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Editorial
Desde então, pode-se considerar que houve significativos avanços no campo dos direitos humanos, civis, políticos, econômicos e sociais. Entretanto, apesar desses avanços, ainda há um longo caminho a ser percorrido para que de fato haja equidade entre homens e mulheres em todas as esferas de suas vidas. Para homenagear as mulheres nessa data, Ipas Brasil lança em conjunto com a Fundação Santa Casa da Misericórdia do Pará, e os Correios, o selo comemorativo do Dia Internacional da Mulher com a imagem e mensagem da campanha Violência Sexual: Conheça os seus Direitos. A campanha visa orientar as mulheres em situação de violência sexual a buscarem informação e orientação através do número 180 da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres. A Dra Neila Dahas, coordenadora da área de ginecologia-obstétrica da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, é entrevistada neste número especial e nos apresenta um breve panorama sobre o selo comemorativo, as principais ações e as parcerias da campanha no estado do Pará. Também incluímos nessa edição o texto sobre o Dia Internacional da Mulher de autoria de Odair Albano (médico ginecologista/ UNICAMP, administração saúde/FGV-SP e ex-secretario de saúde de Campinas). Além de um dos capítulos do livro "Mulheres e Movimentos" de autoria de Claudia Ferreira e Claudia Bonan. Informamos também da Seção "Livros Recomendados" sobre o lançamento de duas publicações de editoras distintas e recomendadas por Ipas Brasil, que oferecem maiores informações sobre a Lei Maria da Penha e a Violência Contra a Mulher; assunto relevante nessa edição do dia 08 de Março. Também gostaríamos ressaltar, neste número, o artigo de Alcilene Cavalcante, integrante das Católicas pelo Direito de Decidir que comenta o resultado positivo para os direitos humanos e a saúde sexual e reprodutiva para as mulheres, do referendo realizado em Portugal. Agradeço mais uma vez as contribuições oferecidas para a editoração desta edição. Para aqueles que queiram oferecer sua contribuição para a publicação de algum artigo, eventos ou cursos a serem realizados e relacionados com nossos objetivos (saúde sexual e reprodutiva da mulher), pedimos que nos contatem através do e-mail: revista@ipas.org.br. Muito
obrigada |
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Edição BRASIL
EM FOCO DIREITOS
SEXUAIS E REPRODUTIVOS SAÚDE
SEXUAL E REPRODUTIVA REFLEXÕES
E OPINIÕES Ipas
Notícias |
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Grupo Curumim Recebe
a Medalha Mulheres de Tejucupapo PROGRAMA
DE APOIO E PROJETOS EM SEXUALIDADE E SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA (PROSARE) » EDITAL
2007 XIV Congresso
da Associação Internacional de Políticas
de Saúde, X Congresso Latino-Americano de Medicina Social e IV
Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde 45° CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO MÉDICA CAPACITAÇÕES IPAS BRASIL (Prev. MARÇO): CAPACITAÇÃO
EM APA/AMIU CURSOS DE AMIU EM SP: Data: 31/03/07 das 8:30 às 16:00hrs * Datas estão sujeitas há confirmação: entre em contato para maiores informações
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Esta iniciativa se soma aos esforços de instituições governamentais e não-governamentais de enfrentamento do cenário de violência sexual no país que traz graves repercussões para a saúde pública e os direitos humanos das mulheres e adolescentes, apontando para a necessidade de redução das barreiras existentes para que as mulheres em situação de violência sexual possam acessar os serviços de saúde e exercerem o seu direito ao aborto previsto em lei. A Campanha* que é composta por filme, anúncios, cartazes e spots e que estão sendo veiculados nas principais emissoras e veículos de comunicação de Belém no Pará; teve mais uma peça desenvolvida ao ser integrada a um Selo Comemorativo em homenagem ao Dia Internacional da Mulher: Uma ação conjunta de Ipas Brasil, da Fundação Sta Casa de Misericórdia do Pará e dos Correios. A seguir, Neila Dahas, coordenadora da área de ginecologia-obstétrica da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará nos fala sobre o selo comemorativo, sobre os parceiros da campanha no Pará e os esforços para que as mulheres vítimas de violência no estado do Pará liguem o 180 e conheçam seus direitos: "A Campanha esta sendo veiculada nos principais meios de comunicação do Pará, desde novembro; e será intensificada nessa primeira semana de março com a ajuda do Conselho da Mulher Empresária. Diversas ações foram feitas desde o lançamento; como a emissão de vários impressos que contaram com a ajuda da Fundação Sta. Casa de Misericórdia do Pará e do Conselho da Mulher Empresária. Entre as próximas ações previstas esta a possível impressão de sacolas com a mensagem da Campanha pelo Supermercado Lider. Já o Selo Comemorativo foi uma idéia do Presidente da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, Sr. Jorge Alberto Ohana. O Selo Comemorativo é um selo duplo que lembra tanto a campanha quanto o Dia Internacional da Mulher. A idéia é que daqui há um ano; venha a ser um selo emitido pela Casa da Moeda". Para o lançamento do Selo, haverá um evento no dia 08 de Março às 14:00h na Sta. Casa de Misericórdia do Pará; entre os convidados estão a Ministra Nilcéia Freire /Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres Presidência da República, além de todas as instituições ligadas ao protocolo da rede de atendimento à vítimas de violência sexual do Pará, outras autorizadades do Estado e representantes dos Correios. Leila Adesse, Presidente do Ipas Brasil fará uma das apresentações. Enquanto que Neila Dahas falará sobre o tema: a mulher agredida no atual contexto social. Para saber mais sobre os impactos da campanha junto ao público, Ipas Brasil estará desenvolvendo um relatório através da consultoria do Instituto Patrícia Galvão; além de observar se houve um aumento significativo junto aos serviços de atendimento as vítimas de violência e junto à Secretaria de Políticas para Mulheres através do número 180. Para ver o vídeo/ ouvir o spot para rádio e ver mais notícias
sobre a campanha: * Campanha criada pela Agência Santa Clara
Os
avanços de Ghana para garantir
o aborto legal e seguro Em junho de 2006, o serviço de saúde de Ghana e o ministro da saúde adotaram medidas que garantissem o aborto seguro com a assistência técnica de Ipas, da Organização Mundial de Saúde, além de peritos e profissionais da área médica na nação do Oeste Africano. Os procedimentos e protocolos detalhados nas medidas adotadas seguem os principios da Atenção Compreensiva ao Aborto e oferece instruções específicas para profissionais e serviços. Dentre as diversas áreas que as medidas abrangem, estão:
A ironia é que enquanto as mulheres e meninas de Ghana continuam ao morrer e sofrer por complicações devido ao abortamento inseguro, Ghana possui uma das legislações mais progressistas com relação ao aborto em toda a África. Enquanto a atenção pós-aborto é aceita como um elemento chave no atendimento emergêncial; o aborto legal e seguro que esta nos livros é frequentemente inadequado ou simplesmente inexistente na prática. Após uma reforma do código penal em 1985, a lei em Ghana permite o aborto em casos de estupro, incesto e "reputação"; se a gravidez põe em risco a saúde mental ou física da mulher; ou se há risco substancial que a criança venha a nascer sofrendo uma deformidade séria. Fonte original
(em Inglês):
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SITE: ADOLESCÊNCIA SITE: MULHERES
E MOVIMENTOS
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Ciência
e Pesquisa
Título: IAMANEH
and the new concept of reproductive health. International Association
for Maternal and Neonatal Health.
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| Global A sociedade portuguesa, no último 11 de fevereiro, deu um basta ao obscurantismo e aos grupos fundamentalistas e conservadores que se opunham ao livre exercício da cidadania e aos direitos individuais, por conseguinte opunham-se à democracia. Mulheres e homens de Portugal votaram Sim pela despenalização da interrupção voluntária da gravidez, por opção da mulher, até a 10ª semana, em estabelecimento legalizado pelo Estado. 59% dos/as votantes expressaram a confiança na capacidade que as mulheres têm de tomar decisão com base na ética e na moral. Católicas pelo Direito de Decidir colaborou com essa conquista para a Democracia, logo, para os Direitos Humanos das Mulheres, apresentando, juntamente com católicos/as mandatários/as de diferentes movimentos pelo Sim, em oito cidades portuguesas (Angra do Heroísmo, Ponta Delgada – Açores –, Serpa, Porto, Braga, Viseu, Coimbra e Lisboa), argumentos que servissem de subsídios para crentes e não crentes – para usar expressão muito pronunciada em Portugal – votarem a favor de as mulheres terem o direito de decisão e, com isto, de não serem penalizadas e humilhadas. Quando uma mulher decide abortar, seja por qual motivo for, ela analisa as suas próprias condições de vida e o que poderia ofertar para uma futura criança. Trata-se de um gesto de grande responsabilidade e de difícil decisão, no qual as mulheres fazem uso de sua consciência. Ao contrário, pressupor algo diferente disto, implicaria considerar que as mulheres são irresponsáveis, insanas e desvairadas. Infelizmente, essa visão sobre as mulheres ainda é presente em certos segmentos sociais que defendem a criminalização do aborto, ignorando os desdobramentos disto para a saúde da mulher e manifestando descaso para com a maternidade e a paternidade responsáveis – ao menos foi o que se ouviu em diferentes pronunciamentos daqueles que fizeram campanha pelo Não, em Portugal, e que encontram equivalência também no Brasil. A propósito, foi espantoso acompanhar a manipulação de informações empreendida pelos mandatários que defendiam o voto Não: aquelas pessoas alegavam a defesa incondicional da vida – mas defendiam apenas o embrião –; criaram a maior confusão acerca da idade fetal, como se não houvesse diferença alguma entre as denominações embrião, feto, criança, filho; médicos/as pesquisadores/as apresentaram ultrassonografias de gravidez de 20 semanas como se fossem imagens de 10 semanas; apresentaram ecografias e audios de batimentos cardíacos referentes a idade fetal de 18 semanas ou mais como sendo relativos a 10 semanas; os conteúdos de cartazes, panfletos e outdoores eram absolutamente apelativos, o que procurava inviabilizar diálogos com base na razão. Além disso, argumentavam que a alteração da lei geraria aumento da demanda de mulheres para abortar, o que implodiria a rede de saúde e que seria necessário aumentar os impostos dos contribuintes para se arcar com os custos desse tipo de serviço – primeiro, ignoraram que toda política social, principalmente, que implica redução de danos, tem uma demanda maior em um primeiro momento; segundo, sugeriam a irresponsabilidade das mulheres; terceiro, desconsideraram o custo que o Estado já tem devido ao aborto clandestino: afinal, centenas de mulheres são internadas anualmente, em hospitais portugueses, por complicações de abortos inseguros. Mas, apesar dessa tentativa de criar confusão, os portugueses e portuguesas não se deixaram manipular: votaram Sim pela despenalização da interrupção voluntária da gravidez, por opção da mulher, até a 10ª semana – configurando uma diferença de quase 20% a mais dos votos em relação ao Não. Há ainda três aspectos a sublinhar: o primeiro, refere-se ao fato de a população de Portugal ser menor do que a da capital de São Paulo (11 milhões de habitantes), não sendo o voto obrigatório sequer nas eleições para parlamentares; em segundo lugar, a sociedade civil portuguesa envolveu-se diretamente no referendo, expondo-se publicamente por meio de agrupamentos específicos que envolviam médicos; parlamentares de diferentes partidos; religiosos; operadores do direito; professores; jovens; artistas; intelectuais; mídias, organizações sociais; enfim, homens e mulheres. Por fim, o referendo foi a saída que o governo português encontrou para superar os entraves dos segmentos sociais que não se dispunham a compreender a relação entre direitos reprodutivos e democracia, bem como guardavam uma visão bastante esteriotipada sobre as mulheres. Contudo, interromper ou não uma gravidez, além de ser algo de foro íntimo, o que deve ser resguardado em regimes democráticos, consiste em direitos reprodutivos que, como tal, não configuram matéria de referendo ou plebiscito. Acrescente-se, ainda, que a criminalização do aborto não reduz a prática, ao contrário, transforma essa matéria em problema de saúde pública. Desse modo, enfrentar honestamente a problemática do aborto – presente em diferentes sociedades – exige, em nosso caso, não um referendo ou um plebiscito, mais que nossos/as parlamentares descriminalizem o aborto e regulamentem sua prática e, assim, alinhe o Brasil aos demais países democráticos. Fonte:
Brasil
em Foco Na história do Brasil, mulheres estiveram presentes em movimentações políticas e culturais desde as lutas coloniais. Mulheres negras envolveram-se na resistência à escravidão e em movimentos abolicionistas, trabalhadoras da cidade e do campo participaram das primeiras lutas sindicais, mulheres de distintas classes instituíram uma agenda de emancipação feminina desde o século XIX, exigindo direito ao trabalho, à propriedade e à herança, à educação, à criação artística e literária, à participação política e ao voto feminino - conquistado, finalmente, em 1932. Nos anos 1960, novas inquietações se instalam entre as mulheres brasileiras. Em 1964, um golpe militar instaura um regime ditatorial, cerceando liberdades democráticas e instaurando a censura e a repressão política. Paralelamente, o país se industrializa, urbaniza e moderniza aceleradamente, e alteram-se os estilos de vida, as dinâmicas familiares, os padrões de fecundidade, as formas de consumo e modos de acesso à informação. As mulheres não ficam passivas a esses acontecimentos. Engajam-se ativamente nos debates políticos e culturais da época: querem ter autoria na transformação da sociedade e das condições de sua participação nela. Movimentam-se cada vez mais pelo mundo da política, das artes, da literatura, da técnica, da ciência e da comunicação. Podemos vê-las mais e mais presentes no mundo profissional e na educação superior. Pouco a pouco sobressaem no comando da administração pública e da gerência privada. E compõem a primeira linha da resistência contra a ditadura militar. Ano 1975. A Organização das Nações Unidas o consagra como o Ano Internacional da Mulher. No bojo de suas comemorações, deslancha uma nova onda do ativismo feminista brasileiro. Mulheres organizam-se em grupos de reflexão, movimentos estudantis, movimentos urbanos, partidos clandestinos de resistência à ditadura, movimentos pela anistia, comunidades de base e sindicatos. Brasileiras retornadas do exílio vêm somar-se a elas, a partir de 1979, trazendo na mala as contribuições do debate feminista no exterior. De norte a sul do país, grupos de mulheres organizam oficinas de autoconhecimento, promovem debates, realizam manifestações de rua, fazem denúncias, publicam jornais alternativos e desenvolvem pesquisas. Nosso corpo
nos pertence! Quem ama não mata! O pessoal é político!
São motes que mobilizam corpos, corações e mentes
e que ainda ressoam nas gerações feministas mais novas!
A vida cotidiana está em transformação. Discute-se
o divórcio, a violência doméstica, a sexualidade,
o aborto, o estatuto civil das mulheres. As fronteiras entre o público
e o privado, entre o político e o doméstico - barreiras
milenares à participação política e à autonomia
das mulheres - começam a estremecer. Os anos 1970 ficaram na história
como um marco político e simbólico da formação
das gerações feministas que conduziriam a bandeira da cidadania
e da emancipação das mulheres ao século XXI. PARA ACESSAR O TEXTO COMPLETO (em HTML) - CLIQUE AQUI
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