G y Kumbi S, Caring for women with abortion complications in Ethiopia: national estimates and future implications, International Perspectives on Sexual and Reproductive Health, 2010, 36(1):6–15.

Para ver la ficha informativa corta donde se resumen los hallazgos, haga clic en http://www.guttmacher.org/pubs/FB-UP-Ethiopia.pdf

Documentário sobre Etiopía: "Not yet Rain": http://www.notyetrain.org/

Brasil em Foco
Dossiê “A realidade do aborto inseguro: O impacto da ilegalidade do abortamento na saúde das mulheres e nos serviços de saúde do Estado do Rio de Janeiro”
Beatriz Galli, Paula Viana e Tizuko Shiraiwa - maio 2010

Resumo dos resultados:

• Mortalidade Materna e Aborto: O aborto realizado em condições inseguras figura entre as principais causas de morte materna. É um grave problema de saúde pública, marcada pela desigualdade social, discriminação e violência institucional contra as mulheres nos serviços de saúde.
• Aborto e desigualdade: São as mulheres pobres que abortam em condições de total insegurança, condições estas que geram conseqüências graves para sua saúde, podendo chegar à morte.
• Aborto e violência: Pode traduzir-se no retardo do atendimento, na falta de interesse das equipes em escutar e orientar as mulheres ou mesmo na discriminação explícita com palavras e atitudes condenatórias e preconceituosas.
• Aborto e discriminação: Pela representação simbólica da maternidade, como essência da condição idealizada do ser mulher e da realização feminina, o aborto pode sugerir uma recusa da maternidade e por isso pode ser recebido com muitas restrições por parte dos profissionais de saúde.
• Conseqüências da ilegalidade do aborto para mulheres com recursos financeiros: a) Atendimento em locais onde os ambientes são preparados e equipados adequadamente e onde profissionais treinados oferecem os serviços de interrupção da gravidez dentro das recomendações internacionalmente aceitas pelas sociedades médicas; b) Clima de insegurança, com risco de denúncia à autoridade policial, sofrendo processos e penalidades.
• Conseqüências da ilegalidade do aborto para mulheres sem recursos financeiros - Atendimento em condições de total insegurança: a) Ambientes com falta de higiene; b) Uso de procedimentos lesivos ao organismo da mulher; c) Risco de infecções graves.
• Conseqüências da ilegalidade do aborto para mulheres sem recursos financeiros: a) Risco de “bala perdida” nas incursões policias as chamadas “bocas de fumo”, onde as mulheres vão buscar a droga abortiva (Citotec ®); b) Ser abordada na saída da boca de fumo por policial e ser confundida com “usuária de drogas”; c) Aquisição de medicamento de origem duvidosa, podendo inclusive adquirir medicamentos falsos; d) Uso do medicamento em dosagem ou via de administração inadequada pela ausência de orientação por profissional de saúde treinado.
• Conseqüências da ilegalidade do aborto: a) Uso do Citotec em períodos posteriores a 22ª semana de gestação levando ao nascimento de prematuros extremos, que vão para as UTIs neonatais; b) Procura tardia de serviços de saúde em casos de complicações como hemorragia, ou não expulsão do concepto, ruptura uterina e infecção, aumentando assim os riscos de graves seqüelas ou mesmo de morrer; c) Ser maltratada e negligenciada nos serviços de saúde, pelo preconceito dos profissionais de saúde; d) Complicações graves resultante da manipulação por instrumentos lesivos ao corpo da mulher; e) Não atendimento imediato (ou não reconhecimento da gravidade) do quadro clínico; f) Ausência de recursos necessários para uma intervenção dentro dos protocolos conhecidos e que podem salvar a vida em situações de gravidade; g) Internação prolongada em UTI onde muitas vezes o acompanhamento inadequado prolonga o sofrimento da mulher e de seus familiares; h) Retirada do útero, encerrando assim qualquer possibilidade reprodutiva futura; i) Morte.

Ações em saúde recomendadas para o estado do Rio de Janeiro:

• Prevenção do aborto inseguro: Mobilização dos gestores, das mulheres, da sociedade civil, das sociedades médicas e entidades representativas dos profissionais de saúde, dos parlamentares e autoridades no sentido de buscar caminhos para a legalização do aborto, garantindo assim o atendimento para todas as mulheres com gestações indesejadas.
• Ampliação da oferta das ações de contracepção nas unidades de saúde: a) Acolhimento das mulheres em amenorréia nas unidades básicas de saúde, com oferta de teste de gravidez , ouvindo, respeitando e orientando as mulheres com gestações indesejadas; b) Divulgar informações sobre as unidades de saúde que oferecem ações de contracepção; c) Aumentar o número de unidades de saúde com oferta dos métodos reversíveis; d) Garantia de agendamento de consulta na rede básica, no pós parto, para o acolhimento mãe e bebe companheiro e família, incluindo ações de contracepção.
• No âmbito hospitalar: a) Ampliar o número de unidades que oferecem assistência humanizada a mulher em abortamento, segundo as normas do Ministério da Saúde; b) Treinamento das equipes para a implantação de protocolo de atendimento as urgências e emergências nos casos de abortamento, inclusive nas UPAs (SAMUs); c) Ampliar o número de unidades que fazem atendimento a mulheres vítimas de violência sexual conforme a norma técnica do Ministério da Saúde.

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Direitos Sexuais e Reprodutivos
"Argentina: Los (abortos) no punibles no se hacen"
Sandra Chaher em 21.4.2010 no site da Artemisa

En los últimos meses se movieron algunas fichas interesantes en la pulseada por el estatus jurídico del aborto. Los tres poderes del Estado parecen haber entrado en una etapa nueva en la que los abortos no punibles comienzan a concretarse y en el Parlamento nacional se podría iniciar una discusión por la reforma de fondo. La abogada feminista Paola Bergallo, sin embargo, se muestra cauta. 'Yo quiero ser optimista, pero lo cierto es que la situación de Argentina hoy es de restricción total como en Nicaragua'.

Desde comienzos de marzo, distintos hechos políticos vinculados al estatus jurídico del aborto parecen mostrar que estamos frente a una nueva etapa en la que es posible pensar en una mayor accesibilidad al servicio en las condiciones actualmente permitidas por la legislación y quizá en un proceso de reforma legislativa a mediano plazo que permita que más mujeres interrumpan su embarazo en condiciones seguras y esto impacte en el descenso del índice de mortalidad materna.

El aborto está actualmente despenalizado en Argentina, según el artículo 86 del Código Penal, cuando esté en peligro la vida o la salud de la mujer; y si el embarazo 'proviene de una violación o de un atentado al pudor cometido sobre una mujer idiota o demente' (uno de los temas de discusión actuales es cómo se interpreta esta última causal).

Sin embargo, estos abortos, llamados no punibles, no se llevan a cabo. Cuando una mujer va a un hospital a que se le interrumpa un embarazo -amparado en esta norma-, la institución médica suele negarlo con distintos pretextos. Y hasta hace muy poco, estas mujeres no reclamaban su derecho ante la justicia.

De unos años a esta parte, se comenzó a armar una red que atraviesa el país desde diversos orígenes y en múltiples sentidos, en gran parte sostenida en las organizaciones del movimiento de mujeres, y que confluyen en la incidencia sobre el sistema judicial, legislativo y ejecutivo para que comiencen a realizarse en los hospitales los abortos no punibles, es decir para que las mujeres argentinas accedamos a un derecho que la ley nos garantiza desde 1922.

Dos fallos judiciales de las últimas semanas –el Superior Tribunal de Justicia de Chubut y un juzgado de primera instancia de Bariloche- no sólo garantizaron la realización de abortos no punibles sino que hicieron una interpretación del artículo 86 del Código Penal que permite que cualquier mujer víctima de violación acceda a este servicio del Estado. A la vez, el Ministerio de Salud de la Nación, que desde la gestión de Graciela Ocaña –en diciembre del 2007- había planteado una política de clausura frente a cualquier debate vinculado al aborto, anunció a comienzos de año que imprimirá la Guía Técnica para la Atención Integral de los Abortos No Punibles, realizada durante la gestión de Ginés González García y cajoneada cuando el ministro debió dejar el cargo. También desde el ámbito gubernamental, el Consejo Nacional de la Mujer y el INADI (Instituto Nacional contra la Discriminación) se expidieron a favor de la interrupción del embarazo en uno de los casos de Chubut (el INADI ya había hecho una recomendación sobre abortos no punibles en el año 2007). En el ámbito legislativo, a comienzos de marzo fueron presentados en el Congreso nacional dos proyectos de ley que proponen la legalización del aborto en las primeras etapas. Y a fines de marzo, el Comité de Derechos Humanos de las Naciones Unidas expresó al gobierno argentino su preocupación por la restrictiva legislación sobre aborto y por la 'inconsistente' interpretación judicial de las causas de no punibilidad.

Paola Bergallo es una abogada feminista joven (ver 'No se puede ser solo feminista') que viene colaborando en este proceso de apertura del estatus jurídico del aborto. Si bien se muestra optimista frente al momento actual, llama a la moderación recordando que lo que está sucediendo hoy en los tribunales es apenas el reconocimiento de un derecho que las argentinas tenemos desde hace décadas y que, en la práctica, la situación del país era, hasta ahora, tan restrictiva como la de Nicaragua o Chile.

- En una nota reciente de opinión que publicó el diario Clarín hablás de dos tipos de agenda en el debate actual del aborto: una de reforma y otra de accesibilidad. ¿Podrías explicarlas?

Durante mucho tiempo yo tuve dudas sobre si las dos agendas eran compatibles, pero después entendí que era un tema de foros. En un momento la Campaña (Campaña por el Derecho al Aborto Legal, Seguro y Gratuito) presentó su proyecto de legalización de 12 semanas pero algunos actores involucrados en ese proceso también fogonearon el proyecto de reforma del artículo 86 del Código Penal, y para mí eso era incompatible. Yo no estaba a favor de que se regulara el 86 en el Congreso porque el Código está bien como está y lo que había que generar eran normas administrativas o legislativas locales de implementación. Si vos en el Congreso llevás esta agenda de accesibilidad, clausurás la posibilidad del modelo de reforma. Tenés que ir con las dos estrategias pero en distintos foros. Ahora yo tengo claro que ese proyecto de reforma del artículo 86, que perdió vigencia y ahora fue representado por (Agustín) Rossi, atrasa en el Congreso; en el legislativo nacional hay que modernizarse e ir por la reforma. Y si no podemos dar esta discusión de modernización, y seguimos con el aborto como está hoy, que todos los poderes ejecutivos de salud y las legislaturas provinciales regulen lo que está hoy, pero no el Parlamento nacional. Son dos agendas que funcionan sinérgicamente si las das en distintos foros. Sino, te hacen creer que avanzaste a nivel nacional cuando en verdad estás volviendo a 1922. Estamos en una situación igual a la de Nicaragua sólo que no te la ganaron en una legislatura, pero te la ganan todos los días cuando no se hace un aborto.

- ¿Cómo se puede explicar la situación que se está dando en Argentina?

Lo más increíble del momento actual es que por la falta de conocimiento técnico jurídico este escenario no se dio antes, porque no lo pensamos bien y no miramos a España o Italia hace 30 años. El panorama en los países centrales cambió y la posición de la Iglesia perdió hace 30 años. En Estados Unidos y Europa las mujeres acceden al aborto desde comienzos de los ’70 con legislaciones parecidas a la nuestra pero que se cumplen. Pero el activismo feminista jurídico de Argentina nunca detectó esto y a la vez siempre que hubo demanda se iba por la despenalización total. Cuando mirás el derecho tenés que ver cómo está escrita la norma y cómo es la práctica. El derecho en acción en Argentina es en verdad como el de Chile o Nicaragua, porque los abortos no punibles no son accesibles, la práctica es de restricción casi total.

- Sin embargo, actualmente en Argentina pareciera darse un proceso de apertura, bien diferente a Nicaragua o México.

Yo creo que esa percepción hay que moderarla. Porque nosotros, habiendo tenido la norma más liberal del continente desde 1922, tenemos una práctica que propone la eliminación. En todos los casos de niñas violadas down, como el de L.M.R. (N. de la R.: L.M.R. son la siglas con que se conoció el caso de una adolescente con discapacidad mental que en el 2006 recurrió a la justicia para reclamar la interrupción del embarazo producto de una violación y logró la autorización en un tiempo que el sistema médico público consideró inviable para la concreción del aborto, que se realizó entonces en el ámbito privado con el apoyo del movimiento de mujeres), el sistema dice que el no punible es inconstitucional y no quieren hacérselo, o sea que te llevan a donde está Chile, la penalización completa, pero sin la reforma legislativa sino con la práctica. Y esto está en la cabeza de muchos médicos y de integrantes del sistema judicial.

- Entonces, ¿no hay que alegrarse por los fallos recientes, el panorama legislativo y los ejecutivos que están proponiendo regulaciones al aborto no punible?

Es una pequeña ventanita, pero pensá que los casos de Chubut fueron de tercera instancia después que dos tribunales habían dicho que no, eran casos que se daban por perdidos.

La interpretación correcta del Código Penal

- Al juez de Rio Negro que falló a comienzos de abril en un caso similar al de Chubut, ¿le resultó más fácil emitir su sentencia porque estaba el pronunciamiento previo de la Corte de Chubut?

Yo creo que sí, es lo que necesitábamos, va a ser más fácil fallar después de esto. Aunque en Río Negro se dio el primer caso, el año pasado, de un fallo que hablaba de violación en la misma línea.

- ¿Que hacía una interpretación amplia del código, considerando que cualquier mujer víctima de violación tenía derecho a un aborto seguro?

Yo digo que es la interpretación correcta. Hay como un mito cuando se piensa al derecho que es que la mitad de la biblioteca está de un lado y la otra mitad del otro. Bueno, esto no está bien. Para algunos el derecho es algo indeterminado y entonces depende de qué lado estás. Para mí, hay buenas y malas razones, razones que pasan el tamiz de los prejuicios, que podemos dárnoslas recíprocamente en un consenso, y que tienen que ver con valores. Es el principio de una sociedad democrática, aceptar que el derecho no es autónomo de la moral.

La reforma legislativa

- ¿Te parece que los movimientos que se están dando en el Poder Judicial y el Ejecutivo podrían generar un escenario para la reforma legislativa en el 2010?

En marzo, cuando fue lo de Chubut, tuve esperanzas de un cambio y mis amigas me detuvieron. Eran muchos gestos juntos. Pero tampoco podés olvidar que hay sectores conservadores movilizados y en términos uno a uno tienen mucho más poder. Una se entusiasma porque durante mucho tiempo no pasó nada, pero el panorama por defecto es Nicaragua.

- La Corte Suprema de Justicia de la Nación debe resolver en estos días en un caso de La Pampa que la obligaría a referirse a los abortos no punibles. ¿Creés que puede haber alguna declaración de fondo en el fallo?

En ese caso se judicializa un veto del Ejecutivo. Yo soy profesora de derecho constitucional antes que feminista y creo que el veto es una herramienta política que tiene el sistema constitucional de frenos y contrapesos, justamente para frenar arbitrariedades entre poderes. Entonces creo que hay una discusión que no es feminista y que la Corte Suprema de La Pampa pudo haber resuelto bien. Se sanciona una ley, el gobernador la veta, vienen los abogados del Partido Socialista y le dicen al juez que revise el veto. Pero el sistema constitucional tiene una forma de revertir políticamente el veto que es juntando las mayorías en el Congreso. Poner a los jueces a controlar el veto puede ser un problema, porque este veto no te gusta, pero cuando haya vetos que te gusten ¿qué vas a hacer? El control de constitucionalidad del veto no es competencia de la Corte Suprema. El mecanismo democrático para este caso es la política, no la justicia.

- En cuanto a la recomendación de la ONU, ¿qué peso puede tener en este mapa de influencias múltiples?

Históricamente, las recomendaciones de la ONU en este tema han significado poco. Muchas veces la ONU ya hizo esta recomendación, pero en este contexto de cambios puede ser leída como no lo fue hasta ahora. Yo creo que de hecho el Consejo Nacional de la Mujer, la Secretaria de Derechos Humanos, y el INADI pueden haber estado preocupados por la responsabilidad internacional por el caso de L.M.R.. Creo que son múltiples causas que refuerzan todo. Y las feministas estuvieron haciendo muchas cosas, y hay una sinergia importante. La contracara de esto es que no hay ni un partido político con posición partidaria sobre el tema. Están los curas llamando por teléfono a todos, amenazando. Yo quiero ser optimista pero traigo la sensatez que me dice la gente que me rodea. Los abortos no punibles todavía no se hacen casi en ninguna parte.

Saúde Sexual e Reprodutiva
"Temas Estratégicos para Conselheiros de Saúde: SAÚDE DA MULHER - Um diálogo aberto e participativo"
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Departamento de Apoio à Gestão Participativa e ao Controle Social.
Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2010.

O Ministério da Saúde apresenta, na série de publicações “Temas Estratégicos para Conselheiros de Saúde”, número dedicado à saúde da mulher. A publicação contém informações essenciais sobre políticas, programas, e temas relevantes para fortalecer o debate e a ação nos Conselhos de Saúde.

O material foi organizado visando auxiliar especialmente conselheiras e conselheiros e integrantes de movimentos sociais. A finalidade é trazer informações sobre saúde da mulher e proporcionar o conhecimento sobre a Política de Atenção Integral à Saúde das Mulheres e os diversos programas articulados a esta política. Assim, será possível reconhecer, nos municípios ou estados, se as ações de saúde previstas pela política estão sendo implantadas, ou, caso não estejam, como poderiam ser colocas em prática

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Reflexões
"De pecados e crimes"
Roseli Fischmann – Artigo Publicado na Folha de São Paulo em 29/3/2010

O noticiário sobre pedofilia, atingindo religiosos da Igreja Católica, inclusive da alta hierarquia, traz tantos dados que chocam, que o Vaticano publicou editorial atacando a imprensa internacional por cumprir seu papel, qual seja, o de informar. Acostumada a tratamento diferenciado, muitas vezes privilegiado, por parte da mídia, com desvantagem para os demais grupos religiosos, a hierarquia católica reage de forma hostil à impossibilidade que teve a imprensa de postar-se como cúmplice de crimes inaceitáveis, por omissão.

É certo que as relações das religiões com os poderes terrenos são assunto delicado e polêmico. Investidos de aura suprahumana, para os que crêem neste ou naquele culto, com facilidade pode ocorrer de buscarem transbordar, para o plano meramente político, o poder espiritual que lhes é atribuído pela religião, como instituição humana.

Decorre daí a facilidade de, em nome da divindade, fazer acordos internacionais (como a concordata com a Santa Sé a que se curvaram políticos do Brasil), desenvolver articulações políticas e facilmente ganhar espaço, onde outros dependem do voto e da legitimidade. O uso do poder espiritual para obter benesses humanas é tanto mais perigoso, quanto mais confunde argumentos que invocam caridade, para alcançar privilégios materiais, suprimindo direitos de outros.

Ao potencializar o poder espiritual pela união ao poder político, mera e complexamente humano, a expectativa é de reunir os benefícios das duas esferas. Engendrada nas altas hierarquias, repercute em outros níveis de forma imprevisível. Enquanto alguns religiosos tomam o compromisso de defesa dos direitos, outros enveredam por caminho oposto. Copiando a má prática humana na política, esperam a máxima visibilidade dos méritos e a completa impunidade dos erros. Quando ocorre alguma “escorregada”, que em outros seres humanos, “comuns”, será chamado de crime, considera-se “natural” a invisibilização e o silêncio, garantindo a impunidade, pelo desconhecimento público.

Vale lembrar que a Igreja Católica, por sua associação milenar, desde Constantino, ao poder terreno, tem digerido mal a independência e autonomia laica dos Estados em relação aos cultos, processo fortalecido a partir da Revolução Francesa – e conseqüentemente, digere mal a autonomia da cidadania e a soberania do Estado.

Por ser instituição burocratizada altamente complexa, a diversidade interna da Igreja Católica lhe permite um portfólio de exemplos de religiosos com atuação religiosa e social impecável, para contrapor aos abusos agora denunciados. O reconhecimento do drama vivido pelas vítimas, mesmo a indenização pecuniária, nada retira do caráter irreversível do dano causado a quem sofreu a violência sexual, em particular sendo criança, que perdeu o direito à inocência, pela ação de quem supunha ser seu guia. O uso da autoridade como forma privilegiada de cometer o abuso é aviltante para as relações de autoridade e para o próprio sentido educativo dessas relações.

A lentidão em reconhecer os casos de abuso e pedofilia, em diferentes países, como o Brasil, é a outra face da moeda, que credita à Igreja Católica o poder de a tudo julgar e tudo determinar na vida humana, inclusive interferindo em políticas públicas. É o caso das pressões sobre o 3º PNDH, para os temas de retirada dos símbolos religiosos de estabelecimentos públicos, reconhecimento da autonomia das mulheres, em caso de aborto, e das uniões homoafetivas, incluindo adoção de filhos. Ignora que seus fiéis, se convictos, não serão obrigados a coisa alguma que contrarie sua doutrina, por uma lei que se proponha como possibilidade.

Porque a lógica do interesse público precisa pautar-se por atender a toda a cidadania, sem discriminação, cabendo às denominações religiosas convencer seus membros a que atendam as determinações morais que pregam, definindo o que é pecado, e não ao Estado, que lida apenas com o que é crime. Quem for convicto seguirá os ditames da religião sem titubear, ainda que as leis ofereçam possibilidades a si vetadas pelas normas religiosas. Se uma denominação religiosa proíbe o álcool, não será a existência de bares que convencerá o seu adepto a provar da bebida.

Ao tomar conhecimento de infratores em suas fileiras, e imediatamente encobri-los, o que o Vaticano reitera é sua disposição de ser soberano por sobre a ordem humana, que é plural do ponto de vista religioso e de consciência, mesmo quando os atos cometidos – pecados ou não – são terrível e simplesmente enquadráveis como possíveis crimes, cabendo, pois, ao Estado investigar e julgar, de forma pública e transparente, o que apenas engrandecerá a instituição religiosa por abrir-se com coragem, prevenindo semelhantes situações.

NOTA RELACIONADA:
Com que moral? DECLARAÇÃO PÚBLICA DE CATÓLICAS PELO DIREITO DE DECIDIR

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