Depoimentos
e Histórias Registradas na Memória
"Eu
acho que violência contra a mulher é o que aconteceu
comigo e que acontece com outras mulheres. Se ele fosse um
estranho, eu até que não estava tão revoltada,
mas foi meu pai, ele não me respeitou em momento algum.
Ele não me considerou como filha. Outro caso de violência é o
espancamento. Além disso, eu acho que tem muito homem
que tira a privacidade da mulher e pra mim isso já é uma
violência. Eles fazem isso com as mulheres porque eles
acham que são homens e podem tudo. Eles não vêem
que se não fosse a mulher eles não estariam no
mundo. Eles não olham essa parte não. Eles não,
a maioria". (Gabriela sofreu abuso sexual, físico
e psicológico por parte do pai, dos sete aos 13 anos
de idade. Conseguiu sair de casa aos 14 com apoio de um serviço
de saúde. (Brasil, 2000).
"Eu
acho que existe violência de todo tipo. Acho que existe
a discriminação muitas vezes, sabe? De você ser
taxada como menos capaz. Existe aquela de casa, do marido,
das mulheres que não têm um grau de instrução
melhor, das mulheres que não trabalham, das mulheres
que ficam em casa cuidando dos filhos. Do marido que bate,
que aparece com outras na cara delas e elas não podem
dizer nada porque são sustentadas por eles. E eles acham
que a mulher está alí para servir de qualquer
coisa, entendeu? Que eles podem falar qualquer coisa: que ela é isso,
que ela é aquilo e que a mulher não pode fazer
nada, entendeu? Eu acho que, por ser mulher, você ainda
não pode sair sozinha. Eu estava conversando com um
amigo meu, num bar, e duas mulheres estavam tomando umas cervejas,
e ele disse: _olha lá: duas mulheres sozinhas numa mesa,
estão esperando homem! Eu falei: qual é o problema
de duas mulheres, numa sexta-feira à noite, estarem
sentadas num bar? São duas amigas, tomando uma cerveja".
Ele respondeu: _ que nada, quando você vê duas
mulheres sozinhas, numa mesa, é porque tão esperando
algum macho, alguma coisa desse tipo! Eu disse: menino! Como
tu és machista, pelo amor de Deus! Quer dizer que um
homem sentar numa mesa de bar sozinho é normal, mas
a mulher, não? Ele respondeu: Não! (Adélia.
Brasil, Ano 2000).
A
HISTÓRIA DE SÔNIA
Final de ano. Sônia, 16 anos, voltava do colégio onde fez a matrícula
para ingressar no segundo grau. Esperava para atravessar a rua. Um carro parou
subitamente. O motorista abriu a porta e a puxou para dentro. Ameaçando-a
com uma arma e dirigindo em alta velocidade, ele seguiu para uma mata afastada
da cidade. Sexo oral, vaginal, uma, duas vezes. Calada, ela pensava em sua
mãe e chorava. _Se você contar a alguém o que se passou,
você e sua família morrem. Sônia foi para casa. Lavou-se à exaustão.
Sentia-se suja. Tinha nojo de sí . Vomitou muito. Chorou em silêncio
e ficou em casa vários dias. Conversou com uma amiga. Não queria
incomodar sua mãe, recém-separada do marido, alcoolista, que
lhe batia. A filha não queria lhe dar mais uma tristeza. Duas semanas
após ela teve um pequeno sangramento e achou que era a menstruação.
Quis esquecer tudo. Três meses depois, uma vizinha disse para sua mãe:
_Tu não estás vendo que tua filha está grávida?
A mãe foi procurá-la e perguntou: _Quem foi? Porque você me
enganou? Por que você não me disse nada? Foi difícil convencer
a mãe do que acontecera. Em companhia de uma prima, Sônia procurou
um grupo de mulheres de sua comunidade e pediu orientação. Pouco
se podia fazer, não havia serviços de atenção a
vítimas de violência naquela cidade. _ Se eu tenho esse filho,
lá no bairro vão dizer que eu sou uma prostituta. Se eu digo
que foi estupro ninguém acredita. Nem minha mãe acreditou em
mim! Sem acesso a um serviço de saúde que a atendesse dignamente,
ela procurou o aborto clandestino e foi atendida num consultório sem
as mínimas condições de segurança, expondo-se aos
riscos da mortalidade materna porque a rede pública de saúde
ainda não oferecia os serviços que poderiam garantir a Sônia
o exercício de seus direitos. (Brasil, 1990)
JOSEFA
E SEU COMPANHEIRO
Josefa voltava para casa com a filha adolescente, quando foi atacada por três
homens. Reagiu, lutou contra e gritou: Corra minha filha! A menina conseguiu
fugir. Josefa foi estuprada. Engravidou. Ao descobrir a gestação,
ela conversou com o marido. Sentia muita tristeza. Raiva daqueles homens. Culpa
de não ter conseguido se defender direito, de ter passado naquele lugar.
Lembrava da filha e agradecia a Deus por não ter acontecido coisa pior.
Ela não queria esse filho, mas não tinha coragem de abortar.
Sua religião condenava o aborto. O marido lhe disse que aceitaria o
filho como seu. Josefa sentiu-se apoiada, mas queria ser atendida num serviço
de saúde. Mesmo com apoio do marido e tendo decidido ter o filho, a
rejeição pela gravidez continuava. Ela procurava uma psicóloga
que lhe ajudasse a enfrentar aquela situação. Josefa encontrou
quem lhe atendesse? Não se tem a resposta. (Brasil, 1992)
COM ROSALI FOI ASSIM
Rosali tinha 17 anos. Assistia televisão em casa, num bairro da periferia
de uma grande cidade, quando decidiu sair para comprar um sanduiche. No caminho,
foi interceptada por dois homens e estuprada sob ameaça de uma arma.
Assustada, voltou para casa e em companhia da mãe foi à delegacia.
Dalí, as duas seguiram ao hospital. Na emergência, recebeu cuidados
ginecológicos inadequados para uma situação de violência
sexual (ducha vaginal). Dois meses depois ela descobre a gravidez e recorre
ao serviço que lhe atendeu na ocasião do estupro. Ninguém
sabia o que fazer. A mãe, segura de seus direitos procurou as autoridades.
Ela dizia: _ Alguém precisa fazer alguma coisa, essa menina não
pode continuar grávida. Ela não procurou isso. Rosali cabisbaixa,
apenas chorava. Três meses após a interrupção de
gravidez, realizada numa maternidade pública de referência para
vítimas de violência sexual, a adolescente deu notícias
para quem lhe atendeu: _ Oi doutora, aqui é Rosali, a menina do estupro.
Liguei para dizer que estou bem. Arranjei um emprego e voltei a estudar. A
vida de Rosali retomava seu curso. (Brasil, 1996)
ADÉLIA
Adélia
está só em casa. Chega um rapaz à sua residência,
pergunta por seus familiares e pede um copo d'água. Adélia
dirige-se à cozinha e é seguida. Com uma faca no
pescoço ela é estuprada e ameaçada de morte
caso revele o fato a alguém. Adélia permanece em
silêncio até descobrir que está grávida.
Sente medo e vergonha.
Conta tudo à sua mãe e não recebe a acolhida esperada.
Ela não lhe dá crédito e tampouco a aconselha a prestar
queixa ou tomar qualquer outra atitude. Adélia acredita que a falta
de informação leva sua mãe a agir dessa maneira.
Por iniciativa própria, ela procura a Delegacia da Mulher também
esperando um atendimento especial, mas o serviço está em greve.
A delegada ausente. Dias depois Adélia consegue ser atendida por ela,
afirma que conhece seus direitos e quer realizar um aborto. Sem nenhum tipo
de orientação é encaminhada ao IML. É mal recebida
pela recepcionista e questionada sobre a demora em prestar queixa. Faz o exame
de corpo de delito com uma médica que lhe trata de "forma mecânica".
Depois de longa espera para liberação do laudo, Adélia
volta a falar com a Delegada. Ao ser inquirida por Adélia sobre em que
maternidade poderia interromper a gravidez, "agressivamente" a delegada
lhe responde: "eu não posso dizer isso não, você se
vire".
Sem saber onde fazer o aborto, Adélia procura médicos de sua
relação pessoal que lhe indicam um serviço de referência.
Neste local ela é atendida por um médico e uma enfermeira - cordiais
e gentis, pois, segundo percebe, eles estão acostumados a realizar este
tipo de procedimento. Em seguida, Adélia é acompanhada pelo serviço
social e orientada sobre o direito de realizar o aborto de forma segura.
Durante a internação e realização do aborto Adélia
fica só. Nesse momento sente a indiferença de alguns profissionais
de saúde que não fazem parte da equipe sensibilizada e treinada
para atender vítimas de violência sexual. Uma auxiliar de enfermagem
tenta convencê-la a não fazer o aborto dizendo que isso é contra
a lei de Deus; que conhece muitas mulheres estupradas que tiveram seus filhos,
hoje, considerados bons filhos. Adélia espera uma atitude imparcial
e reage: "vocês deviam ser pessoas neutras, porque este não é um
problema de vocês, isso é um problema meu, que eu estou tentando
resolver... O aborto ocorre durante a noite. Ao término do tratamento,
sente-se aliviada. Segura da decisão que havia tomado, ela esperava
um acompanhamento diferente dos serviços por onde passou.
SUELENE
Suelene foi abusada
sexualmente pelo pai durante um ano. Ameaçada com uma faca,
ela era obrigada a manter relações sexuais. Sentia-se
muito mal, mas com medo ela nada contava para sua mãe.
Com a gravidez a mãe descobre o que está acontecendo e juntas
vão ao Conselho de Proteção aos Direitos da Criança
e Adolescente e à delegacia e ao IML onde foi feito o exame de corpo
de delito. O agressor foi preso imediatamente.
É encaminhada para tratamento no hospital de referência, sendo atendida
por uma equipe com assistente social, psicóloga e médicos.
A mãe e uma tia lhe dão apoio durante a denúncia e todo
acompanhamento de saúde. Em todos os serviços ela afirma ter
recebido um ótimo atendimento, compreensão, apoio e força
para superar o que estava acontecendo.
Ela decide abortar, porque mesmo considerando o aborto uma agressão
para a mulher, não suporta a idéia de ter um filho do próprio
pai.
Suelene conhecia a lei que permite a interrupção da gravidez
por estupro porque assistiu a uma entrevista na televisão onde o assunto
foi tratado. Mas, pra ela não foi uma decisão fácil. "Se
a gravidez fosse de um namorado eu enfrentaria com unhas e dentes, mesmo sem
ajuda do pai eu não abortaria".
Após o aborto e o fim do tratamento clínico Suelene sente muito
bem. Para ela é importante ter feito tudo dentro da legalidade, "tudo
na justiça" e "ele estar preso".
Fazer o aborto num serviço público lhe dá a certeza de
que não ficaria com problema nem correria risco de vida. Ela diz conhecer
casos de aborto, feitos "no silêncio" onde as meninas ficam
doentes e até morrem.
Ao sair do hospital Suelene tem medo das críticas, mas acredita que
o mais importante é o que ela pensa e não a opinião dos
outros. Durante o depoimento ela afirma sentir muito ódio pelo pai.
Mas o apoio familiar e das instituições públicas parece
ter sido - ou estar sendo - fundamental para a superar os problemas associados
ao abuso sexual.
ANA LÚCIA
Ana Lúcia
foi abordada por um rapaz, num ponto de ônibus. Ele
lhe chamava insistentemente a Ana, com medo de falar com
desconhecidos, seguia adiante. O rapaz aproximou-se perguntando
se ela queria trabalhar como recepcionista recebendo dois
salários mínimos. Recusando a oferta, Ana disse-lhe
que estava apressada e precisava ir embora. Nesse momento,
ele passou a ameaçá-la de morte caso gritasse,
disse estar com um revólver cheio de bala que poderia
descarregar em cima dela. Poderia até obrigá-la
a fazer sexo oral, anal e vaginal na frente de todos, pois
não tinha nada a perder e até matá-la
alí mesmo. Vendo-se sem saída "eu não
tive outra opção" Ana Lúcia o acompanhou "olhando
só para ele para ninguém desconfiar de nada" como
lhe foi exigido. Ele conversava e sorria, e seguiram andando
normalmente como se fossem amigos.
Ana Lúcia é estuprada num matagal próximo à delegacia.
Durante o ato, o agressor faz comentários sobre si mesmo e sua vítima.
Revela que saiu do presídio recentemente, onde estava por ter assassinado
o responsável pela morte de seu irmão. Faz elogios e comentários
agressivos sobre sua vítima: "você é muito ignorante,
mas é bonita". Ela chora e lhe pede pelo amor de Deus que pare
de lhe tocar. Ele irrita-se, diz não agüentar mais ouvir esse nome, "pare
com esse chororô" isso "é o que mais se ouve lá no
presídio". Diz não saber porque estava fazendo aquilo com
ela, só sabia que não ia parar porque estava bom. Pergunta se
ela tem dinheiro. Lhe pede uma foto de lembrança, aponta para a casa
onde mora. Recomenda que ela vá embora sem olhar para trás e
não o denuncie, senão ele rodará os quatro cantos do mundo
para encontrá-la e matá-la junto toda a família.
Após a agressão, com medo de contrair HIV, Ana Lúcia dirigiu-se à Casa
da Cidadania para pedir auxílio. Acompanhada por uma assistente social,
ela foi ao Departamento de Proteção da Criança e do Adolescente,
mas pode ser atendida porque era maior de 18 anos. Prestou queixa na delegacia,
fez o exame no IML e foi encaminhada para o serviço de saúde
de referência.
Ana Lúcia considera que recebeu um bom atendimento em todos os serviços
por onde passou, mas acredita que foi assim porque a assistente social esteve
ao seu lado todo o tempo. Ela recomenda que os serviços sejam mais ágeis
e ressalta a necessidade de haver profissionais especializados para atender
as pessoas vítimas de violência "porque uma pessoa assim
precisa de muita atenção". Ela ressalta a importância
do médico ter sido atencioso, ter ficado preocupado por ela estar em
período fértil, ter tomado as providências com rapidez.
CRISTINE
Ao nascer, Cristine não foi aceita pelo pai sendo criada pela avó materna.
Ele queria que o primeiro filho fosse homem. Quando completou sete anos, sonhando
conviver com seu pai, mãe e irmãos ela foi morar com os pais.
Logo de início ele a proibiu de fica no mesmo quarto dos irmãos
e colocou-a para dormir na sala.
À noite, com todos dormindo ela passa a ir até onde Cristine dorme.
Toca-lhe o corpo, alisa seu peito e ao perceber seu choro a ameaça. Coloca
um revólver do seu lado e avisa que se contar a alguém ela morre.
Cristine é abusada dos sete aos treze anos. O pai faz um buraco na parede
do banheiro para lhe observar durante o banho. Ele lhe diz que ninguém
pode com ele, que "aqui na terra ele pode mais que Deus. O medo "me
fraquejava". Ela temia não ser mais virgem.
Cristine sente-se uma escrava em sua casa. É tratada de modo diferente
dos irmãos, realiza todas as tarefas domésticas e não
entende o motivo. Acha-se rejeitada e perseguida pelos pais. Apanha com chicote,
leva murros do pai e surras da mãe.
Num dado momento decide contar para a irmã e uma prima o que acontece
durante a noite. A prima lhe aconselha falar com a mãe. Esta, não
acredita, ou melhor diz que ela deve estar dando motivo para isso acontecer
e passa a ameaçá-la. Sempre que fazia algo errado ou deixa alguma
tarefa doméstica sem realizar, a mãe avisa que vai contar ao
marido o que ela lhe contou. "Ela usava isso pra cima de mim como se fosse
uma arma". Cristine sente-se vigiada. Não pode sair só de
casa nem conversar com ninguém, um dos pais está sempre por perto.
Ela não sabe a quem pedir ajuda.
Até que, num certo dia, conversando com uma funcionária da biblioteca
da escola onde estuda, Cristine relata sua história e é levada
a um serviço de saúde de referência. Faz exame clínico
e ginecológico, acompanhamento psicológico e é apoiada
na processo de saída de casa. Ela vai morar com um primo que solicita
sua guarda à justiça e denuncia o pai.
O delegado quer provas para prendê-lo e lhe sugere: "você deixa
seu pai lhe espancar... e depois que ele lhe espancar bem muito você corre
pra cá!". Ela lhe faz uma contra-proposta: abrir uma sindicância
no local onde ela reside para investigar quem ele é. Após prestar
queixa ela faz o exame de corpo de delito. Fica aliviada por ainda ser virgem.
Os pais de Cristine continuaram ameaçando-a por longo tempo, acusaram-na
de prostituição, de levantar falso testemunho e não foram
punidos pelos crimes que cometeram.
Sobre os serviços, Cristine avalia muito bem o setor saúde. Ela
teve todo acompanhamento necessário, compreensão e apoio. Mas,
para ela, os setores que poderiam impedir que ela continuasse sendo agredida
pelo pai não atuaram de modo adequado. Lentos e inoperantes na resolução
de seu problema, ela sugere à delegacia, ao IML e à Procuradoria
que sejam mais eficientes no cumprimento de suas responsabilidades.
ADELINA
Adelina
voltava de uma festa, com uma amiga e o marido. No caminho
de casa, eles foram abordados por três rapazes armados
de revólver. Era um assalto. O marido da amiga foi imobilizado
e sua mulher ameaçada de morte. Adelina foi espancada
pelo assaltante que percebeu sua tentativa de esconder alguns
pertences. Ele lhe puxou pelos cabelos, lhe deu murros, coronhadas
de revólver e atirou duas vezes bem próximo de
seus ouvidos. Em meio a todas essas agressões ele a
empurrou para o lado de uma barraca que havia na calçada,
um local mais escuro, e a estuprou. Um segundo assaltante aproximou-se
também para violentá-la e lhe mordeu os seios.
Com medo de alguma doença, com medo da Aids, sentindo muitas dores,
nojo e raiva dos agressores, Adelina teve medo também de chegar em casa
naquelas condições e ser responsabilizada pelo marido, do que
ocorrera. Foi até a casa de sua mãe e não conseguiu acordá-la.
Decidiu dormir na casa da amiga.
No dia seguinte foram a um hospital onde foi examinada (mas não medicada)
e encaminhada ao serviço de referência. Era domingo, não
havia pessoal preparado para atendê-la. Ela não foi examinada,
nem recebeu qualquer orientação. Oportunidade perdida. Pediram-lhe
que retornasse no dia seguinte. Voltou ao serviço dois dias depois por
insistência do marido. "Você vá. Você não
conhece esses maus elementos, não sabe o que eles têm, é melhor
fazer um exame, senão eu não quero nada com você não".
Nessa consulta foram tomadas as providências para anticoncepção
de emergência e profilaxia de doenças sexualmente transmissíveis
e iniciado o acompanhamento psicológico.
A demora na entrega dos exames é a única queixa de Adelina em
relação aos serviços de saúde. O atendimento da
equipe especializada foi considerado muito bom. Sentiu-se protegida. Recomenda
apenas mais agilidade nos resultados dos exames.
O marido de Adelina, de fato só acreditou que a mulher foi agredida
depois da confirmação médica e só passou a ajudá-la
depois de conversar com a psicóloga. Até então, ele acreditava
que ela era a culpada e ameaçou-a com a separação caso
o teste anti-HIV fosse positivo.
Ao deixar o hospital, Adelina procurou a amiga para prestar queixa, porque
ela havia reconhecido um dos agressores pela voz. A amiga, recusou-se a testemunhar
e se Adelina quisesse que prestasse queixa sozinha, esquecesse que estava acompanhada
.
Com medo de uma possível vingança, Adelina desistiu de denunciar
os assaltantes. Não obstante, dois foram presos ao assaltar e ferir
um policial. Um deles tinha uma tatuagem no braço. O pai de Adelina
fez o reconhecimento na delegacia a partir de suas informações.
Adelina mudou de opinião frente ao problema da violência sexual.
Para ela isso não existia, as mulheres que diziam ter sofrido estupro
estavam inventando e por isso não mostravam a cara quando falavam na
televisão. Agora não. Ele entende os motivos que uma mulher tem
para não querer mostrar o rosto nem falar do assunto depois de agredidas
sexualmente. Mesmo assim, ela recomenda as mulheres vítimas de violência
denunciem os agressores.
