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![]() ISSN 2176-4107 |
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Esperamos que essa edição da Revista de Saúde Sexual e Reprodutiva de Ipas Brasil, possa contribuir com reflexões que marcam a data do 25 de novembro - DIA INTERNACIONAL DA NÃO VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER. Uma delas,que destacamos nesta edição, diz respeito a mulheres grávidas de fetos anencéfalos que trilham caminhos tortuosos da lentidão da justiça e da burocracia para a antecipação do parto. O episódio da cassação da liminar concedida em julho pelo Ministro Marco Aurélio Mello que facultava o aborto de embriões anencefálicos sem específica autorização judicial no Brasil; os acontecimentos que antecederam a concessão da liminar; e a próxima votação da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental [ADPF] sobre anencefalia no Supremo Tribunal Federal, são aqui descritos. Na seção "Brasil em Foco", apresentamos o texto de Fátima Oliveira, médica, secretária-executiva da Rede Feminista de Saúde: "Repressão policial, ideológica e política contra o aborto no Brasil". Em "Ipas Global" temos a Declaração Final do Fórum Internacional sobre aborto medicamentoso realizado em 17-20 de Outubro de 2004 na África do Sul, com a participação de Ipas. Em “Reflexões e Opiniões”, trazemos a colaboração de Ana Carolina Azevêdo, especialista em Psicologia Clínica e Psicodramatista, com uma reflexão sobre a "Interrupção da gestação prevista em lei: um olhar sobre o vínculo entre médico e mulher neste cenário". Para aqueles que queiram oferecer sua contribuição para a publicação de algum artigo, eventos ou cursos a serem realizados e relacionados com nossos objetivos (saúde sexual e reprodutiva da mulher), pedimos que nos contatem através do e-mail: revista@ipas.org.br. Muito
obrigado. |
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| Nesta
Edição BRASIL
EM FOCO DIREITOS
SEXUAIS E REPRODUTIVOS EM DESTAQUE SAÚDE
SEXUAL E REPRODUTIVA REFLEXÕES
E OPINIÕES Ipas
Notícias |
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XII Congresso
Sul Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia Fórum Social
do RJ Seminário Educando
para a Igualdade de Gênero, Raça e Orientação Sexual Conferência Internacional - UNAIDS Curso Ginecologia
Endócrina Treinamento
Prático e Teórico de AMIU - Aspiração Manual
Intra Uterina ENCONTRO:
FORTALECENDO AS REDES DE SERVIÇOS PARA AS MULHERES NAS REGIÕES
METROPOLITANAS Curso Básico para o manejo clínico
do HIV/AIDS Curso de
EXTENSÃO
EM SEXUALIDADE HUMANA
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Ipas Brasil em matéria do site Beleza Pura O site Beleza Pura se insere no Portal Viva Favela (parte do projeto Viva Rio), e é voltado para a democratização da informação e inclusão digital. Esse site tem como objetivo informar, orientar e aconselhar as mulheres que vivem nas comunidades de baixa renda nas favelas e periferias brasileiras através de depoimentos, dicas e histórias que envolvem diversos temas; que vão, desde m oda e beleza até assuntos sérios e políticos como os direitos das mulheres. Nessa matéria, "Saída arriscada", a jornalista Mariana Leal faz uma série de entrevistas com mulheres de baixa renda que recorreram ao aborto e profissionais de saúde do Rio de Janeiro entre eles coordenadores, consultores e capacitadores de Atenção Pós Aborto (APA) e AMIU (Aspiração Manual Intra-Uterina) para Ipas Brasil. Para ter acesso à matéria (em html) acesse:
Vaga para Coordenador(a) de Capacitação (Profissional de Saúde) Oportunidade
para Profissional de Saúde, com 5 anos de experiência
na área de saúde reprodutiva feminina, para Planejar,
Articular, Coordenar e Monitorar, em todo o país, atividades
programáticas para capacitação de profissionais
e unidades hospitalares , em modelos de atenção com enfoque
na redução da mortalidade materna, na atenção
humanizada à mulher em situação de abortamento
e nos direitos sexuais e reprodutivos femininos.
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| Links
Recomendados ABCD AIDS Enfermeiros.net Rede Saúde
- Abaixo assinado
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Ciência
e Pesquisa Título: A
decisão de abortar: processo e sentimentos envolvidos / The
decision to abort: the process and feelings involved Título:
Gênero e violência no âmbito doméstico:
a perspectiva dos profissionais de saúde / Gender and violence
in the domestic ambit. Localização: BR526.1; R362.8292, A594g - Fonte: LILACS
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Ipas
Global Mais de 120 profissionais da area de saúde reprodutiva, de 50 países, participaram do I Fórum Internacional em Políticas, Programas e Serviços realizado em 17-20 de outubro de 2004, em Johannesburg, na África do Sul. Representando o Brasil estavam a FEBRASGO, o CFEMEA e o Ipas Brasil. O Fórum tinha por objetivo a troca de informações sobre legislações, programas e serviços relacionados com a distribuição do abortamento medicamentoso - uma técnica relativamente nova e de grande eficácia para a interrupção da gravidez, melhorando, assim, o acesso ao aborto seguro. Também conhecido como abortamento farmacêutico, pílula abortiva ou RU-486, o abortamento medicamentoso envolve a administração de agentes químicos (farmacêuticos) que levam à expulsão do conteúdo da cavidade uterina. Crescentes evidências e estudos ao redor do mundo confirmam ser esta uma técnica segura e efetiva até a nona semana de gravidez; protocolos para sua utilização após este período, ainda estão sendo desenvolvidos. O Fórum de Johannesburg foi organizado pelo International Consortium for Medical Abortion (ICMA), uma coalizão de organizações e indivíduos que trabalha há mais de três anos para promover o acesso ao abortamento medicamentoso em escala mundial. Entre os seus objetivos estão incluídos advocacy, disseminação de informações, suporte e estratégias, protocolos, treinamento curricular, informação e estratégias introdutórias quanto ao abortamento medicamentoso dentro do contexto dos serviços de saúde (aconselhamento); além do desenvolvimento de regulamentações quanto à programas e pesquisas relacionadas ao método. Os participantes do Fórum puderam rever a história, o desenvolvimento e a acessibilidade dos tratamentos; bem como, o acompanhamento de pesquisas, legislações e questões políticas.
Brasil em Foco “O
dilema não é pelo aborto ou contra o aborto. O dilema é pela
repressão como política ou pela despenalização
como política, seguida de outras coisas (...) As interrupções
da gravidez se realizam, dezenas de milhões, sem condenação
coletiva, em todos os estratos sociais. Há um texto legal
que está desautorizado pela prática concreta de nossa
sociedade.” Foi publicada matéria sobre o julgamento de uma mulher que realizou auto-aborto, em 1997, no Distrito Federal [Correio Braziliense, 1º/6/04, Processo nº 19990910012992. Revista Consultor Jurídico, 2/7/04], e veicularam-se notícias de prisões de pessoas que ajudam mulheres a abortar. Prisões de médicos, “ enfermeiras”, “batidas” e fechamento de clínicas clandestinas de aborto podem ser analisadas como uma “neocaça às bruxas”, ou seja, um “cerco apertado” das forças conservadoras contra o direito de decidir das mulheres, no contexto de recrudescimento do fundamentalismo religioso em todo o mundo. Tenho dito que o aborto – expressão radical de resistência – é uma experiência milenar de milhões de mulheres, que expõe dilemas morais e visibiliza que não é ético obrigar a mulher a levar adiante uma gravidez quando ela não quer ou não pode. As interdições ao aborto não impedem sua realização, apenas tornam-no clandestino e inseguro, penalizando as pobres, que recorrem aos piores lugares, arriscando a saúde e a vida. Para alguns setores religiosos o benefício do respeito à alteridade não se aplica ao aborto e, condizente com o clima de caça às bruxas do aborto – tecido e urdido em âmbito mundial pelos chamados pro life, tramita no Congresso Nacional o PL 849/2003, do deputado Elimar Máximo Damasceno (Prona-SP), que visa legalizar a delação, pois “autoriza o Poder Executivo a criar central de atendimento telefônico destinada a atender denúncias de abortos clandestinos”. No momento, tramitam no Congresso nacional 28 projetos de lei sobre aborto, dos quais 14 são contrários ao procedimento em diferentes níveis.
Direitos
Sexuais e Reprodutivos em Destaque Desde julho deste ano, quando Ministro Marco Aurélio Mello emitiu a liminar que facultava o aborto no caso de gravidez de embriões anencefálicos sem específica autorização judicial, a discussão sobre o aborto previsto em lei para casos de antecipação terapêutica do parto tomou novas dimensões atingindo a opinião pública e a grande mídia. Meses depois, em outubro de 2004, nova decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a liminar por sete votos a quatro. Foram 4 meses de muita pressão por parte da Igreja, políticos e religiosos mediante a decisão do STF. No entanto, a história do processo da aprovação e cassação da liminar é longa, árdua, solitária e requer muita coragem. Segundo Debora Diniz, da ONG ANIS, uma das principais articuladoras do movimento a favor da aprovação legislativa do aborto para casos de anencefalia fetal: “Estima-se que três mil processos foram autorizados no país desde 1989, não sendo este número representativo do total de casos, uma vez que nem todas as mulheres anteciparam o parto tendo solicitado autorização judicial. Grande parte dos processos que chegaram a Justiça são de mulheres de baixa renda e usuária do sistema público de saúde, onde a legalidade era a condição de possibilidade para a execução do procedimento médico necessário. Há registros de autorizações em todas as regiões do país, com uma concentração nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e o Distrito Federal” . Fatos reais foram divulgados pela à mídia relatando situações e emoções vividos por mulheres grávidas de fetos anencefálicos que tinham seu pedido de interrupção da gravidez negados pela justiça; ou adiados até o nascimento da criança e sua subseqüente e inevitável morte; para o sofrimento das mães. Ainda hoje, casos e relatos como o de R.M.S.G., abaixo, povoam os jornais e revistas nacionais: "Grávida pela primeira vez, e de um feto anencefálico, R.M.S.G., de 27 anos, do Rio, teve o bebê na semana passada, pouco tempo antes de completar nove meses de gestação. O parto ocorreu quase três meses após ela ter entregue à Justiça o pedido de direito ao aborto e vê-lo negado. "Ela começou a sentir dor e teve o bebê, que não sobreviveu. Ela já sabia que isso ia acontecer e, por isso, pediu para adiantar o parto. Mas teve de esperar pela Justiça", contou a sogra, que também pediu para não ser identificada. "Só sei que agora, finalmente, tudo acabou."[O Estadão - Cidadania / Vida, pág. A-15 , 22 de outubro de 2004] Em Março de 2004, Gabriela de Oliveira Cordeiro, de 19 anos, recorreu a justiça a fim de interromper sua gestação de um feto anencefálico. Graças à coragem dos pais e da promotora Soraya Taveira Gaya que defendeu o direito de escolha de Gabriela até o fim, o caso chegou ao STF. Esse processo já se arrastava pelos tribunais e fóruns há aproximadamente 5 meses e, infelizmente, a criança nasceu antes que o STF chegasse a uma decisão. A criança recebeu o nome de Maria Vida e morreu sete minutos depois de nascer.
Saúde
Sexual e Reprodutiva Esse texto visa contribuir para as reflexões em torno do tema da violência sexual e doméstica contra as mulheres no Brasil, através de alguns projetos contra a violência à mulher desenvolvidos por Ipas Brasil. Também visa oferecer referências com relação à modificação de leis; bem como apresentar resultados de pesquisas ocorridas ao longo desses últimos anos. Cooperando, assim, com a solução da problemática de violência sexual e doméstica no Brasil. O dia 25 de novembro é dedicado a Não Violência Contra a Mulher. Originalmente estabelecido em 1981, no Primeiro Encontro Feminista Latino Americano e do Caribe, foi escolhida essa data a fim de homenagear três mulheres militantes da República Dominicana: Pátria, Minerva e Maria Tereza Mirabal, que, por se oporem a ditadura de Trujillo, foram emboscadas quando seguiam por uma estrada em 25 de novembro de 1960 e mortas à pauladas. Para manterem as aparências as autoridades simularam sua morte como decorrente de um “acidente” ocorrido na estrada. Em 1994 as Nações Unidas designaram essa data como o Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher. No Brasil, assim como na América Latina, a violência sexual e doméstica é um grave problema de saúde pública. Estima-se que a cada 15 segundos uma mulher é violentada no país (Pesquisa Perseu Abramo, 2001). Os crimes mais denunciados, nas delegacias de mulheres são lesões corporais e ameaças. O Ministério da Saúde vêm criando serviços especializados no atendimento integral a mulheres vítima de violência sexual, desde 1989. O primeiro serviço de referência divulgado nacionalmente foi o Hospital Jabaquara em São Paulo. Infelizmente, o medo e a vergonha aliados à carência dos serviços de saúde e das delegacias especializadas no atendimento à mulher em situação de violência impedem a denúncia, a prevenção e os tratamentos dos problemas decorrentes da violência. Esses fatores dificultam o registro e a real dimensão da violência contra a mulher no país. Estudos e pesquisas encomendados pelo Ministério da Saúde e pela ONU, apontam que a violência doméstica e sexual atinge milhares de brasileiras, independente de sua idade ou classe social; além da maioria dos casos, ocorrer dentro de casa tendo como agressores os próprios maridos, companheiros ou pessoas conhecidas. A fim de contribuir com a redução desse problema, Ipas Brasil vem desenvolvendo projetos na área da detecção, prevenção e assistência integral de qualidade para serviços de apoio junto a casos de violência contra a mulher nos últimos anos; a maioria deles no Norte do Brasil: O Projeto "AMPARO" em Rondônia e "Caminhos Trilhados" em Rondônia e no Pará são alguns deles.
Reflexões
e Opiniões As idéias que aqui compartilho foram apresentadas numa mesa redonda do Seminário Estadual de Atendimento à Mulher Vítima de Violência Sexual e Doméstica em Outubro de 2001 - Macapá/AP, a partir de entrevistas que realizei com médicos, que trabalham em serviços de referência no atendimento à mulheres em situação de violência na cidade de Recife. Em Novembro deste mesmo ano até o final de 2002, fiz parte, como docente, do Projeto "Nem com uma flor - Assistência Integral à Mulher em situação de Violência Doméstica e Sexual". O programa (uma parceria do Grupo Curumim com a Prefeitura da Cidade do Recife) visava capacitar profissionais e trabalhadores da saúde para se constituírem enquanto parte integrante da rede de atendimento naquele contexto Respaldando-me no Psicodrama (método de intervenção terapêutica que tem os grupos e seus fenômenos como elemento-chave do nosso trabalho), os caminhos que percorri no acompanhamento aos grupos de profissionais, instigaram-me a focalizar algumas movimentações e respostas de médicos e mulheres e o vínculo estabelecido entre eles, especialmente quando o tema que permeia este vínculo é a violência sexual e uma conseqüente gravidez indesejada. Para mim, a proposta do treinamento sempre ultrapassa o conteúdo formal apresentado aos grupos, ampliando-se o campo de observação para a forma como o grupo se relaciona com o conteúdo e qual a perspectiva de integrá-lo ao seu cotidiano profissional. No que diz respeito à atuação médica, apesar dos dispositivos de lei que respaldam a sua atuação, das proposições da Bioética, da inserção da violência como um fenômeno de saúde pública, ainda é muito freqüente, entre os profissionais de saúde, expressões de recuo, titubeio, negação ou pouca disponibilidade para envolvimento com temas como a violência e o abortamento. Sem dúvida, na grande maioria das vezes, não se trata de despreparo técnico para realização do abortamento, não se trata da ausência ou desconhecimento do respaldo jurídico, nem de descaso com o sofrimento da mulher... o que pode contemplar esses movimentos? O que torna muitos profissionais como meros observadores de uma trajetória que pode trazer graves conseqüências para a vida afetiva, biopsíquica e social desta mulher?
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| Conselho Editorial | ||
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Osmar
Colás Oswaldo José Queiroz Dias Rivaldo Albuquerque Roberto Benzecry Sônia Dantas Sônia Madi Valéria Pandjiarjian Vera Rolim |
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Revista
de Saúde Sexual e Reprodutiva IPAS BRASIL |
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| Coordenação
Editorial - Leila Adesse
Editor - Jefferson Drezett Editoração - Alessandra Foelkel Editores Associados - Cristião Fernando Rosas e Roberto Benzecry |
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