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Editorial É com muita satisfação que comemoramos no dia 08 de março o Dia Internacional da Mulher! As expectativas da sociedade civil com relação à ampliação dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres no Brasil são muitas. Desde o ano passado, temos visto planos governamentais tomarem forma, aguardamos a próxima votação da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental [ADPF] sobre anencefalia no Supremo Tribunal Federal, e temos cada vez mais pessoas envolvidas com projetos, pesquisas, normas e manuais técnicos, e campanhas pelos direitos e pela saúde sexual e reprodutiva das mulheres brasileiras. Nessa edição contamos com o artigo de Dulce Xavier que faz uma referência ao Dia Internacional da Mulher referindo-se ao seu trabalho junto às Católicas Pelo Direito de Decidir. No seu texto, Dulce Xavier comenta resultados da pesquisa: "Anencefalia, Tortura e Supremo Tribunal Federal", realizada pelo Ibope Opinião a pedido de Católicas pelo Direito de Decidir e assessoria técnica da Universidade de Brasília em novembro de 2004. Além de expor as conquistas adquiridas no campo dos direitos das mulheres, discorre sobre os desafios ainda que devem ser enfrentados no país. Além do texto de Dulce Xavier, chamamos a atenção para a iniciativa das Católicas na sua Campanha pela Legalização do Aborto no país na qual coletam assinaturas de adesão através do website [http://www.catolicasonline.org.br/aborto/conteudo.asp]. Em relação ao tema da violência sexual contra a mulher, relatamos nessa edição um caso no qual uma jovem do sul do país teve seu direito à interrupção da gravidez indesejada negado. Ainda sob essa temática, comunicamos o lançamento do livro "Violência Sexual no Brasil: Perspectivas e Desafios" de cooderação de Cecília de Mello e Souza e Leila Adesse, com autoria de Cecília de Mello e Souza, Maria Luiza de Carvalho, Maria Beatriz Galli, e Rosana dos Santos Alcântara. Lançada em março de 2005, essa publicação foi patrocinada por FNUAP, que em breve será reeditada pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. O livro apresenta um detalhado diagnóstico e análise sobre os dados disponíveis, os aspectos legais, as principais políticas públicas no âmbito da violência sexual, incluindo uma lista de organizações que atuam nessa área, e os resultados de algumas pesquisas desenvolvidas no país e, em particular na Região Norte. Outro destaque é o livro lançado, em novembro de 2004, de autoria de dois ginecologistas Dr. Anibal Faundes e Dr.José Barzelatto: "O Drama do Aborto: Em busca de um consenso", que contempla de forma objetiva as diversas implicações de saúde decorrentes do aborto de risco. Na edição desta Revista Eletrônica, incluímos os prefácios de Anibal Faúndes e José Barzelatto, e a introdução da obra. Para as pessoas que desejarem adquirir a publicação completa, o livro está a venda através do site da Editora Komedi [http://www.komedi.com.br/] ou através do e-mail: cemicamp@cemicamp.org.br No campo das políticas internacionais em matéria de saúde sexual e reprodutiva, apresentamos uma avaliação dos resultados do painel apresentado por Ipas no Fórum Social Mundial: "O acesso das mulheres ao aborto seguro: estratégias essenciais para alcançarmos as Metas do Milênio", através do artigo de autoria de Leila Hessini, consultora do IPAS na área de políticas. Para aqueles que queiram oferecer sua contribuição para o site, através do envio de algum artigo para publicação, do envio informação sobre eventos ou sobre cursos, relacionados aos temas de trabalho de IPAS, no campo da saúde sexual e reprodutiva da mulher, pedimos que façam contato através do e-mail: revista@ipas.org.br. Muito
obrigada |
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| Nesta
Edição BRASIL
EM FOCO DIREITOS
SEXUAIS E REPRODUTIVOS EM DESTAQUE SAÚDE
SEXUAL E REPRODUTIVA REFLEXÕES
E OPINIÕES Ipas
Notícias |
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Inscrições
para o Fundo Ângela Borba II Jornada
de Bioética II Concurso
Latino-americano Mujer: Imágenes y
testimonio CURSO
TEÓRICO PRÁTICO EM ATENÇÃO PÓS ABORTAMENTO
E ASPIRAÇÃO MANUAL INTRA-UTERINA (AMIU) VI Congresso
Sergipano e VI Jornada Sergipe-Bahia de Ginecologia e Obstetrícia TUTORIAL
DE ASPIRAÇÃO MANUAL INTRA-UTERINA (AMIU) I Encontro
Nacional do Movimento Nacional Cidadãs Posithivas
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Clipping: JORNAL DO SENADO - 02/03/2005 Senado aprova projetos da CPI contra exploração sexual infantil Propostas que vão ao exame dos deputados alteram o Código Penal e o Estatuto da Criança e do Adolescente O Senado aprovou ontem três projetos que constam do relatório final da comissão parlamentar mista de inquérito (CPI) que investigou a exploração sexual infantil e que alteram o Código Penal e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Os projetos precisam ser votados ainda pelos deputados. O PLS 253/04 efetua diversas mudanças no Código Penal, modificando um de seus títulos, de "Crimes contra os costumes", considerado antiquado – o código é de 1940 –, para "Crimes contra a liberdade e o desenvolvimento sexual". O relator, Demostenes Torres (PFL-GO), disse que a nova nomenclatura é mais adequada ao momento. O projeto incorpora ao crime de estupro a antiga definição de atentado violento ao pudor. Na prática, significa a previsão de que o estupro pode ser cometido contra pessoas em geral, e não apenas contra mulheres. – A comissão observou que as vítimas de violência sexual muitas vezes são meninos – disse Patrícia Saboya (PPS-CE), que presidiu a CPI. Outra alteração importante é a instituição da ação penal pública para todos os crimes sexuais cometidos contra crianças e adolescentes, abrindo espaço para que qualquer cidadão apresente a denúncia. Hoje, isso só ocorre se houver reclamação pela vítima. Dessa forma, o crime costuma ficar impune, já que muitas vezes é cometido por familiares que têm poder sobre a vítima. Também foi criado o crime de "favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável", incluindo no Código Penal a tipificação de um crime que hoje só existe no Estatuto da Criança e do Adolescente. Dessa maneira, a punição poderá se estender a toda a rede de exploração, inclusive aos clientes. Ainda poderá ser incluído no código o crime de tráfico interno de pessoas para fins sexuais. Os outros dois projetos de lei (PLS 254/04 e PLS 255/04) alteram o Estatuto da Criança e do Adolescente, punindo os atos de fotografar e filmar crianças e adolescentes em cenas de sexo explícito ou pornográfica. O texto atual pune apenas a divulgação das imagens, o que permite a absolvição de quem "apenas" fotografa a vítima. O PLS 255 permite
fechar definitivamente hotéis que hospedarem
criança ou adolescente desacompanhado dos responsáveis
e sem sua autorização. Fonte: http://www.senado.gov.br/jornal/
"Os direitos humanos e as profissionais de saúde" Oficina Ipas Brasil Nos dias 01 e 02 de fevereiro de 2005, o IPAS Brasil realizou a Oficina "Diálogos sobre os Mitos e as Percepções sobre Aborto na perspectiva da Ética e dos Direitos Humanos". O objetivo geral da oficina era prestar assessoria no campo da saúde, ética e direitos humanos às profissionais da medicina que vêm trabalhando em parceria com o IPAS Brasil em vários estados do país, contribuindo para a superação dos obstáculos à garantia da autonomia das mulheres no atendimento ao pós-abortamento e no acesso ao aborto legal. A Oficina foi direcionada para profissionais do sexo feminino, visando sensibilizá-las para uma mudança de postura em relação ao tema do abortamento, através de uma discussão ampla sobre os mitos, os valores culturais e os dilemas pessoais que impedem a boa qualidade na atenção à saúde sexual e reprodutiva, centrada nas necessidades das mulheres que chegam aos serviços. Para ver a notícia completa: http://www.ipas.org.br/noticias.html#Oficina
Clipping: O Globo - 07/03/2005 Dados da Unesco e do Ministério da Saúde mostram que a gravidez precoce e as dificuldades dela decorrentes já respondem pela terceira causa de óbitos entre as mulheres jovens do Brasil, perdendo apenas para homicídios e acidentes de transporte. E mais: dados preliminares da Unesco mostram que 25% das meninas entre 15 e 17 anos que deixam a escola o fazem por causa da gravidez, mostrando que a maternidade antecipada já é a principal causa de evasão escolar de meninas nesta faixa etária. Segundo a Unesco, das meninas de 15 a 17 que não estudam, 31% residem no Nordeste. No país, 71% moram no interior e 12% nas periferias. Os dados,
ainda inéditos, constam de três pesquisas em
fase de conclusão. Uma é do Ministério da Saúde:
o "Saúde Brasil 2005", segunda versão do mapa
do setor produzido anualmente pelo governo federal. Outras duas são
da Unesco — "Juventudes Brasileiras" e "Juventudes
e Sexualidade", sendo que a última será lançada
hoje em solenidade no Ministério da Educação. — A gravidez realmente está se tornando um grande problema na educação. Se 25% das meninas de 15 a 17 anos grávidas deixam a escola, isso significa dizer que 254 mil páram anualmente de estudar. E 2%, ou seja, outras 20 mil, abandonam os estudos para casar — afirma Miriam Abramovay, professora da Universidade Católica de Brasília, vice-coordenadora do Observatório Violência nas Escolas-Brasil e uma das coordenadoras da pesquisa "Juventudes Brasileiras", da Unesco. Fonte: Jornal
O Globo (acesse para ver a metéria completa): Clipping:
Folha Online - 10/03/2005 Uma nova norma do Ministério da Saúde autoriza os médicos da rede pública a fazer aborto em mulheres que aleguem ter engravidado após estupro, mesmo que não haja boletim de ocorrência policial ou outro documento comprovando a violência sexual. O texto normativo está sendo impresso e será distribuído ainda neste semestre aos serviços de aborto legal do país, após capacitação dos profissionais, mas já causa polêmica. Grupos religiosos acusam o ministério de incentivar a prática do aborto. O Código Penal, no seu artigo 128, não exige documento para esses casos, e a mulher violentada não tem o dever legal de noticiar o fato à polícia. Mas outra norma técnica do ministério, de 1998, no então governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), colocava o BO como documento obrigatório para a realização do aborto legal, o que ainda é seguido pelas unidades que prestam esse serviço. "Deve-se orientá-la a tomar as providências policiais e judiciais cabíveis, mas, caso ela não o faça, não lhe pode ser negado o abortamento", diz um trecho da norma técnica, a ser distribuída. Pelo atual Código de Ética Médica, no entanto, o profissional da saúde pode alegar objeção de consciência e não realizar a interrupção da gravidez. O novo documento do governo diz que os médicos não devem temer possíveis conseqüências jurídicas caso, posteriormente, descubra-se que a gravidez não foi resultado de estupro. Cita novamente o Código Penal, artigo 20, inciso 1º, que isenta de pena "quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima". Fonte Folha
Online (Acesse para ver a matéria completa): |
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| Links
Recomendados Sociedade
Brasileira de Ginecologia Endócrina
Mais sites recomendados no website de Ipas Brasil: http://www.ipas.org.br/links.html
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Ciência
e Pesquisa Título: Adolescente
pobre, escola e prisão: as práticas representações
e cenários culturais dos riscos de HIV/AIDS / Poor adolescent,
school and prision: practice representations and cultural scene
of HIV/AIDS risks. Título:
Validación diagnóstica de la aspiración manual
endouterina para la detección de hiperplasia y cáncer
de endometrio en pacientes con sangrado uterino anormal / Diagnostic
validity of endouterine manual aspiration for detection of hiperplasia
and cancer of endometrium in patients with abnormal uterine bleeding Localização: MX1.1 - Fonte: LILACS
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| Ipas
Global Em Janeiro deste ano, Porto Alegre sediou o V Fórum Social Mundial, que representou um marco em termos de participação. Estiveram presentes mais de 200 mil pessoas de 6.872 organizações de 151 países. As organizações de mulheres tiveram uma expressiva participação. Ipas estava presente nos principais debates referentes à saúde reprodutiva, assim como na organização do Painel : "O acesso das mulheres ao aborto seguro: estratégias essenciais para alcançar as Metas do Milênio" em parceria com Women's Global Network for Reproductive Rights (WGNRR) e Youth Coalition. Naquela oportunidade, Nadia Van der Linde (Coordenadora da Campanha de Acesso das Mulheres à Saúde do WGNRR; Youth Coalition) introduziu uma visão conceptual dos direitos e da saúde reprodutiva, seguida por Joana Chagas (Youth Coalition) que discutiu as experiências e desafios específicos enfrentados por jovens ao exercerem seus direitos sexuais e reprodutivos. Leila Hessini (Consultora de Políticas de Ipas ) examinou o aborto como parte essencial dos direitos humanos, justiça e de cidadania e discutiu fatores que levam a estigmatização do aborto. Salientou que o acesso aos serviços de saúde de qualidade - incluindo assistencia a saúde reprodutiva e aborto legal - é crucial para a justiça social e é um direito humano. Esse painel foi particularmente relevante ao V FSM - que tinha como tema "UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL " - e, as recentes discussões sobre as Metas do Milênio. Na última década, ativistas pela saúde da mulher conquistaram novos espaços políticos ao desenvolverem planos conceptuais que enfatizam os elos entre a autodeterminação, justiça e desenvolvimento social. Desta maneira, a área dos direitos humanos vem sistematicamente reconhecendo a importância da eqüidade de gênero. Ambas as Conferências de Cairo e Beijing reafirmaram que os direitos à saúde reprodutiva são essenciais aos direitos humanos e mais de 12 países reformularam suas leis punitivas ao aborto desde 1994 [1]. Ainda sobre as Metas do Milênio - aprovadas por líderes mundiais em Setembro de 2000 - estas, não mencionam os diretos à saúde sexual e reprodutivacomo direitos humanos . Em particular, o plano das Metas do Milênio não inclui questões ligadas ao abortamento, apesar do reconhecimento internacional que o aborto realizado em condições de risco está associado à desigualdade de gênero, ineqüidade econômica e ao fracasso na implementação efetiva dos direitos humanos. Os participantes de diferentes nacionalidades puderam debater sobre a importância das Metas do Milênio e, sugeriram uma série de recomendações para as próximas conferências e planos relacionados ao desenvolvimento e justiça social sob um enfoque nos direitos, na educação e na saúde sexual e reprodutiva de mulheres e adolescente. Além disso, o painel de Ipas contribuiu no aumento das trocas de informação e mobilizações geradas das discussões do Fórum Social Mundial sobre o tema do abortamento.
Fotos do Fórum no Mural de Ipas Brasil: http://www.ipas.org.br/mural.html Introdução Ressaltamos a existencia de um avanço no reconhecimento do problema da violência doméstica contra a mulher (Almeida et al., 2003), na produção do conhecimento sobre o tema, na formulação de programas e na criação de instituições voltadas para o atendimento nessa área. No entanto, a violência sexual não tem destaque ou visibilidade na formulação do problema da violência contra a mulher, nem na produção acadêmica, nem no movimento feminista (Grossi, 1994), recebendo atenção apenas recentemente. Ademais, o enfoque doméstico exclui as formas de violência no espaço público. Assim, a produção sobre violência doméstica é muito extensa, mas há ainda muito pouco sobre violência sexual, havendo uma grande necessidade de investigações quantitativas e qualitativas para melhor compreender e dimensionar o problema. As fontes disponíveis por nós utilizadas incluem documentos jurídicos; artigos, livros e teses sobre violência sexual e de gênero; relatórios e documentos oficiais pautando políticas públicas e compromissos de governo; além de sites institucionais auxiliam a pesquisa, com dados estatísticos e informações mais recentes sobre o tema. O detalhamento destas fontes se encontra na bibliografia.
Para saber mais sobre as publicações de Ipas Brasil: preencha o formulário
Direitos
Sexuais e Reprodutivos em Destaque Através de contato realizado por uma médica, IPAS Brasil tomou conhecimento de um caso de violência sexual e falta de acesso à interrupção de gravidez indesejada de uma adolescente de 16 anos de idade, em uma cidade no Sul do país. Em janeiro de 2005, a equipe de IPAS realizou uma visita ao local e entrevistou as pessoas envolvidas com o objetivo de prestar assessoria em saúde e direitos sexuais e reprodutivos à família e aos profissionais de saúde envolvidos. A seguir, passamos a relatar os fatos que foram narrados nas entrevistas. Relato do Caso A adolescente foi levada ao serviço de saúde, onde repetiu a história, desta vez à médica. Mãe e filha foram informadas sobre o direito de interrupção da gravidez - previsto em lei - e decidem pelo procedimento, sendo orientadas pelo serviço de saúde de que deveriam obter autorização judicial para realizar o abortamento previsto em Lei. O serviço de saúde que atende vítimas de violência sexual auxiliou na obtenção da documentação necessária para o encaminhamento do pedido ao Fórum. ...
Introdução A maioria dos livros publicados sobre o assunto se concentra em um só aspecto do problema, e se dirige a uma audiência previamente envolvida nos enfoques filosóficos, religiosos, sociais ou da saúde, que caracterizam o debate sobre o aborto. O grande público tem, naturalmente, menos interesse na leitura de livros com aparência excessivamente densa ou acadêmica. Conseqüentemente, a maioria das pessoas termina por não assumir um papel ativo nas discussões públicas. Acreditando que esse seja um obstáculo que afeta quase todas as pessoas, este livro foi escrito com a intenção de ser acessível a qualquer pessoa que se interesse pelo assunto. Existe uma carência de informação de fácil acesso, contemporânea e abrangente, capaz de ajudar a dissipar os mal-entendidos que prevalecem em torno do aborto. No nosso entender, uma vez que a maioria “silenciosa” esteja mais bem informada, as mudanças culturais necessárias para se atingir um consenso básico finalmente se tornarão possíveis. Além disso, uma revisão acessível e ampla da questão do aborto deverá ser útil para líderes de opinião e para os responsáveis por formular políticas específicas. A maior parte da informação que estes indivíduos recebem tem origem nas opiniões e pontos de vista de dois grupos, que se opõem em um debate público excessivamente polarizado e dominado por emoções ideológicas. Este predomínio da emoção sobre a razão faz que se perca a integridade intelectual do debate. Acreditamos que esta situação pode melhorar sensivelmente se a opinião pública e os responsáveis pelos programas sociais dos governos se colocarem à parte do falso dilema de ter que se definir contra ou a favor do aborto. Porque então tomar sobre nós a imensa responsabilidade de uma tarefa como esta? Como indica o prefácio, somos dois médicos de um país em desenvolvimento que estiveram envolvidos com o problema do aborto desde a faculdade de medicina. Por décadas, ambos vivemos fora do nosso país de origem, mas permanecemos profundamente envolvidos com o drama humano do aborto, de diversas maneiras e em vários países do mundo. O que este livro reflete é o que aprendemos ao longo da vida com as nossas experiências pessoais. Para saber mais sobre o livro leia a coluna de Carla Rodrigues Online "No Minimo" Para adquirir o livro, ligue para: 19- 3289-2856 e/ ou através do E-mail:cemicamp@cemicamp.org.br
Reflexões
e Opiniões Depois de alguns anos participando mais ativamente no movimento de mulheres, observo que as mulheres não descansam, nunca. E nem podem. Nas últimas décadas temos conseguido alguns avanços importantes em decorrência da insistente luta que busca tornar públicas as questões relativas aos direitos das mulheres, até então consideradas do âmbito privado. Temos conquistas significativas na área da saúde, no combate à violência, na proteção à maternidade, entre outras. Na saúde deixamos de ser consideradas apenas mães e passamos a ser vistas como mulheres, sendo que o planejamento familiar facilitou uma maior autonomia no controle de fertilidade. O atendimento às mulheres em situação de violência em Delegacias especiais e na saúde pública, assim como a Lei que pune o assédio sexual, garantiram ações de prevenção e de tratamento, possibilitando o empoderamento e condições mínimas para modificar estas situações. Nos últimos anos, vimos crescer iniciativas importantes em políticas públicas voltadas para dirimir as desigualdades vividas pelas mulheres. As Coordenadorias, Assessorias ou Conselhos especiais nas administrações públicas municipais, estaduais e na esfera federal, tiveram um papel pioneiro na elaboração de tais políticas. Estes avanços, no entanto, não se deram de forma completa e muito menos sem conflitos. Algumas das nossas bandeiras foram transformadas em leis, à exemplo do Planejamento Familiar, ou normatizadas pelo governo, como a Norma que garante o atendimento das mulheres vítimas de violência sexual. Mesmo garantidas por leis ou firmadas através de compromissos formais, as políticas públicas não estão garantidas em todas as regiões do país, deixando excluídas muitas mulheres. As dificuldades são mais visíveis em relação à garantia da saúde reprodutiva e sexual. As iniciativas governamentais nestas áreas além de enfrentar os conhecidos problemas de distribuição de métodos e de informação da população, ainda enfrentam a influência negativa de setores conservadores de algumas religiões. Percebemos isso tanto na vida pessoal como nas instituições nacionais, que deveriam prover e garantir os direitos da população. |
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| Conselho Editorial | ||
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Osmar
Colás Oswaldo José Queiroz Dias Rivaldo Albuquerque Roberto Benzecry Sônia Dantas Sônia Madi Valéria Pandjiarjian Vera Rolim |
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Revista
de Saúde Sexual e Reprodutiva IPAS BRASIL |
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| Coordenação
Editorial - Leila Adesse
Editor - Jefferson Drezett Editoração - Alessandra Foelkel Editores Associados - Cristião Fernando Rosas e Roberto Benzecry |
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