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Editorial A existência de legislação restritiva e punitiva em relação à prática do aborto no Brasil, associada à ocorrência de um alto índice de mortes decorrentes do aborto inseguro viola os direitos humanos das mulheres. Recentemente o Brasil iniciou um processo de reforma legal em relação ao aborto que pode levar à elaboração de uma nova proposta de lei que reconheça os direitos humanos à autodeterminação sexual e reprodutiva das mulheres. Nesta edição de Setembro/ Outubro de 2005, destacamos que o dia 28 de setembro tem especial importância para as mulheres, caracterizado como o DIA DE AÇÃO PELA DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO NA AMÉRICA LATINA e, é marcado pela realização de atividades em diferentes estados brasileiros. Ipas Brasil realizou, em parceria com a Ong Advocaci, o II Seminário sobre Saúde, Aborto e Direitos Humanos assim como participou do Seminário Sexualidade e Família, organizado pelo Centro Acadêmico de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), de forma a contribuir com o debate quanto a despenalização das mulheres que abortam. A Revista de Saúde Sexual e Reprodutiva de Ipas Brasil apresenta vários artigos relacionados ao impacto das iniciativas de reforma legal em relação ao abortamento que vem acontecendo no nosso país e no mundo. Também apresentamos aqui, o Consenso do Rio de Janeiro – Relatório
Final - realizado no dia 3 de junho de 2005 no Rio de Janeiro, em que
o Ipas Brasil e a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro
promoveram um evento para discutir :"Uso Do Misoprostol Em Ginecologia
E Obstetrícia” que abordou uma reflexão consciente
e consistente através de um grupo de profissionais sobre o uso
do misoprostol na pratica da ginecologia e obstetricia Esperamos, como sempre, que esses artigos proporcionem aos nossos leitores uma reflexão sobre as condições legais e médicas da atenção e o acesso efetivo das mulheres aos serviços de qualidade na saúde reprodutiva. Para aqueles que queiram oferecer sua contribuição para a publicação de algum artigo, eventos ou cursos a serem realizados e relacionados com nossos objetivos (saúde sexual e reprodutiva da mulher), pedimos que nos contatem através do e-mail: revista@ipas.org.br. Muito
obrigada |
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| Nesta
Edição BRASIL
EM FOCO DIREITOS
SEXUAIS E REPRODUTIVOS EM DESTAQUE: Dilemas e soluções no cotidiano
dos servições de saúde SAÚDE
SEXUAL E REPRODUTIVA REFLEXÕES
E OPINIÕES Informações
e Eventos Ipas
Notícias |
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ENCONTRO
ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO ABUSO E EXPLORAÇÃO
SEXUAL INFANTO-JUVENIL
CURSO DE
ATENÇÃO PÓS-ABORTAMENTO E ASPIRAÇÃO
MANUAL INTRA-UTERINA (AMIU) 51º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
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Reforma legal quanto ao abortamento é discutida no país
O seminário reuniu membros da comissão tripartite (grupo formado por representantes do Executivo, do Legislativo Federal e da sociedade civil que tem como objetivo rever a legislação punitiva que trata da interrupção voluntária da gravidez), especialistas que já participaram em processos de reforma legal em outros países em desenvolvimento, feministas, advogados, juízes, profissionais de saúde, jornalistas e parlamentares. Entre os palestrantes estavam: Dra. Leila Adesse (Diretora de Ipas Brasil), Dr Jorge Andalaft (medico ginecologista-obstetra e membro da comissão tripartite) , e Maria Laura Sales Pinheiro, (Secretária-Adjunta da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres) . Vários palestrantes internacionais também contribuíram com o seminário ao compartilharem experiências e lições aprendidas em outros países em desenvolvimento: Dr. Charles Ngwena da África do Sul, Fred Nunes, da Jamaica, Dra. Mônica D. Roa, da Colômbia e Lílian Abracinskas, do Uruguai. Para ver mais
acesse:
Clipping >> Mantida
interrupção de gravidez sem BO ...
Clipping >> Projeto
sobre descriminalização do aborto deve ser entregue hoje à Comissão
de Seguridade da Câmara O documento foi elaborado por uma comissão tripartite, integrada por representantes dos poderes Executivo, Legislativo e da sociedade civil, com a participação de setores das áreas médica e jurídica. O objetivo da iniciativa é possibilitar a assistência médica às mulheres que desejarem interromper a gravidez. O Código Penal de 1940, ainda vigente, considera o aborto crime em qualquer hipótese, exceto quando se trata de salvar a vida da gestante ou quando a gravidez é resultante de estupro. Para os defensores do projeto, o impedimento do aborto assistido contraria os princípios constitucionais que garantem ao cidadão a liberdade e o direito à privacidade para decidir sobre a reprodução. Em 1983, um projeto de lei propondo a legalização foi apresentado e, a partir de 1991, outros projetos favoráveis à descriminalização entraram na pauta do Congresso. Ao longo do mesmo período, também se ampliou o número de decisões judiciais favoráveis à interrupção da gravidez nos casos de anomalia fetal incompatível com a vida. Em 2004, o Supremo Tribunal Federal examinou uma Ação de Argüição de Preceito Fundamental (uma forma de argüir a constitucionalidade) referente à interdição da interrupção da gravidez nos casos de anencefalia. Em seguida, a I Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres - que contou com a presença de duas mil delegadas - aprovou uma recomendação de revisão das leis que punem o aborto no Brasil. Fonte: Agencia
Brasil
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| Links
Recomendados Articulação
de Mulheres Brasileiras 10º
Encontro Feminista Latino Americano e do Caribe Mais sites recomendados no website de Ipas Brasil: http://www.ipas.org.br/links.html
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Ciência
e Pesquisa
Título: Aspiración
manual endouterina para el tratamiento del aborto incompleto
/ Manual endouterine aspiration in the treatment of incomplete
abortion Localização: MX1.1 - Fonte: LILACS
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| Ipas
Global Tradução: A Pesquisa de 1994 estimava que ocorriam cerca de 425 (78-730) mortes todos os anos em instituições públicas decorrentes de um aborto inseguro. Quando a pesquisa foi repetida em 2000, nenhuma morte foi registrada durante as 3 semanas previstas para a coleta dos dados em qualquer dos hospitais sendo pesquisados. Sendo assim, podemos concluir que um significante declínio na mortalidade materna por abortamento têm ocorrido, porém não é possível estimar o numero de mortes anuais com precisão. As Investigações Confidenciais, no entanto, oferecem com precisão o número de mortes por hospital, assim nenhuma estimativa é necessária. No ano de 1998, 32 mortes por abortamento (5.7% do total) foram levantadas. No segundo relatório (1999-2000) houveram 40 mortes por abortamento por ano. Se comparadas com as estimativas e dados coletados em 1994 com relação à mortalidade materna decorrente do aborto inseguro; sugere-se que houve uma redução de 91.1% nessas mortes, com uma possivel variação de 51.3-94.8% dependendo da posição do quadro real dentro dos intervalos nas estimativas do relatório de 1994. Essa redução na mortalidade materna após a reforma legal é ainda maior se comparada com relatórios de outros países, como a Romênia, e mostra que esta legislação tem tido sucesso no avanço das mulheres por suas conquistas com relação à sua saúde e seus direitos.
Brasil
em Foco O movimento feminista trava uma luta histórica pela legalização do aborto no Brasil. As brasileiras estão submetidas a uma legislação que remonta a 1940, pela qual o aborto é considerado crime, com punições previstas para a mulher e para quem a ajuda, salvo em duas condições: gravidez resultante de estupro ou risco de vida para a gestante. Das páginas policiais para as de cotidiano, política e comportamento. Este foi o salto na abordagem do aborto pela mídia, nos últimos anos. Uma nova cobertura, provocada pela atuação do movimento feminista, vem pautando a mídia a partir da necessidade da revisão da lei punitiva do aborto. Esta nova abordagem acerca do aborto se consolidou a partir de 2003 e se intensificou em 2005. Os fatos políticos novos que deram fôlego a essa perspectiva, no âmbito do governo, foram a criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) e as posturas avançadas adotadas pelo Ministério da Saúde, sobretudo na normatização da atenção ao abortamento inseguro. No movimento social foram criadas em Brasília, em fevereiro de 2004, as Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro, ampla articulação política pelo acesso ao aborto legal e seguro, segundo a decisão da mulher, em reunião organizada e coordenada pela Rede Feminista de Saúde e realizada sob a coordenação metodológica do Instituto Patrícia Galvão – Comunicação e Mídia (SP). Em julho de 2004, convocada pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, realizou-se a 1ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, com a participação de quase 2 mil mulheres de todo o país, cuja plenária referendou, por ampla maioria, diretriz que previa a revisão da legislação que trata do aborto. A legalização do aborto já havia sido aprovada em 26 das 27 conferências regionais, em trabalho das Jornadas, com base sobretudo nos Fóruns Estaduais de Mulheres (AMB) e regionais e filiadas da Rede Feminista de Saúde. Nova polêmica Após a conferência, o governo anunciou a criação de um Grupo de Trabalho Interministerial para elaborar o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, que apresentou como Prioridade 3.6: "Revisar a legislação punitiva que trata da interrupção voluntária da gravidez". Para tanto, deveria ser constituída uma comissão tripartite, com representantes dos poderes Executivo e Legislativo e da sociedade civil para encaminhar proposta de revisão da legislação punitiva que trata da interrupção voluntária da gravidez, sob a responsabilidade do Ministério da Saúde e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, com prazo para 2005 (página 64). Em dezembro de 2004, a ministra Nilcéia Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, anunciou em rede nacional de televisão o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres e a instalação da Comissão Tripartite para a Revisão da Legislação Punitiva sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez. Em fevereiro, Severino Cavalcanti (PP-PE) foi eleito presidente da Câmara, conhecido por sua postura conservadora, antiaborto e contra os direitos das mulheres. Um obstáculo inesperado, como vários jornais reconheceram. Em março, a Rede Feminista de Saúde lançou o dossiê "Aborto: mortes preveníveis e evitáveis". O documento apresenta dados sobre aborto, entre 1999 e 2002. A Folha de S. Paulo o divulgou, no dia 7 de março, com exclusividade. A partir de então, o dossiê se tornou fonte permanente de consulta para jornalistas. Nos meses de fevereiro e março, os grandes jornais – mas não as revistas semanais – informaram sobre a polêmica criada em torno da definição dos integrantes da comissão. O jornal que deu maior cobertura a este processo foi a Folha. A comissão tripartite se instalou no dia 6 de abril, com a seguinte composição: seis representantes do Poder Executivo (SPM, Ministério da Justiça, Ministério da Saúde, Casa Civil, Secretaria Nacional de Direitos Humanos e Presidência da República), seis representantes do Congresso Nacional (os senadores Eduardo Suplicy do PT-SP, João Capiberibe do PSB-AP e Serys Slhessarenko do PT-MT; e as deputadas Elaine Costa do PTB-RJ, Suely Campos do PP-RR e Ângela Guadagnin do PT-SP) e seis representantes da sociedade civil (Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia, Articulação de Mulheres Brasileiras, Rede Feminista de Saúde, Fórum de Mulheres do Mercosul, Secretaria de Mulheres da CUT e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. ...
Direitos
Sexuais e Reprodutivos em Destaque:
Dilemas
e soluções no cotidiano dos serviços de saúde O caso narrado abaixo foi relatado durante sessão de curso de Atenção pós- Abortamento promovida por Ipas Brasil em parceria com os serviços de saúde. Apresentamos uma análise da situação ocorrida segundo os critérios de direitos humanos e éticos que devem orientar uma atenção de qualidade, visando contribuir para uma reflexão sobre as práticas dos profissionais de saúde de forma a aprimorá-las. Profissional
de saúde relata que atendeu uma mulher que chegou
ao serviço de saúde em estado emocional bastante alterado
dizendo estar em dúvida se estava grávida. Chorando,
a mulher disse que seu relacionamento com marido era violenta e que
era constantemente agredida por ele. A médica solicita testes
laboratoriais de gravidez e o resultado é positivo. A mulher
informa para a médica que tem a intenção de realizar
um aborto. A profissional de saúde tenta convencê-la a
não fazer isso dizendo que o procedimento é ilegal e
alerta para o perigo de ser realizado de forma clandestina e insegura,
com sérios riscos para a sua saúde e para a sua vida.
Além disso, a médica tenta convencê-la, usando
argumentos religiosos, para preservar a vida da criança. A médica
não tem sucesso em seus argumentos e a mulher sai da consulta
decidida a interromper a gravidez, não retornando mais ao serviço.
A profissional de saúde admitiu que havia ficado insegura quanto
a ter agido de forma correta no seu exercício profissional,
mas alega que o fez conforme a sua consciência.
Saúde
Sexual e Reprodutiva A obstetrícia e a ginecologia vivenciam a crescente utilização do misoprostol para indução do parto a termo, para o abortamento retido e feto morto, e para outras indicações, como o abortamento previsto em Lei e hemorragia pós-parto. A literatura médica aponta questões referentes à dose, vias de utilização, indicações e contra indicações. Embora grande conhecimento científico tenha sido acumulado nos últimos anos, a saúde pública ainda assiste às graves complicações advindas do uso inapropriado do misoprostol. Para uma reflexão consciente e consistente que envolva um grupo de atores com excelência no uso do misoprostol, o Ipas Brasil, e a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro promoveram um evento no dia 3 de junho de 2005 no Rio de Janeiro. Participaram do evento: Dr. Aníbal Faundes (Comissão de Direitos Sexuais e Reprodutivos da FIGO); Dra. Anna Christina Willemsens (Coordenadora do Serviço de Aborto Legal da Maternidade Fernando Magalhães); Dr. Alexandre Baptista Trajano (Professor Titular de Obstetrícia da UERJ); Dra Gisele O’Dwyer (ENSP/FIOCRUZ); Dr. Luiz Guilherme Pessoa da Silva (Chefe da Maternidade Pro-Matre); Dr. Marcus Dias (Coordenador de Saúde da Mulher do Município do Rio de Janeiro); Dr. Jefferson Drezett (Hospital Pérola Byington – SP), Dra. Leila Adesse (Diretora de Ipas Brasil). O evento contou
com 3 mesas-redondas, na parte da manhã, que
apresentaram os seguintes temas: 1) Misoprostol no abortamento previsto
por lei, aborto retido e abortamento incompleto; 2) Misoprostol na
indução do parto a termo; 3) Misoprostol na profilaxia
e tratamento do sangramento pós-parto. Na parte da tarde, os
convidados foram divididos em 3 grupos que discutiram e elaboraram
um relatório final, denominado Consenso do Rio de Janeiro.
Reflexões
e Opiniões Resumo: A essência desta experiência consistiu em desenvolver um programa que envolvesse os aspectos sociais, culturais e biológicos que se inscrevem no terreno da violência contra mulheres e uma metodologia em que o grupo, seus fenômenos e a realidade institucional fossem focalizados como protagonistas, incluindo-se neste contexto o conteúdo técnico-científico. Partimos da dimensão interpessoal e relacional sobre o tema à esfera dos procedimentos e condutas, favorecendo a reflexão do que é ético, terapêutico e adequado em cada situação. O presente
texto revelará vários ângulos da experiência,
destacando-se alguns instrumentos da metodologia psicodramática que foram
valiosos para aquecer o grupo em relação às temáticas,
elaborar novos conceitos e desenvolver atributos nos respectivos papéis
profissionais, trabalhando-se os mitos, preconceitos, as tensões e resistências
inerentes ao acompanhamento às mulheres num serviço desta natureza.
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| Conselho Editorial | |||
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Osmar
Colás Oswaldo José Queiroz Dias Rivaldo Albuquerque Roberto Benzecry Sônia Dantas Sônia Madi Valéria Pandjiarjian Vera Rolim |
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Revista
de Saúde Sexual e Reprodutiva IPAS BRASIL |
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| Coordenação
Editorial - Leila Adesse
Editor - Jefferson Drezett Editoração - Alessandra Foelkel Editores Associados - Cristião Fernando Rosas e Roberto Benzecry |
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