Título:
Estudo de Fatores Relacionados com a Violência
Sexual Contra Crianças, Adolescentes e Mulheres
Adultas
Categoria: Tese de doutoramento. São Paulo/SP. 2000Versão para
internet - 65 páginas
Autoria: Jefferson Drezett Ferreira
Resumo: Entre julho de 1994 e agosto de 1999 foram estudadas, retrospectivamente,
1189 pacientes vítimas de estupro e/ou atentado violento ao pudor regularmente
matriculadas no Serviço de Atenção Integral à Mulher
Sexualmente Vitimada do Centro de Referência da Saúde da Mulher
e de Nutrição, Alimentação e Desenvolvimento Infantil.
As pacientes foram alocadas em três grupos de estudo: a) 71 crianças
(idade < 10 anos); b) 546 adolescentes (idade ³10 e <20 anos) e c)
572 adultas (idade ³ a 20 anos). O objetivo foi estudar, comparativamente:
tipo de crime sexual; constrangimento imposto; tipo de presunção
de violência; identificação, tipificação e
número de agressores; situação da vítima no momento
do crime; ocorrência e tipificação do trauma genital e extragenital;
e início de atividade sexual prévia ao crime. Concluímos
que o estupro predominou entre adolescentes (59,2%) e adultas (62,1%) e o atentado
violento ao pudor entre as crianças (46,5%). A grave ameaça foi
o principal constrangimento imposto às adolescentes (63,2%) e adultas
(67,8%) e a violência presumida, às crianças (63,4%). A violência
presumida, devido à deficiência mental, foi expressiva entre adolescentes
(35,1%) e adultas (70%), enquanto que, nas crianças, a inocencia consilli
foi fator exclusivo. O uso de substâncias que interferem no estado de consciência
foi presunção de violência associada com maior freqüência às
adultas (20%). O agressor desconhecido prevaleceu entre adolescentes (86,6%)
e adultas (88,1%). Nas crianças houve predomínio de agressores
identificáveis (84,5%), principalmente aqueles do núcleo familiar
ou com elas aparentados. Nas adultas destacou-se o agressor com o qual mantinham
relacionamento afetivo e/ou sexual no momento da violência ou anteriormente
a ela (25,2%). O morador da vizinhança foi o agressor mais freqüente
entre adolescentes (27,6%) e adultas (27,9%) e o segundo agressor mais freqüente
entre crianças (16,5%). O crime sexual ocorreu durante atividades cotidianas
e em espaços públicos, nas adolescentes (78,2%) e nas adultas (82,9%).
Entre as crianças, a violência sexual foi perpetrada, principalmente,
dentro de espaços privados (70,5%). O trauma genital foi mais freqüente
entre crianças (8,2%), enquanto que os extragenitais foram observados
somente em adolescentes (11%) e adultas (14,4%). A maioria das adultas referiu
ter atividade sexual prévia ao crime (88,5%), enquanto que 37,1% das adolescentes
ainda não havia iniciado vida sexual.
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