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ISSN 2176-4107 Editorial Nessa semana, estarão sendo realizadas atividades em todo o país, na América Latina e no Caribe como parte da Campanha 28 de Setembro - Dia pela Descriminalização do Aborto na America Latina e no Caribe. No Brasil, a Rede Feminista de Saúde juntamente com o Ipas Brasil promoveram no dia 24 de setembro dois foruns de debates, um em Porto Alegre e outro no Rio de Janeiro que visam promover a discussão com a sociedade sobre a prática do abortamento realizado em situações insalubre e a importância da descriminalização desta prática. Além desses e outros eventos que ocorrem durante essa semana, a Revista Eletrônica de Ipas Brasil traz ainda uma matéria com o posicionamento de Telia Negrão, secretária executiva da Rede Feminista de Saúde no Brasil sobre o cenário nacional com relação ao debate sobre o aborto e a sua descriminalização, além de um histórico da data e do cenário atual no país em relação ao tema. Igualmente marcante foi o Seminário "Saúde, Direitos Sexuais e Reprodutivos: subsídios para as políticas públicas”, ocorrido no dia 24 de agosto, na UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro, e sobre isto apresentamos os links da apresentação da ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, concedido através do site da Biblioteca da Escola Nacional de Saúde Pública, além do texto e o link para coleta de assinaturas da Carta do Rio de Janeiro "Pelos Direitos Sexuais e Reprodutivos pela Eqüidade de Gênero e em Defesa do Estado Laico" que apresenta uma posição de apoio de todos os participantes do seminário em relação às políticas públicas e ações em defesa dos direitos sexuais e reprodutivos no Brasil. Nesta edição, contamos ainda com o texto da Desembargadora Maria Berenice Dias, lembrando o Aniversário da Lei Maria da Penha, além do texto de Debora Diniz (Professora da Universidade de Brasília), “Severina e Cacilda”, publicado no jornal O Correio Braziliense que faz uma análise sobre os dois casos de projeção nacional sobre anencefalia - Severina e Cacilda. Em Ipas Notícias trazemos, ainda, uma nota sobre a situação jurídica do aborto terapêutico da Nicarágua e o vídeo desenvolvido pelo "Grupo Estrategico por la Despenalización del Aborto"; além do release de informações sobre o do evento que ocorrerá em Londres em outubro deste ano e terá a participação de do Ipas. Agradeço mais uma vez as contribuições oferecidas para a editoração desta edição Muito
obrigada |
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| Nesta
Edição BRASIL
EM FOCO DIREITOS
SEXUAIS E REPRODUTIVOS SAÚDE
SEXUAL E REPRODUTIVA "Saúde
da
Mulher
Brasileira:
desafios
e
perspectivas" REFLEXÕES
E OPINIÕES Ipas
Notícias e clippings |
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ATO
PELA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO – SÃO
PAULO ATO PELA
LEGALIZAÇÃO DO ABORTO EM PORTO
ALEGRE CAMPANHA
28 DE SETEMBRO –LONDRINA - PARANÁ CAMPINAS – SÃO
PAULO - 24 a 27 de setembro Ato em Brasília – 28
de setembro Ato do Rio de Janeiro – 28 de setembro Recife -
Vigílias pela Legalização
do Aborto - 28 de setembro Curitiba – Seminário
dia 28 sobre Mortalidade Materna Encontro Nacional de Direitos Humanos, a ser realizado nos dias 24, 25 e 26 de setembro, no auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, terá como tema segurança pública, justiça e cidadania. As inscrições poderão ser feitas pela internet (www.camara.gov.br) ou pessoalmente, na véspera e no primeiro dia do encontro. Serão emitidos certificados de comparecimento. A entrada nas atividades será gratuita. Outras informações podem ser obtidas pelos telefones (61) 3216 6570, 3216 6571 e 3216 6572. V
COBEON - Congresso Brasileiro de Enfermagem Obstétrica
e Neonatal 1º Encontro
de Enfermagem Ginecológica do Estado do Rio de Janeiro VII
Congreso Iberoamericano de Ciencia, Tecnología y Gênero
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No Brasil, a criminalização do aborto e as altas taxas de mortalidade materna por aborto inseguro representam violações de direitos humanos e de cidadania das mulheres. A ilegalidade contribui para a morte de mais de um milhão de mulheres e condenando centenas a seqüelas de abortos realizados em condições adversas e de risco à saúde, sendo agora finalmente reconhecido por autoridades como um problema de saúde pública. Nos próximos dias várias instituições desenvolverão atividades para marcar o Dia 28 de Setembro, data em que anualmente é realizada a Campanha pela Despenalização do Aborto na América Latina e Caribe. Várias ações serão realizadas pelos Estados através das regionais da Rede Feminista de Saúde, dos fóruns e redes de mulheres, ONGs, apresentando os motivos, as circunstâncias, as conseqüências do abortamento clandestino na vida das mulheres e o que precisa ser feito para mudar essa realidade. O Ipas e a Rede Feminista de Mulheres organizaram fóruns nas cidades do Rio de Janeiro e Porto Alegre no dia 24 de setembro para discutir o assunto. O Dia de Luta pela descriminalização do Aborto na América Latina e Caribe foi instituído após uma oficina sobre aborto realizada durante o V Encontro Feminista Latinoamericano e Caribenho, realizado em San Bernardo, na Argentina, em 1990. Em 1993, em reunião promovida pela Rede de Saúde de Mulheres Latinoamericanas e Caribenhas e coordenada pelas Católicas pelo Direito de Decidir, foi criada a Coordenação Regional, que seria responsável pela Campanha do 28 de setembro. Com diversos enfoques, entre eles a modificação das legislações punitivas sobre o aborto; a construção e atualização de uma fala pública feminista em defesa da legalização do aborto; e a formação de alianças e ampliação da base de sustentação, a campanha tem conquistado importantes vitórias e adesões. Desde a criação da mobilização, vem ocorrendo um grande investimento por parte do movimento de mulheres de diversos países para consolidar um espaço de articulação política regional com a finalidade de ampliar a luta pelo direito ao aborto. A defesa dos direitos sexuais e reprodutivos, a humanização da atenção nos serviços de atenção à saúde e a luta pela diminuição da mortalidade materna por aborto inseguro são finalidades globais que servem de moldura para essa campanha. A experiência brasileira na luta pelo direito à autonomia reprodutiva tem sido uma referência importante para a região. As ações visando garantir o acesso das mulheres e jovens aos serviços de aborto legal e ampliar e qualificar os debates no Legislativo têm colocado o tema do aborto na agenda política, na sociedade e na mídia brasileira. Também há reconhecimento do avanço que se teve com a implementação da Norma Técnica do Ministério da Saúde “ Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual Contra Mulheres e Adolescentes”. CENÁRIO FAVORÁVEL Pela primeira vez, um ministro de Estado foi tão explícito abordando a questão como problema de saúde pública, sem crenças religiosas. Temporão utilizou-se de dados da Organização Mundial da Saúde e por pesquisas do próprio Ministério da Saúde, e afirmou que as condições em que o aborto é realizado no Brasil, número entre 1milhão a 1,5 milhão, resultando em 250 mil curetagens pós-aborto, através do Sistema Único de Saúde, colocam o problema no âmbito da saúde pública. E, hoje, questões como a quebra da resistência médica, da objeção da consciência tornaram-se mais presentes como pauta dos encontros dos movimentos de mulheres e de feministas justamente por ainda representarem um entrave ao atendimento humanizado que as mulheres devem receber quando chegam ao SUS necessitando de atendimentos físico e psicológico. A secretária executiva da Rede Feminista de Saúde, Télia Negrão, avalia o problema ainda enfrentado por muitas mulheres que procuram os serviços nos casos de abortamento legal. “É necessário que haja uma separação das convicções religiosas no exercício da profissão quando se trata de serviços públicos, e no Brasil é no Sistema Único de Saúde onde ocorrem os atendimentos do aborto legal.“As mulheres estão sendo penalizadas, há um recorte de classe e de raça, as mais pobres são as que se expõem mais em clínicas clandestinas sem condições sanitárias adequadas”.
Lançado vídeo pró-despenalização do aborto terapêutico na Nicarágua Em outubro de 2006, a assembléia nigaraguense votou pela ilegalização do aborto em qualquer circunstância; repelindo o Artigo 165 do Código Penal. Esse artigo previa a legalização para “aborto terapêuticos” caso a vida da mulher estivesse em perigo. A Nicarágua se tornou, então, a terceira nação da América Latina a proibir completamente o aborto em qualquer circunstância, se juntando assim ao Chile e a El Salvador. Desde então, movimentos feministas aliados a Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia e de Direitos Humanos vêem propondo atividades e desenvolvendo ações que visem a despenalização do aborto terapêutico. Essas organizações que integram o "Grupo Estrategico por la Despenalización del Aborto" asseguram que a proibição põe em perigo a vida de muitas mulheres que recorrem a práticas inseguras para interromper a gravidez. Em um recente informe de Ipas, sugere-se que; a cada ano, ocorram cerca de 32.000 abortos na Nicarágua e que aproximadamente 5.500 mulheres recorram aos serviços de saúde públicos para tratarem de complicações devido ao abortamento inseguro. Além disso, dentro as ações da "Campaña contra la penalización del Aborto Terapéutico" , foi lançado um vídeo que procura alertar sobre as consequências que a proíbição do aborto terapêutico implica na vida da mulher bem como as implicações legais para os profissionais de saúde. Após a anulação na Assembléia Nacional, estabeleceu-se penas de entre quatro e oito anos de cárcere para as mulheres que recorram à interrupção da gravidez, assim como para os médicos que o realizem. Veja
o vídeo: FONTES: http://www.ipas.org.br/revista/nov06#Nicaragua http://www.pangea.org/epueblos/modules.php?name=News&file=print&sid=555
LONDRES, 17 de setembro
- A Marie Stopes International Global Conference
on Safe Abortion: Whose Right?
Whose Choice? Who Cares? (Conferência
global sobre o aborto seguro da Marie Stopes International: Direito de quem?
Escolha de quem? Quem se importa?), que será realizada em Londres
em outubro, atraiu alguns palestrantes extremamente conhecidos do público,
incluindo a nova Sub-Secretária de Estado para o Desenvolvimento Internacional
do DfID "Esta é a primeira de todas as conferências globais
que é dedicada especificamente a esta questão crítica
sobre a saúde reprodutiva
e direitos das mulheres e é, portanto, significativa tanto por razões Outros importantes
palestrantes plenários incluem
a Membro do Parlamento, Christine McCafferty, Presidente do All Party Parliamentary
Group on Population (Grupo Parlamentar de Todos os Partidos sobre a População);
o Prof. Fred Sai de Gana; Gill Greer, Diretor Geral da International
Planned Parenthood Federation (Federação Internacional
de Paternidade Planejada); a Dra. Eunice O 40º aniversário da Lei do Aborto britânica de 1967 acontecerá somente alguns dias após a conferência. Os organizadores também reuniram uma impressionante série de palestrantes nacionais, incluindo Lorde David Steel, que na qualidade de um jovem Membro do Parlamento britânico, apresentou o projeto de lei como membro independente do Parlamento, o qual se tornou a Lei de 1967; Marie O'Riordan, Editora da influente revista Marie Claire e Barbara Hewson QC, uma advogada de destaque que representou clientes em um grande número de importantes casos judiciais relacionados com o aborto. A conferência, em associação com o Ipas e com o
Abortion Rights, será realizada no QEII Conference Centre em Londres
em 23-24 de outubro. Para mais informações e inscrições,
visite o endereço: http://www.globalsafeabortion.org .
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Por
la despenalización del aborto (Argentina) O
Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, participou
no dia 15/6, da XXII Reunião dos Ministros da
Saúde no MERCOSUL (RMS). A reunião dos Ministros da Saúde
do MERCOSUL foi estabelecida em 1995, pelo Conselho do Mercado Comum
(CMC) do bloco regional. Estiveram presentes ainda os representantes
da saúde dos Estados Partes MERCOSUL (Argentina, Paraguai e
Uruguai) e, na qualidade de Estados Associados, Bolívia,
Chile e Equador. Com
o objetivo de estabelecer políticas de
saúde, programas
prioritários e estratégias de ações conjuntas,
o encontro foi realizado na cidade de Assunção, República
do Paraguai. Os ministros analisaram acordos apresentados pelo Comitê Coordenador,
durante a Reunião Preparatória, que aconteceu nos dois
dias que antecederam o encontro. De acordo com informações
da Agência Saúde
de Notícias, os ministros também analisaram os seguintes
acordos:
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Ciência
e Pesquisa Localização:
LILACS
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| Destaque
Global Vengo a hablar de un cambio cualitativo muy significativo puesto que la región de América Latina y el Caribe ha sido particularmente restrictiva de los derechos reproductivos de las mujeres. Después de más de cinco siglos de resistencia política y cultural, constatamos que la agenda religiosa fue un instrumento poderoso para lograr la colonización de nuestro continente, pero además, para someter los poderes públicos a regulaciones católicas que en muchas ocasiones contravienen las necesidades sociales de nuestros pueblos. Los procesos
de independencia y de formación de los Estados-nación
estuvieron orgánicamente vinculados a la separación de
la Iglesia y el Estado. A diferencia de otras regiones, en América
Latina el Estado Laico es indisociable del establecimiento de las Repúblicas
Independientes y no puede separarse de la democratización política. En esta ocasión voy a centrarme en señalar el valor actual del Estado Laico como cimiento para garantizar el derecho a la maternidad voluntaria y a decidir sobre el aborto. También hablaré del papel de las instituciones públicas en la reciente reforma legal que autoriza la interrupción legal del embarazo en la Ciudad de México. Finalmente me referiré al contexto político y a lo ocurrido en estos cuatro meses durante los cuales se han estado ofreciendo servicios de interrupción del embarazo en los 14 hospitales públicos de esta enorme metrópoli. Laicidad En la esfera política la laicidad tiene al menos tres sentidos: la no intervención del Estado en cuestiones religiosas, la separación del poder de la Iglesia y del Estado, y el sentido de neutralidad de las instituciones estatales. Permítanme revisar estas dimensiones y ejemplificarlas con el caso de la despenalización del aborto en la Ciudad de México. ...
Brasil
em Foco 23 de agosto de 2007: A cada ano, no Brasil, cerca de 250.000 mulheres e meninas são hospitalizadas devido a complicações resultantes de abortamentos inseguros. Embora o abortamento seja considerado um crime no Brasil, permitido legalmente apenas para salvar a vida da mulher ou em casos de estupro, centenas de milhares de mulheres se submetem a abortamentos anualmente. Estes abortamentos são, geralmente, realizados por prestadores de serviços não treinados formalmente ou sem supervisão médica adequada. O problema está tão disseminado que até mesmo o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Ministro da Saúde José Gomes Temporão reconheceram ser o abortamento inseguro um importante problema de saúde pública, e propuseram uma revisão da legislação sobre o abortamento. Um estudo recente realizado pelo Ipas e o Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro avaliou a magnitude do abortamento no Brasil, com o objetivo de reunir mais informações sobre onde e para quem o abortamento inseguro representa um grave risco para a saúde. Este é o primeiro estudo realizado em mais de uma década com o intuito de examinar o impacto do abortamento inseguro no Brasil, e ele acontece em um momento importante, quando vem ocorrendo um aumento da discussão pública sobre o abortamento no país. Os pesquisadores examinaram os registros dos hospitais do Ministério da Saúde, de 1992 a 2005, e chegaram a alguns resultados significativos que poderão contribuir para o debate, segundo a expectativa do Ipas Brasil. • Embora a incidência do abortamento tenha decaído
na última década, três em cada dez gravidezes terminam
em abortamento. Os estados do Acre e Amapá têm os mais altos índices
de abortamento, com mais de 40 abortamentos para cada 1.000 mulheres
com idade entre 10 e 49 anos. As taxas de abortamento nos estados do
Sul e Centro-Oeste são significativamente mais baixas, geralmente
inferiores a 20 abortamentos para cada 1.000 mulheres. Esta parte do
país apresenta uma tendência a ter uma população
um pouco mais saudável do que a do Norte. Dra. Leila Adesse, Diretora do Ipas Brasil, considera a prevenção uma atitude fundamental para abordar a questão do abortamento inseguro: "Se queremos reduzir as mortes e lesões causadas pelo abortamento inseguro, precisamos garantir o acesso à informação e aos serviços de planejamento familiar." O estudo conclui que é necessário realizar mais pesquisas para compreender melhor as causas desta tão disseminada incidência do abortamento inseguro, assim como os motivos das diferenças significativas encontradas entre as diversas regiões do país, os grupos etários e as raças. No entanto, uma conclusão nítida é que a legislação restritiva sobre o abortamento não impede que ele ocorra; apenas o conduz para a clandestinidade, tornando-o mais perigoso. Por esta razão, o Ministro da Saúde e o Presidente Lula propuseram a realização de uma revisão da legislação brasileira sobre o abortamento no Parlamento e entre a população em geral. "Este estudo é ainda mais importante agora, momento em que
o Brasil se encontra em uma encruzilhada; o abortamento inseguro é um
problema de saúde e precisa ser enfrentado como tal," disse
a Dra. Adesse. "É encorajador que os políticos possam
apoiar uma mudança da lei."
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