Anticoncepção de Emergência (ACE)

O que é Anticoncepção de Emergência?
É o uso de pílulas anticoncepcionais combinadas (estrogênios e progestogênios) ou compostas unicamente de progestogênios, com a finalidade de evitar uma gravidez indesejada, após uma relação sexual desprotegida. A Anticoncepção de Emergência não é um método novo, mas sim a administração de uma dosagem alta de hormônios, num intervalo curto de tempo (12 horas).

Como surgiu a Anticoncepção de Emergência?
Ao longo dos tempos, as mulheres buscaram diversas formas de impedir a gravidez após uma relação sexual. Essas tentativas incluíram desde exercícios físicos vigorosos a duchas vaginais, uso de ervas, entre outras. São práticas muito antigas, que possivelmente remontam a séculos antes de Cristo. É recente, porém, a utilização dos métodos hormonais como anticoncepção de emergência.
Nos anos 60 foram realizados os primeiros testes de aplicação de doses elevadas de hormônios pós-coital, na espécie humana. Em 1970, o ginecologista canadense Albert Yuspe introduziu a associação de estrogênios e progestogênios como anticoncepção de emergência, que ficou conhecida como método Yuspe. Sua utilização pode evitar cerca de 75% das gestações indesejadas, sendo o método mais utilizado até o momento.
Nos últimos anos, foram lançadas no mercado as Pílulas Anticoncepcionais de Emergência (PAE) compostas unicamente de progestogênios e apresentadas numa embalagem própria para este uso (2 comprimidos). Elas apresentam maior eficácia e menos efeitos colaterais que o método Yuspe, fato confirmado pelos investigadores que trabalham com o Programa sobre a Reprodução Humana da Organização Mundial de Saúde.

Como funciona a PAE?
Dependendo da fase do ciclo menstrual em que forem administradas, as pílulas poderão impedir ou retardar a ovulação (liberação do óvulo pelo ovário) e conseqüentemente não haverá fecundação. É possível que elas possam impedir a implantação do ovo na parede uterina, evento que dá inicio a gravidez, embora isso ainda não esteja comprovado de forma definitiva. Elas não podem interromper uma gravidez já estabelecida.

Quando se pode usar a PAE?
Exclusivamente em situações de emergência como nos casos de violência sexual (inclusive na relação sexual forçada numa relação de casal), após uma relação sexual não planejada (mais comum em adolescentes) ou se ocorrer uma falha de método anticoncepcional como por exemplo: se a camisinha furar ou escorregar, se o diafragma ou o DIU sair do lugar. É um método eficaz para evitar a gravidez, mas não deve ser usado como substituto das pílulas anticoncepcionais de uso diário, pois isso implicaria numa proteção menor para a mulher em relação à prevenção da gravidez. Além disso a PAE não protege contra as doenças sexualmente transmissíveis.

Em que momento deve-se tomar a PAE após a relação sexual desprotegida?
Imediatamente, ou o mais rápido possível pois a eficácia é maior. A primeira dose - obrigatoriamente - deve ser tomada no máximo até 72 horas após a relação sexual desprotegida e a segunda dose, 12 horas após a primeira.
A orientação adequada sobre os possíveis efeitos colaterais (questão respondida mais adiante) e formas de minimiza-los aumenta a adesão da mulher ao tratamento.

Após o uso da PAE, quando chega a menstruação?
Em geral a menstruação acontece na data prevista, adiantando ou atrasando cerca de três dias. Porém num percentual menor dos casos esse adiantamento ou atraso pode ser até de 10 dias.

Qualquer anticoncepcional pode ser usado na Anticoncepção de Emergência?
Não. Nem todos os anticoncepcionais disponíveis no mercado podem ser utilizados na ACE e o número de pílulas a serem tomadas depende do tipo administrado. (ver tabela no final do texto).

A PAE tem efeitos colaterais?
A mulher pode apresentar náuseas, vômitos, dores de cabeça, cólicas e desconforto nos seios. Esses efeitos duram em média 24 horas, o grau de cada sintoma varia entre as mulheres e são menores com as pílulas compostas apenas de progestogênios.

O que fazer em caso de vômitos após a tomada da PAE?
Em caso de vômitos dentro de duas horas após uma dose - deve-se repeti-la. Para minimizar a náusea recomenda-se fazer uma refeição antes de tomar o medicamento. Se os vômitos acontecerem depois de duas horas, não há motivo de preocupação porque já houve absorção dos hormônios no sistema digestivo.

Quais são os riscos da PAE para a saúde da mulher?
O uso da pílula anticoncepcional de emergência é de baixo risco para a saúde da maioria das mulheres. Ainda que as mulheres que sofrem de doenças cardiovasculares ou com risco de trombose e acidente vascular cerebral - não devam usar anticoncepcionais orais combinados regularmente, pesquisadores acreditam que, se usadas uma só vez a PAE não oferece os mesmos riscos. De qualquer forma, para algumas destas mulheres, as pílulas de progestrogênio puro podem ser a melhor opção.

A PAE é um método abortivo ?
Não. Não se pode falar em aborto se ainda não existe gravidez, e a gravidez de fato se inicia com a implantação do ovo no útero. A PAE não provoca aborto se for administrada a uma mulher grávida.

Se a PAE não funcionar e a mulher engravidar?
Com base nos conhecimentos atuais, a PAE não compromete a saúde do embrião ou do feto. Se esta gravidez for resultante de um estupro, a mulher tem o direito de abortar, se esta for a sua opção. Na maioria dos estados brasileiros já existem serviços de referência para vítimas de violência sexual.

Após o uso da PAE, quando se pode iniciar um método anticoncepcional de rotina?
Imediatamente, com os métodos de BARREIRA. Especialmente a camisinha masculina ou feminina, os únicos métodos que oferecem dupla proteção, isto é, evitam as doenças sexualmente transmissíveis e, ao mesmo tempo, a gravidez indesejada, por isso essa prática é fundamental em todas as relações sexuais. A adoção de outros métodos para anticoncepção deverá ser feita com orientação médica.

Como foi recebida a Anticoncepção de Emergência em diferentes partes do mundo?
A anticoncepção de emergência tem suscitado reações muito positivas entre profissionais de saúde, organizações não governamentais, empresas farmacêuticas, governos e organizações internacionais e entre as mulheres porque permite a prevenção de gestações e abortos indesejados.
A experiência mostra que no conjunto das mulheres que tomaram Pílulas de Anticoncepção de Emergência (PAE) apenas 2% ficaram grávidas, o que representa uma contribuição significativa para redução da gravidez indesejada. Conseqüentemente está sendo evitado um grande número de abortos realizados em condições inseguras e reduzindo-se os riscos de mortalidade materna por esta causa.
Por outro lado, a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis - em particular a Aids, estão entre os principais temores das meninas e mulheres violentadas sexualmente. Para esta clientela a anticoncepção de emergência representa a única possibilidade de evitar a gravidez pós-estupro e constitui uma medida importante para a recuperação das vítimas e a retomada de seus projetos de vida. A PAE é oferecida hoje em praticamente todos os serviços de atenção a vítimas de violência sexual.

Quais são os obstáculos, no plano mundial para a utilização da PAE?
Os seguintes fatores podem constituir obstáculos para a utilização da PAE:
- Limites na oferta de produtos e no tempo para a ingestão dos métodos hormonais;
- Os efeitos colaterais, que podem levar ao abandono do tratamento e no caso dos vômitos reduzir a sua eficácia;
- Baixo grau de conhecimento das usuárias e da população em geral sobre as possibilidades de uso da PAE;
- Pouco esclarecimento da opinião pública e formadores de opinião;
- Os profissionais de saúde (que têm um papel essencial na divulgação e prescrição da PAE), ainda não incorporaram esta prática nem orientam devidamente a clientela. Existem poucos estudos sobre atitudes e condutas dos profissionais de saúde, mas alguns indicam pouco conhecimento dos profissionais sobre o assunto e dificuldades (talvez morais e religiosas) de repassar informações às mulheres.
- Baixa oferta da PAE nos serviços de saúde. Muitos programas de Planejamento Familiar não incluem a PAE no leque de métodos oferecidos pela falsa crença de que ela é abortiva. Quando esta questão é esclarecida, a PAE está disponível.
- Outro problema identificado é a exigência de prescrição médica, quando muito freqüentemente a necessidade da PAE acontece em fins de semana e os centros de saúde e consultórios médicos estão fechados. Além disso, na segunda-feira pela manhã os serviços têm muito movimento e os hospitais (onde essa questão é tratada como um problema de menor gravidade) nem sempre fornecem anticoncepção de emergência. Por outro lado, nem todas as mulheres têm acesso fácil a um médico que possa lhe prescrever um medicamento nessas circunstâncias, menos ainda as adolescentes. Por esta razão, considerando os benefícios da ACE para evitar abortos, reduzir a gravidez na adolescência e prevenir e a mortalidade materna, tem-se discutido a venda destes anticoncepcionais sem prescrição médica em diversos países da Europa. Isso porém, ainda não foi aprovado.

NO BRASIL, A PAE REQUER PRESCRIÇÃO MÉDICA

ANTICONCEPCIONAIS DISPONÍVEIS NO MERCADO PARA ACE

Nome Comercial Modo de usar Composição

POSTINOR - 2POZATOPILEM

1 comprimido de 12 em 12 horas
(02 doses, total de 02 comprimidos)

Levonorgestrel 0,75mg

EVANOR NEOVLAR

(Método Yuspe) 2 comprimidos de 12 em 12 horas (02 doses, total de 04 comprimidos)

Levonorgestrel 0,25mg + Etinil-estradiol 0,05mg

ANFERTIL PRIMOVLAR

2 comprimidos de 12 em 12 horas
(02 doses, total de 04 comprimidos)

d-I norgestrel 0,50mg + Etinil-estradiol 0,05mg

NORDETTE MICROVLAR

4 comprimidos de 12 em 12 horas (02 doses, total de 08 comprimidos)

Levonorgestrel 0,15mg + Etinil-estradiol 0,03mg


Bibliografia consultada:

- Entre Nous - Serviço de Saúde da Mulher e da Saúde Reprodutiva. Bureau Regional da OMS para a Europa - Versão portuguesa, editada pela Direção Geral da Saúde, Ministério da Saúde, Lisboa, Portugal. Nº 39 / outono 1998. entrenous@who.dk

- Informativo sobre Anticoncepção de Emergência para mulheres e profissionais de saúde. Publicação da Campanha Educativa realizada pela Secretaria de Saúde do Estado da Paraíba. Brasil, 1999.

- Pílula Anticoncepcional de Emergência - Consórcio para Anticoncepção de Emergência: Concept Foundation; Pathfinder International; International Planned Parenthood Foundation; Pacific Institute for Women´s Health; Population Council; population Services International; Program for Appropriate Tecnolog in Health; OMS. Consortium Coordinator: www.path.org/ecconsor/; e-mail: ewells@path.org

Rhamas