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ISSN 2176-4107 Editorial O 28 de setembro é o dia
de luta pela descriminalização
do aborto na América Latina, data instituída no V Encontro
Feminista Latino Americano e Caribenho, em 1990. Anualmente, é celebrado
pelos movimentos de mulheres da região com enfoques principais
na mudança das legislações punitivas sobre o aborto;
na ampliação da base de apoio social e na efetividade do
acesso ao aborto seguro nos casos previstos em lei. • Campanha
da Anis pelo "DIREITO À ANTECIPAÇÃO
TERAPÊUTICA DO PARTO EM CASOS DE ANENCEFALIA" |
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| Nesta
Edição BRASIL
EM FOCO DIREITOS
SEXUAIS E REPRODUTIVOS SAÚDE
SEXUAL E REPRODUTIVA REFLEXÕES COLUNA: "Análise
da jurisprudência em matéria de direitos sexuais e
reprodutivos na perspectiva dos direitos humanos" Ipas
Notícias e clippings Links
Recomendados: O site da campanha "Mais Mulheres no Poder: Eu Assumo este Compromisso!" é ampliado e traz pesquisa sobre mulheres no Executivo Estadual http://www.maismulheresnopoderbrasil.com.br/ Matéria sobre
as campanhas de Anencefalia no G1.com.br: "Campanha
pró-aborto de feto sem cérebro pressiona STF a decidir
este ano" Ciência
e Pesquisa |
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OUTUBRO XIX FIGO
World Congress of Gynecology & Obstetrics Seminario "Salud Sexual y Reproductiva en América
Latina- Avance e insuficiencias a la luz de El Cairo +15 y los Objetivos
de Desarrollo
del Milenio" X CONFERÊNCIA IBEROAMERICANA DE EDUCAÇÃO EM ENFERMAGEM – PANAMÁ Congresso
Brasileiro de Saúde
Coletiva NOVEMBRO PRIMER CONGRESO
LATINOAMERICANO JURÍDICO SOBRE DERECHOS REPRODUCTIVOS 53º congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
de BH MULHERES
NEGRAS E SAÚDE V Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero
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CISAM-UPE
promove o 1º Simpósio de Direitos Humanos Na semana
do Dia da Visibilidade Lésbica, comemorado
em 29 de agosto, o Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros,
da Universidade de Pernambuco, promoveu seu 1º Simpósio de
Direitos Humanos. O evento contou com a presença da diretora do
CISAM-UPE , Fátima Maia, da representante do Fórum de Mulheres
de Pernambuco, Márcia Ramos, da representante do Fórum
LGBT , Chopelli Glauston, e do coordenador da Frente Parlamentar pela
Cidadania LGBT, Cristiano Oliveira, que integraram a mesa de abertura. Fotos do evento:
Organizações
da sociedade civil lançam documento-marco sobre atenção integral
aos homens na saúde No mesmo
dia 27 de agosto, em que o Ministério da Saúde lança
a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde
do Homem, a sociedade civil organizada, por meio da Rede de Homens
pela Equidade de Gênero (RHEG), publica o documento-marco “Princípios,
diretrizes e recomendações para uma atenção
integral aos homens na saúde”.
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• Sobre o Seminário sobre Direitos Reprodutivos e o sistema judiciário - materiais distribuidos no evento do CCR e a apresentação "Instrumentos jurídicos e o aborto nos tribunais brasileiros", de Tamara A. Gonçalves e Thais de S. Lapa. • O
site da campanha "Mais
Mulheres no Poder: Eu Assumo este Compromisso!" é ampliado
e traz pesquisa sobre mulheres no Executivo Estadual http://www.maismulheresnopoderbrasil.com.br/ • Matéria
sobre as campanhas de Anencefalia no G1.com.br: "Campanha
pró-aborto de feto sem cérebro pressiona STF a decidir
este ano"
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Ciência
e Pesquisa Na pesquisa de opinião realizada pelo CFEMEA com parlamentares da legislatura 2007-2011, 15 perguntas se referiram especificamente a aspectos da saúde reprodutiva das mulheres brasileiras. Ao todo foram entrevistados 321 parlamentares. Em breve você poderá ter acesso à publicação com a pesquisa na íntegra, além de nossos comentários aos resultados, através do site do www.cfemea.org.br Alguns resultados prelimares abaixo: ... Leia a matéria completa através do link:
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| Global Luzes e sombras em 2008 - 2009
Brasil
em Foco Há mais
de três anos tramita no Congresso Nacional o projeto
de lei, elaborado por uma comissão tripartite, o qual recomenda
a descriminalização do aborto no Brasil por entender a
prática como um problema de saúde pública e que
deve ser tratado no âmbito das políticas sociais desta área.
Paralelamente, o país vivencia a radicalização dos
setores religiosos em torno da temática relativa aos direitos
reprodutivos. Em janeiro do ano passado, o ex-arcebispo de Olinda e Recife,
Dom José Cardoso, tentou impedir a distribuição
da contracepção de emergência durante o carnaval
nos dois municípios, utilizando argumentos do direito canônico
e ameaçando a excomunhão de fiéis que utilizassem
métodos contraceptivos. Ainda no primeiro semestre, a Vara do
Tribunal do Júri do Mato Grosso do Sul indiciou 9.896 mulheres,
acusadas de provocarem abortamentos. Apesar de toda esta movimentação,
pouco se discute seriamente o assunto, e quando é pautado nos
mass media, o tema geralmente surge com fontes primárias (polícia, órgãos
públicos, etc), sem contemplar as diversas vozes e posicionamentos,
envolvidos na problemática. Assim sendo, o projeto
também tem como objetivos: produzir informações
e dados sobre o impacto da ilegalidade do aborto na saúde, na
vida das mulheres, nos serviços de saúde e no Sistema Único
de Saúde (SUS); divulgar os resultados do levantamento para deputados
estaduais, gestores locais, representantes do Ministério Público
estadual, Conselhos de Saúde, Comitê Estadual de Mortalidade
Materna e outros; apontar recomendações para que os parlamentares
apóiem projetos de lei visando à revisão da legislação
punitiva em relação ao aborto do nosso ordenamento jurídico
tomando como referência a proposta elaborada pela Comissão
Tripartite em agosto de 2005. O ineditismo dos dados, somado a denúncia de ilegalidade no funcionamento da principal maternidade do sertão, responsável pelo atendimento de mais de 50 municípios, poderia ser considerado fato noticiável interessante. Mas nenhum dos jornais impressos publicaram matérias. Uma repórter ainda nos questionou sobre a possibilidade de um dos concorrentes, que não esteve na coletiva, publicar (ou não) a matéria. Ao perguntarmos o motivo da ligação em horário de fechamento de caderno, ela desconversou. Um outro radialista queria abordar a situação das maternidades, mas destacou a necessidade da pesquisadora não falar da situação das mulheres em situação de abortamento. A entrevista não aconteceu. A postura da imprensa, na verdade, não foi muito diferente da adotada nos atos públicos que acontecem no Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização do Aborto (28 de setembro), quando, geralmente, aparecem jornalistas, no entanto o fato não é noticiado. Tal prática rotineira nos jornais se apresenta como formas de controle dos discursos ou, como classificaria Michel Foucault [1], são os sistemas de exclusão. O aborto se enquadra nos três tipos de interdições, apresentados pelo autor. São estes: 1) o tabu do objeto que diz respeito, basicamente, a sexualidade e a política. Ou seja, trata-se de temas sobre os quais é possível pensar, porém não “devem” entrar no discurso; 2) ritual da circunstância, determinante das falas públicas que só devem ser proferidas em circunstâncias específicas; e 3) o direito privilegiado ou exclusivo do sujeito que fala: uma ligação estabelecida sobre as fontes mais “confiáveis” para abordar determinados assuntos, centralizando vozes e unificando discursos. Todos estes tipos de interdições se concretizam como uma violação ao direito humano à comunicação, visto que excluem temáticas de interesse público e calam atores sociais importantes para o amplo debate de um determinado assunto. O impacto social
das interdições, promovida pela mídia
ou outras instituições, também se revela, ainda
que indiretamente, em alguns números da pesquisa. Anualmente,
acontece aproximadamente um milhão de abortos no Brasil. Em 2003,
o aborto foi a quarta causa de morte materna no Recife e a primeira de
Petrolina. As unidades visitadas não dispunham de serviço
de planejamento familiar, obrigatório segundo as normas técnicas
do Ministério da Saúde, para o atendimento pós-aborto.
Muitos profissionais se recusam a atender pacientes em situação
de abortamento, adotando métodos como a triagem dos casos e deixando
estas como os últimos atendimentos. O tabu faz com que grande
parte não saiba utilizar (e não tenha interesse em participar
de capacitações) sobre a Aspiração Manual
Intra-uterina, indicada para o aborto seguro. E, por falar neste, em
Petrolina, os profissionais desconheciam as normas sobre o aborto seguro.
O Nordeste, de acordo com pesquisa do Instituto de Medicina Social da
Universidade Estadual do Rio de Janeiro, concentra as maiores índices
de complicações advindas do aborto inseguro. A falta de
informação é latente. O juízo de valor é latente na abertura, no entanto, a citada matérias aborda o “descaso com as mulheres no interior”, seguindo à baila das informações e pesquisas do projeto e do Ministério da Saúde, também favorável a descriminalização do aborto. O desconhecimento do assunto também foi visível em outras reportagens que confundiam “aborto inseguro” com “aborto ilegal”, ou em algumas que preferiram excluir a palavra “aborto” (em abordagens sobre este assunto, frisamos), substituindo por “gestantes” ou encaixando o termo “morte materna”. Na análise do material veiculado também é preciso
fazer duas breves observações sobre uma aparente geografia
da credibilidade e a cultura do CTRL C + CTRL V. Para emplacar pautas
nacionais sobre o assunto local, as assessorias do CFEMEA (DF), do IPAS
(RJ) e do Grupo Curumim (PE) trabalharam de forma articulada, durante
a audiência na Câmara dos Deputados. A pauta foi elaborada
conjuntamente e distribuída aos nossos mailings de Pernambuco,
Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Os portais de notícias
locais preferiram, ainda assim, publicar os conteúdos publicados
na Agência Brasil, Agência Estado e Uol, sem consultar as
fontes pernambucanas.
Direitos
Sexuais e Reprodutivos O aborto que significa “matar deliberadamente um embrião humano em formação” DWORKIN (2003, p.01-03), está tipificado no Código Penal Brasileiro datado em 1940, como um tipo penal punível, sendo este ato admitido somente em dois casos, quando não há outro meio de salvar a vida da gestante, ou quando a gravidez resulta de estupro, conforme dita o artigo 128, inciso II do Código Penal. Sendo assim, o objetivo presente trabalho está em estudar a recusa dos médicos da rede pública em realizar o aborto legal, em mulheres vítimas de violência sexual, por objeção de consciência, sob a dinâmica dos Direitos Sexuais e Reprodutivos da mulher. ...
Nesta publicação, pretende-se apresentar informações e dados estatísticos para esclarecer mitos que geram preconceito para as mulheres em situação de abortamento. Sob a forma de perguntas e respostas para as dúvidas mais freqüentes do cotidiano, acreditamos que este material será útil para ampliar o debate sobre o tema. A publicação será lançada oficialmente no dia 08 de outubro– quinta-feira, das de 13:00 as 17:00 hs no Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Rua Camerino n° 51, Centro, Rio de Janeiro). O objetivo do encontro será debater temas como: violência sexual, direitos reprodutivos, aborto legal e criminalização do aborto com profissionais dos Serviços de Referência de Atendimento à Mulher e da Rede de Saúde de Municípios do Estado do Rio de Janeiro, possibilitando troca de informações e integração desses profissionais. ...
Reflexões No Brasil, a situação da mortalidade materna continua sendo preocupante. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2006 o país teve 1.623 casos. Hipertensão, hemorragias, infecção puerperal e aborto seguem sendo as principais causas de morte materna no Brasil. No entanto, dependendo do estado do país, as causas mudam. Somente nas últimas semanas, o país assistiu, pela imprensa, ao desespero de três famílias no Rio de Janeiro que perderam uma filha grávida e três bebês por não terem as mulheres sido atendidas no serviço público de saúde. No primeiro caso, o da jovem Manuela da Costa, de 29 anos, o médico plantonista do Hospital Miguel Couto escreveu em seu braço, a caneta, o nome da maternidade e o número do ônibus para onde deveria ir, apesar de ela estar em estado grave. O bebê, de sete meses, morreu. Junto com Manuela, outras duas grávidas também tiveram seus braços marcados pelo mesmo médico. No segundo caso, mãe e filho morreram na porta do Hospital da Posse, depois da gestante ter sido recusada por não haver vaga na UTI do hospital. A mãe tinha 31 anos e o bebê, nove meses. Em Niterói, Joelma dos Santos, de 24 anos, grávida de nove meses, também perdeu o bebê depois de procurar o Hospital Estadual Azevedo Lima e ter sido orientada a procurar outra maternidade por conta própria. Na cidade de Salvador, a situação também é alarmante. Lá, o aborto vem sendo a primeira causa de morte materna há várias décadas. De acordo com os dados fornecidos pela CPI da Mortalidade Materna (relatório final, 2001), 65, 9% das vítimas eram dependentes do serviço público de saúde. Sabe-se que 98% das mortes maternas ocorrem por causas evitáveis, convertendo um problema de saúde pública em um problema de justiça social de grandes proporções. Uma coisa é certa: o nosso sistema de saúde tem falhado sistematicamente em evitar essas mortes. Esses dados apontam para o fato de que as mulheres no Brasil morrem por causas evitáveis dentro dos serviços de saúde. Há três semanas, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas aprovou resolução reconhecendo que a mortalidade e a morbidade materna evitáveis representam violação ao direito humano à vida, saúde, educação, dignidade e informação. A mortalidade materna passa a ser incluída no rol dos temas tradicionais de direitos humanos, como a tortura, a pena de morte, os desaparecimentos forçados durante regimes militares e a violência contra as mulheres. Tal decisão é histórica e abre precedente importante em matéria de direitos humanos: a responsabilização internacional dos governos pelos altos índices de mortalidade materna, principalmente quando tais índices tiverem um impacto desproporcional sobre os grupos de mulheres mais vulneráveis, em função de sua raça, escolaridade, classe social, status civil e local de moradia. As condições de vida — sociais, econômicas e culturais — das mulheres irão determinar o seu grau de vulnerabilidade à morte materna. A vulnerabilidade será dada em função também da autonomia e capacidade das mulheres para o exercício de escolhas sexuais e reprodutivas. A falta de notificação dos óbitos maternos e o mau preenchimento desse instrumento, fornecendo as circunstâncias das mortes maternas, contribuem para a manutenção da cultura da invisibilidade do problema. As causas estão relacionadas, muitas vezes, às falhas do Estado em prevenir a ocorrência de morte materna pelos serviços de saúde, das políticas públicas, como a falta de acesso a serviços de planejamento familiar, ao serviço pré-natal de qualidade, a serviços de emergência obstétrica e a serviços de qualidade. Por outro lado, a situação de ilegalidade do aborto no Brasil contribui para agravar os riscos de morte e morbidade das mulheres por essa causa. Trazer um tema tradicionalmente abordado pela saúde pública para a perspectiva dos direitos humanos é um passo importante para dar visibilidade e cobrar políticas eficazes. O Estado deve proteger e garantir os direitos humanos das mulheres durante a gravidez, parto, puerpério e o abortamento. O caso do Rio de Janeiro demonstra que é necessária ampla campanha de informação à população sobre os seus direitos relacionados à mortalidade e morbidade materna para que casos como os de Manuela criem indignação pública e reivindicações de melhorias na assistência.
Coluna "Análise
da jurisprudência em matéria de direitos sexuais
e reprodutivos na perspectiva dos direitos humanos" O caso de Mato
Grosso do Sul tem gerado debates, artigos em jornais, audiências públicas na Ordem dos Advogados do Estado,
na Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados,
além de manifestações de solidariedade às
mulheres processadas por parte de organizações de defesa
dos direitos humanos e movimentos sociais. De fato, nenhuma medida
eficaz foi tomada até o presente por parte das autoridades
estaduais e federais para impedir que as violações
aos direitos humanos continuem ocorrendo ou sanar as já ocorridas. ...
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Revista
de Saúde Sexual e Reprodutiva IPAS BRASIL Coordenação Editorial - Leila Adesse Editores - Jefferson Drezett e Beatriz Galli Editoração - Alessandra Foelkel Colaboração Jornalística: Evanize Sydow |
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Conselho
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Osmar
Colás |
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