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Editorial

A existência de legislação restritiva e punitiva em relação à prática do aborto no Brasil, associada à ocorrência de um alto índice de mortes decorrentes do aborto inseguro viola os direitos humanos das mulheres.

Recentemente o Brasil iniciou um processo de reforma legal em relação ao aborto que pode levar à elaboração de uma nova proposta de lei que reconheça os direitos humanos à autodeterminação sexual e reprodutiva das mulheres.

Nesta edição de Setembro/ Outubro de 2005, destacamos que o dia 28 de setembro tem especial importância para as mulheres, caracterizado como o DIA DE AÇÃO PELA DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO NA AMÉRICA LATINA e, é marcado pela realização de atividades em diferentes estados brasileiros. Ipas Brasil realizou, em parceria com a Ong Advocaci, o II Seminário sobre Saúde, Aborto e Direitos Humanos assim como participou do Seminário Sexualidade e Família, organizado pelo Centro Acadêmico de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), de forma a contribuir com o debate quanto a despenalização das mulheres que abortam.

A Revista de Saúde Sexual e Reprodutiva de Ipas Brasil apresenta vários artigos relacionados ao impacto das iniciativas de reforma legal em relação ao abortamento que vem acontecendo no nosso país e no mundo.

Também apresentamos aqui, o Consenso do Rio de Janeiro – Relatório Final - realizado no dia 3 de junho de 2005 no Rio de Janeiro, em que o Ipas Brasil e a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro promoveram um evento para discutir :"Uso Do Misoprostol Em Ginecologia E Obstetrícia” que abordou uma reflexão consciente e consistente através de um grupo de profissionais sobre o uso do misoprostol na pratica da ginecologia e obstetricia

Ainda nesta edição, apresentamos um artigo de autoria de Ana Carolina Azevedo e Dr. Eugenio Pita Tavares – “Violencia contra Mujeres: entre daños y reconstrucciones” – esse artigo foi apresentado no V Congresso Ibero Americano de Psicodrama na Cidade do México, Maio/2005 e na 1a Conferência Internacional sobre Ofensas Sexuais em São Paulo/2005.

Esperamos, como sempre, que esses artigos proporcionem aos nossos leitores uma reflexão sobre as condições legais e médicas da atenção e o acesso efetivo das mulheres aos serviços de qualidade na saúde reprodutiva.

Para aqueles que queiram oferecer sua contribuição para a publicação de algum artigo, eventos ou cursos a serem realizados e relacionados com nossos objetivos (saúde sexual e reprodutiva da mulher), pedimos que nos contatem através do e-mail: revista@ipas.org.br.

Muito obrigada
Leila Adesse
Diretora IPAS BRASIL

Nesta Edição

Artigos On-Line


IPAS GLOBAL
"África do Sul – Dramático declínio na mortalidade maternal decorrente do abortamento de risco uma vez aprovada lei de escolha pela interrupção da gravidez"
"Dramatic decline in abortion mortality due to the Choice on Termination of Pregnancy Act”
- em inglês
Rachel Jewkes e Helen Rees (2005) - South African Medical Journal , May 2005 - permissão para publicação concedida

BRASIL EM FOCO
"Legalização do aborto: a fronteira final"
Mônica Bara Maia e Jalmelice Luz (*)
(*) Coordenadora da Área de Comunicação da Rede Feminista de Saúde; jornalista e assessora de imprensa da Rede Feminista de Saúde
Artigo publicado na seção Mídia e Movimento Feminista do Observatório da Imprensa em 16/08/2005 - permissão para publicação concedida

DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS EM DESTAQUE: Dilemas e soluções no cotidiano dos servições de saúde
"Violência sexual, gravidez indesejada e acesso ao aborto legal: uma abordagem de direitos humanos e igualdade de gênero"
Beatriz Galli (2005)

SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA
"Uso do Misoprostol em Ginecologia e Obstetrícia"
Dr. Jefferson Drezett, Dr. Anibal Faundes, Dra Gisele O’Dwyer e Dra Leila Adesse (2005)*
* Relatório Final do Consenso do Rio de Janeiro de junho de 2005

REFLEXÕES E OPINIÕES
"Violencia contra Mujeres: entre daños y reconstrucciones"
Ana Carolina Azevêdo, psicóloga e Dr. Eugenio Pita Tavares, médico obstetra
Recife/PE, Brasil, 2005 - em espanhol

Informações e Eventos
» Seminário de Porto Alegre - Reforma Legal para Avançar na Proteção dos Direitos Sexuais e Reprodutivos do Brasil

Ipas Notícias
» Reforma legal quanto ao abortamento é discutida no país
» Clipping: Mantida a Interrupção da Gravidez sem BO
» Clipping: Projeto sobre descriminalização do aborto deve ser entregue hoje à Comissão de Seguridade da Câmara

Links Recomendados

Ciência e Pesquisa

Informações e Eventos

ENCONTRO ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO ABUSO E EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTO-JUVENIL
Data: 10 de outubro de 2005 das 8:30 às 17:30h
Promoção: Frente Parlamentar contra a Exploração Sexual Infanto-Juvenil no Estado de São Paulo e Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo
Local: AUDITÓRIO FRANCO MONTORO – ALESP
Informações: teresi@uol.com.br – Assembléia Legislativa do Estado de S. Paulo com Sr. Rocha, chefe de gabinete ou Gabinete Dep. Beth: (11) 38866678 / 38866680 - email: bsahao@al.sp.gov.br

>> SEMINÁRIO DE PORTO ALEGRE >> Reforma Legal para Avançar na Proteção dos Direitos Sexuais e Reprodutivos no Brasil

A existência de legislação restritiva e punitiva em relação à prática do aborto no Brasil, associada à ocorrência de um alto índice de mortes de mulheres decorrentes do aborto inseguro viola os direitos humanos das mulheres. Com objetivo de debater sobre políticas de saúde de qualidade e respostas jurídicas que respeitem a autonomia das mulheres, Ipas Brasil, em parceria com a Escola Superior da Magistratura, o Departamento de Cidadania e Direitos Humanos, a AJURIS e o Núcleo de Pesquisa em Antropologia do Corpo e da Saúde, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (NUPACS/UFRGS), com o apoio da Fundação Ford, realizará o seminário Reforma Legal para Avançar na Proteção dos Direitos Sexuais e Reprodutivos no Brasil no dia 11 de outubro de 2005 em Porto Alegre na sede da Escola Superior da Magistratura.

Data: 11 de outubro de 2005 às 9h
Local: Escola Superior de Magistratura
Endereço: Rua Celeste Gobbato 229
Informações e inscrições pelos telefones: (21) 2532-1930 / 2532-1939 com Sheila ou através do e-mail: sheila@ipas.org.br
Clique aqui para ver o convite

CURSO DE ATENÇÃO PÓS-ABORTAMENTO E ASPIRAÇÃO MANUAL INTRA-UTERINA (AMIU)
Dias 7 e 8 de Outubro de 2005
Local: Maternidade Herculano Pinheiro - RJ
Informações e inscrições através de Ipas Brasil

51º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
Data: 22 a 26 de Novembro
Local: Rio de Janeiro - RJ
Realização: FEBRASGO
Tel.: (21)2557-6104 Fax: (21)2556-0326
E-mail: secretaria@51cbgo.com.br
Home Page: www.51cbgo.com.br

Ipas Notícias

Reforma legal quanto ao abortamento é discutida no país


Em vários países em todo o mundo há processos de reforma legal que foram instalados visando à redução dos alarmantes índices de mortalidade materna devido ao abortamento inseguro. Atualmente, no Brasil, também discute-se a reforma da lei penal em relação ao aborto no país. No dia 2 de agosto, Ipas Brasil e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres organizaram um seminário internacional em Brasília a fim de discutir a reforma legal para avançar na proteção dos direitos sexuais e reprodutivos.

O seminário reuniu membros da comissão tripartite (grupo formado por representantes do Executivo, do Legislativo Federal e da sociedade civil que tem como objetivo rever a legislação punitiva que trata da interrupção voluntária da gravidez), especialistas que já participaram em processos de reforma legal em outros países em desenvolvimento, feministas, advogados, juízes, profissionais de saúde, jornalistas e parlamentares. Entre os palestrantes estavam: Dra. Leila Adesse (Diretora de Ipas Brasil), Dr Jorge Andalaft (medico ginecologista-obstetra e membro da comissão tripartite) , e Maria Laura Sales Pinheiro, (Secretária-Adjunta da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres) . Vários palestrantes internacionais também contribuíram com o seminário ao compartilharem experiências e lições aprendidas em outros países em desenvolvimento: Dr. Charles Ngwena da África do Sul, Fred Nunes, da Jamaica, Dra. Mônica D. Roa, da Colômbia e Lílian Abracinskas, do Uruguai.

Para ver mais acesse:
http://www.ipas.org.br/noticias.html#seminario_ref


Clipping >> Mantida interrupção de gravidez sem BO
Ulysses Campbell - Do Correio Braziliense
07/09/2005


08h36-Mulheres vítimas de estupro já podem procurar o Sistema Único de Saúde (SUS) para abortar legalmente sem apresentar o boletim de ocorrência (BO) policial. A decisão já havia sido publicada numa portaria assinada pelo ex-ministro da Saúde Humberto Costa, em junho, mas foi suspensa logo que o atual ministro, Saraiva Felipe, assumiu o cargo, em agosto. Na sexta-feira, a dispensa do registro do estupro na delegacia voltou para as páginas do Diário Oficial. Desta vez com algumas alterações.

...
para ver toda a notícia - acesse o link:
http://noticias.correioweb.com.br/materias.php?id=2650212&sub=Brasil


Clipping >> Projeto sobre descriminalização do aborto deve ser entregue hoje à Comissão de Seguridade da Câmara
27/09/2005


Brasília - O projeto de lei que prevê a descriminalização do aborto com atendimento pelos serviços de saúde deve ser entregue hoje (27), às 14 horas, ao presidente da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara, deputado Benedito Dias (PP/AP).

O documento foi elaborado por uma comissão tripartite, integrada por representantes dos poderes Executivo, Legislativo e da sociedade civil, com a participação de setores das áreas médica e jurídica. O objetivo da iniciativa é possibilitar a assistência médica às mulheres que desejarem interromper a gravidez.

O Código Penal de 1940, ainda vigente, considera o aborto crime em qualquer hipótese, exceto quando se trata de salvar a vida da gestante ou quando a gravidez é resultante de estupro.

Para os defensores do projeto, o impedimento do aborto assistido contraria os princípios constitucionais que garantem ao cidadão a liberdade e o direito à privacidade para decidir sobre a reprodução. Em 1983, um projeto de lei propondo a legalização foi apresentado e, a partir de 1991, outros projetos favoráveis à descriminalização entraram na pauta do Congresso.

Ao longo do mesmo período, também se ampliou o número de decisões judiciais favoráveis à interrupção da gravidez nos casos de anomalia fetal incompatível com a vida. Em 2004, o Supremo Tribunal Federal examinou uma Ação de Argüição de Preceito Fundamental (uma forma de argüir a constitucionalidade) referente à interdição da interrupção da gravidez nos casos de anencefalia.

Em seguida, a I Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres - que contou com a presença de duas mil delegadas - aprovou uma recomendação de revisão das leis que punem o aborto no Brasil.

Fonte: Agencia Brasil
http://www.radiobras.gov.br/materia_i_2004.php?materia=241232&editoria=

 

Links Recomendados

Rede Jovens Brasil
htt://www.redejovensbrasil.org.br
A Rede Jovens Brasil – Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos (RJB – DS e DR) luta pela garantia dos Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, da Saúde Sexual e Reprodutiva e da Educação em Sexualidade para as brasileiras e brasileiros jovens.

Articulação de Mulheres Brasileiras
http://www.articulacaodemulheres.org.br
A Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) é uma organização política não partidária que articula e potencializa a luta feminista e a ação política das mulheres no plano nacional e internacional.

10º Encontro Feminista Latino Americano e do Caribe
http://www.10feminista.org.br/f
Será realizado de 9 a 12 de outubro de 2005 no Hotel Vale do Sol, na cidade de Serra Negra, em São Paulo, o 10º Encontro Feminista: Um espaço privilegiado para debates sobre o feminismo. A proposta do Encontro está na reflexão a respeito de como criar uma conexão entre a discussão sobre feminismo com as questões que estão colocadas hoje no mundo e na América Latina e Caribe.

Mais sites recomendados no website de Ipas Brasil: http://www.ipas.org.br/links.html

Ciência e Pesquisa

Título: Perfil de salud mental en adolescentes que interrumpen su embarazo con un aborto inducido / Mental health profile in adolescents that finish pregnancy with an inducted abortion
Autor: Toledo, Virginia; Martini, A; Luengo, Ximena; Molina, Temístocles; González, Electra; Molina, Sandra.
Idioma: Espanhol
Fonte: Rev. Soc. Chil. Obstet. Ginecol. Infant. Adolesc;6(1):14-21, 1999. tab.
Resumo:
Este es un estudio de casos y controles que tuvo por objeto describir el perfil de salud mental de adolescente hospitalizados por complicación de un aborto provocado. Los casos fueron 340 adolescentes egresados de 3 hospitales de Santiago; 113 fueron por abortos inducidos comprobados y 227 espontáneos. Los controles fueron 340 embarazadas que llegaron al parto. Se aplicó en el hospital y consultorios entrevistas psiquiatras y los test de ansiedad de Spielberg y el de depresión de Alvarado, por profesionales entrenados. Se detectó a través de estos test mayor ansiedad en las adolescentes con abortos provocados y espontáneos y mayor depresión en las con abortos provocados. Se encontró mayor patología y mayor frecuencia de síntomas psiquiátricos no constituyentes de patología, en las adolescentes con abortos provocados. De las que hicieron patología psiquiátrica, las de mayor frecuencia fueron: reacciones de adaptación y episodios depresivos. Hubo una correlación positiva entre los hallazgos de ansiedad y depresión a través de los test aplicados y la presencia de patología psiquiátrica (AU).

Localização: CL1.1 - Fonte: LILACS


Título: Aspiración manual endouterina para el tratamiento del aborto incompleto / Manual endouterine aspiration in the treatment of incomplete abortion
Autor: Lara Ricalde, Roger; Torres Ramírez, Armando; Corona Barsse, Guillermo; di Castro S., Paolo.
Idioma: Espanhol
Fonte:
Ginecol. obstet. Méx;65(3):101-6, mar. 1997. tab.
Resumo:
La aspiración manual endouterina (AMEU) es un procedimiento propuesto para el vaciamiento uterino, en casos de aborto incompleto, mediante una jeringa de plástico con la que se produce una presión negativa para realizar la aspiración. Con esta técnica, se efectuaron 122 tratamiento de aborto en sus diferentes variedades, en el Instituto Nacional de Perinatología, y los resultados obtenidos se compararon con los logrados en el mismo periodo en 126 mujeres tratadas, también por aborto, mediante legrado uterino instrumental (LUI). Las características sociodemográficas de ambos grupos de pacientes fueron similares; pero, en cuanto las variedades de aborto, la de aborto molar y la de aborto diferido predominaron en las pacientes tratadas con AMEU. Los procedimientos anestésicos usados fueron similares en ambos grupos, salvo en 10 casos tratados con AMEU, en que se empleó bloqueo paracervical. Sólo se observaron 4 complicaciones transoperatorias: dos casos de hemorragia, uno en AMEU y otro en LUI; y 2 en AMEU, en que la evacuación resultó insuficiente y obligó a LUI posterior. El estudio histopatológico con técnicas morfométricas mostró proporción relativa de tejidos fetales, vellosidades coriónicas, decidua, miometrio y coágulos, similar para ambos procedimientos. Los autores concluyen que la técnica de AMEU es igulamente eficaz y segura que el LUI, su práctica es fácil de realizar, evita complicaciones importantes y puede constituir una alternativa ventajosa en los casos de aborto molar (AU).

Localização: MX1.1 - Fonte: LILACS

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Ipas Global
"África do Sul – Dramático declínio na mortalidade maternal decorrente do abortamento de risco uma vez aprovada lei da escolha pela interrupção da gravidez"
"Dramatic decline in abortion mortality due to the Choice on Termination of Pregnancy Act”

Rachel Jewkes e Helen Rees (2005) - South African Medical Journal , May 2005 - permissão para publicação concedida

Tradução:
A lei de escolha pela interrupção da gravidez parece ter tido um grande impacto na mortalidade decorrente do aborto. Essa conclusão pode ser evidenciada ao compararmos os dados que mostram as mortes por abortamento dos documentos das "Investigações Confidenciais sobre Mortalidade Materna" (Dep. de Saúde 1999-2003); e os numeros da Pesquisa Nacional sobre o Aborto de Risco de 2000, com os dados estimados da reforma pré-legislativa encontrados na Pesquisa Nacional sobre o Aborto de Risco de 1994.

A Pesquisa de 1994 estimava que ocorriam cerca de 425 (78-730) mortes todos os anos em instituições públicas decorrentes de um aborto inseguro. Quando a pesquisa foi repetida em 2000, nenhuma morte foi registrada durante as 3 semanas previstas para a coleta dos dados em qualquer dos hospitais sendo pesquisados. Sendo assim, podemos concluir que um significante declínio na mortalidade materna por abortamento têm ocorrido, porém não é possível estimar o numero de mortes anuais com precisão.

As Investigações Confidenciais, no entanto, oferecem com precisão o número de mortes por hospital, assim nenhuma estimativa é necessária. No ano de 1998, 32 mortes por abortamento (5.7% do total) foram levantadas. No segundo relatório (1999-2000) houveram 40 mortes por abortamento por ano. Se comparadas com as estimativas e dados coletados em 1994 com relação à mortalidade materna decorrente do aborto inseguro; sugere-se que houve uma redução de 91.1% nessas mortes, com uma possivel variação de 51.3-94.8% dependendo da posição do quadro real dentro dos intervalos nas estimativas do relatório de 1994.

Essa redução na mortalidade materna após a reforma legal é ainda maior se comparada com relatórios de outros países, como a Romênia, e mostra que esta legislação tem tido sucesso no avanço das mulheres por suas conquistas com relação à sua saúde e seus direitos.

PARA ACESSAR O TEXTO COMPLETO (em PDF) - CLIQUE AQUI (em inglês)



Brasil em Foco
"Legalização do aborto: a fronteira final"
Mônica Bara Maia e Jalmelice Luz (*)
(*) Coordenadora da Área de Comunicação da Rede Feminista de Saúde; jornalista e assessora de imprensa da Rede Feminista de Saúde
Artigo publicado na seção Mídia e Movimento Feminista do Observatório da Imprensa em 16/08/2005 - permissão para publicação concedida
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=342CID003

O movimento feminista trava uma luta histórica pela legalização do aborto no Brasil. As brasileiras estão submetidas a uma legislação que remonta a 1940, pela qual o aborto é considerado crime, com punições previstas para a mulher e para quem a ajuda, salvo em duas condições: gravidez resultante de estupro ou risco de vida para a gestante.

Das páginas policiais para as de cotidiano, política e comportamento. Este foi o salto na abordagem do aborto pela mídia, nos últimos anos. Uma nova cobertura, provocada pela atuação do movimento feminista, vem pautando a mídia a partir da necessidade da revisão da lei punitiva do aborto.

Esta nova abordagem acerca do aborto se consolidou a partir de 2003 e se intensificou em 2005. Os fatos políticos novos que deram fôlego a essa perspectiva, no âmbito do governo, foram a criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) e as posturas avançadas adotadas pelo Ministério da Saúde, sobretudo na normatização da atenção ao abortamento inseguro. No movimento social foram criadas em Brasília, em fevereiro de 2004, as Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro, ampla articulação política pelo acesso ao aborto legal e seguro, segundo a decisão da mulher, em reunião organizada e coordenada pela Rede Feminista de Saúde e realizada sob a coordenação metodológica do Instituto Patrícia Galvão – Comunicação e Mídia (SP).

Em julho de 2004, convocada pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, realizou-se a 1ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, com a participação de quase 2 mil mulheres de todo o país, cuja plenária referendou, por ampla maioria, diretriz que previa a revisão da legislação que trata do aborto. A legalização do aborto já havia sido aprovada em 26 das 27 conferências regionais, em trabalho das Jornadas, com base sobretudo nos Fóruns Estaduais de Mulheres (AMB) e regionais e filiadas da Rede Feminista de Saúde.

Nova polêmica

Após a conferência, o governo anunciou a criação de um Grupo de Trabalho Interministerial para elaborar o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, que apresentou como Prioridade 3.6: "Revisar a legislação punitiva que trata da interrupção voluntária da gravidez". Para tanto, deveria ser constituída uma comissão tripartite, com representantes dos poderes Executivo e Legislativo e da sociedade civil para encaminhar proposta de revisão da legislação punitiva que trata da interrupção voluntária da gravidez, sob a responsabilidade do Ministério da Saúde e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, com prazo para 2005 (página 64).

Em dezembro de 2004, a ministra Nilcéia Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, anunciou em rede nacional de televisão o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres e a instalação da Comissão Tripartite para a Revisão da Legislação Punitiva sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez. Em fevereiro, Severino Cavalcanti (PP-PE) foi eleito presidente da Câmara, conhecido por sua postura conservadora, antiaborto e contra os direitos das mulheres. Um obstáculo inesperado, como vários jornais reconheceram.

Em março, a Rede Feminista de Saúde lançou o dossiê "Aborto: mortes preveníveis e evitáveis". O documento apresenta dados sobre aborto, entre 1999 e 2002. A Folha de S. Paulo o divulgou, no dia 7 de março, com exclusividade. A partir de então, o dossiê se tornou fonte permanente de consulta para jornalistas.

Nos meses de fevereiro e março, os grandes jornais – mas não as revistas semanais – informaram sobre a polêmica criada em torno da definição dos integrantes da comissão. O jornal que deu maior cobertura a este processo foi a Folha. A comissão tripartite se instalou no dia 6 de abril, com a seguinte composição: seis representantes do Poder Executivo (SPM, Ministério da Justiça, Ministério da Saúde, Casa Civil, Secretaria Nacional de Direitos Humanos e Presidência da República), seis representantes do Congresso Nacional (os senadores Eduardo Suplicy do PT-SP, João Capiberibe do PSB-AP e Serys Slhessarenko do PT-MT; e as deputadas Elaine Costa do PTB-RJ, Suely Campos do PP-RR e Ângela Guadagnin do PT-SP) e seis representantes da sociedade civil (Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia, Articulação de Mulheres Brasileiras, Rede Feminista de Saúde, Fórum de Mulheres do Mercosul, Secretaria de Mulheres da CUT e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

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Direitos Sexuais e Reprodutivos em Destaque: Dilemas e soluções no cotidiano dos serviços de saúde
"Violência sexual, gravidez indesejada e acesso ao aborto legal: uma abordagem de direitos humanos e igualdade de gênero"
Beatriz Galli (2005)

O caso narrado abaixo foi relatado durante sessão de curso de Atenção pós- Abortamento promovida por Ipas Brasil em parceria com os serviços de saúde. Apresentamos uma análise da situação ocorrida segundo os critérios de direitos humanos e éticos que devem orientar uma atenção de qualidade, visando contribuir para uma reflexão sobre as práticas dos profissionais de saúde de forma a aprimorá-las.

Profissional de saúde relata que atendeu uma mulher que chegou ao serviço de saúde em estado emocional bastante alterado dizendo estar em dúvida se estava grávida. Chorando, a mulher disse que seu relacionamento com marido era violenta e que era constantemente agredida por ele. A médica solicita testes laboratoriais de gravidez e o resultado é positivo. A mulher informa para a médica que tem a intenção de realizar um aborto. A profissional de saúde tenta convencê-la a não fazer isso dizendo que o procedimento é ilegal e alerta para o perigo de ser realizado de forma clandestina e insegura, com sérios riscos para a sua saúde e para a sua vida. Além disso, a médica tenta convencê-la, usando argumentos religiosos, para preservar a vida da criança. A médica não tem sucesso em seus argumentos e a mulher sai da consulta decidida a interromper a gravidez, não retornando mais ao serviço. A profissional de saúde admitiu que havia ficado insegura quanto a ter agido de forma correta no seu exercício profissional, mas alega que o fez conforme a sua consciência.

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Esse estudo de caso faz parte do projeto: ESTUDO DE CASOS - Dilemas e Soluções nos Serviços de Saúde – um estudo de casos recorrentes na atenção pós-aborto e à violência sexual com foco nos direitos humanos das mulheres

Saúde Sexual e Reprodutiva
"O Uso do Misoprostol em Ginecologia e Obstetrícia"
Dr. Jefferson Drezett, Dr. Anibal Faundes, Dra Gisele O’Dwyer e Dra Leila Adesse (2005)*
* Relatório Final do Consenso do Rio de Janeiro de junho de 2005

A obstetrícia e a ginecologia vivenciam a crescente utilização do misoprostol para indução do parto a termo, para o abortamento retido e feto morto, e para outras indicações, como o abortamento previsto em Lei e hemorragia pós-parto. A literatura médica aponta questões referentes à dose, vias de utilização, indicações e contra indicações. Embora grande conhecimento científico tenha sido acumulado nos últimos anos, a saúde pública ainda assiste às graves complicações advindas do uso inapropriado do misoprostol.

Para uma reflexão consciente e consistente que envolva um grupo de atores com excelência no uso do misoprostol, o Ipas Brasil, e a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro promoveram um evento no dia 3 de junho de 2005 no Rio de Janeiro.

Participaram do evento: Dr. Aníbal Faundes (Comissão de Direitos Sexuais e Reprodutivos da FIGO); Dra. Anna Christina Willemsens (Coordenadora do Serviço de Aborto Legal da Maternidade Fernando Magalhães); Dr. Alexandre Baptista Trajano (Professor Titular de Obstetrícia da UERJ); Dra Gisele O’Dwyer (ENSP/FIOCRUZ); Dr. Luiz Guilherme Pessoa da Silva (Chefe da Maternidade Pro-Matre); Dr. Marcus Dias (Coordenador de Saúde da Mulher do Município do Rio de Janeiro); Dr. Jefferson Drezett (Hospital Pérola Byington – SP), Dra. Leila Adesse (Diretora de Ipas Brasil).

O evento contou com 3 mesas-redondas, na parte da manhã, que apresentaram os seguintes temas: 1) Misoprostol no abortamento previsto por lei, aborto retido e abortamento incompleto; 2) Misoprostol na indução do parto a termo; 3) Misoprostol na profilaxia e tratamento do sangramento pós-parto. Na parte da tarde, os convidados foram divididos em 3 grupos que discutiram e elaboraram um relatório final, denominado Consenso do Rio de Janeiro.
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Reflexões e Opiniões
"Violencia contra Mujeres: entre daños y reconstrucciones"
Ana Carolina Azevêdo, psicóloga e Dr. Eugenio Pita Tavares, médico obstetra
Recife/PE, Brasil, 2005 - em espanhol

Resumo:

Este trabalho consiste em apresentar um trajeto percorrido com profissionais de saúde num hospital da rede pública em Recife, em busca de implementar um serviço de atendimento à mulheres em situação de violência doméstica e sexual.

A essência desta experiência consistiu em desenvolver um programa que envolvesse os aspectos sociais, culturais e biológicos que se inscrevem no terreno da violência contra mulheres e uma metodologia em que o grupo, seus fenômenos e a realidade institucional fossem focalizados como protagonistas, incluindo-se neste contexto o conteúdo técnico-científico. Partimos da dimensão interpessoal e relacional sobre o tema à esfera dos procedimentos e condutas, favorecendo a reflexão do que é ético, terapêutico e adequado em cada situação.

O presente texto revelará vários ângulos da experiência, destacando-se alguns instrumentos da metodologia psicodramática que foram valiosos para aquecer o grupo em relação às temáticas, elaborar novos conceitos e desenvolver atributos nos respectivos papéis profissionais, trabalhando-se os mitos, preconceitos, as tensões e resistências inerentes ao acompanhamento às mulheres num serviço desta natureza.

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Conselho Editorial

Ana Rosas
Avelar de Holanda Barbosa
Cristião Fernando Rosas
Ellen Hardy
Evelise Pochmann da Silva
Francisco Pedra
Ida Peréa
João Parente
Paulo Azevedo

Osmar Colás
Oswaldo José Queiroz Dias
Rivaldo Albuquerque
Roberto Benzecry
Sônia Dantas
Sônia Madi
Valéria Pandjiarjian
Vera Rolim
Revista de Saúde Sexual e Reprodutiva IPAS BRASIL
Coordenação Editorial - Leila Adesse
Editor - Jefferson Drezett
Editoração - Alessandra Foelkel
Editores Associados - Cristião Fernando Rosas e Roberto Benzecry
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