Mulheres Vítimas de Violência

Atendimento multidisciplinar
_______________________________________________________________

Celi A.T. Maia
Aurélia D. C. A. Mondaca
Janete A. de Lima
Marilene Colodo
Terezinha M. Lemos
Andréa da Silveira Rossi
Maria José N. Vieira

Centro de Assistência Integral à Saúde da Mulher, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP.

INTRODUÇÃO
O Centro de Assistência Integral à Saúde da Mulher (CAISIM) é um hospital terciário, especializado no atendimento tocoginecológico, que desde a sua implantação, em 1986, atende a população em várias situações específicas como a violência sexual.
Inicialmente o número de mulheres vítimas de violência sexual que procuravam o hospital era bastante reduzido e se caracterizava por pacientes com necessidade de internação devido a graves lesões ginecológicas, ou em busca de informações para a interrupção legal da gestação, conseqüência do estupro. Esta última situação era na maioria das vezes, mobilizadora de angústia e ansiedade e conflitos éticos, morais, religiosos e legais, tanto para a paciente, como para alguns profissionais que não estavam preparados para este tipo de intervenção. A partir de 1998, houve um aumento do número de casos de mulheres vítimas de violência sexual que procuraram a Instituição para atendimento médico imediato pós-estupro e orientação. Estas mulheres chegavam sozinhas, acompanhadas por familiares, amigos ou policiais, com queixas variadas como conseqüência da agressão e assustadas com a possibilidade de estar grávida ou ter se contaminado com algum tipo de DST/HIV/AIDS. Desde então, houve necessidade da equipe multidisciplinar (médico, enfermeira, assistente social e psicóloga) se organizar e pensar qual seria a maneira adequada de atender a esta nova demanda. Para este atendimento, são condições essenciais a existência de um local tranqüilo, com privacidade, e profissionais tecnicamente preparados que saibam diferenciar seus valores morais e religiosos daqueles dos pacientes, que não façam julgamentos e possam acolher a angústia e o sofrimento do outro. Protocolos de atendimento de cada especialidade (médico, de enfermagem, do serviço social e da psicologia) estão em vigor desde setembro de 1998 e contribuíram para uma melhor organização deste atendimento. Serão descritos a seguir os protocolos de atendimento de enfermagem, do serviço social e da psicologia.

PROTOCOLO DE ATENDIMENTO: ENFERMAGEM

Toda cliente que procurar o hospital, após ter sido vítima de violência sexual, deverá ser encaminhada para Unidade de Internação de Ginecologia onde será atendida pela enfermeira, que providenciará a abertura do prontuário. No atendimento inicial serão realizados entrevista e exame físico, conforme um roteiro pré-estabelecido (Quadro 1). Durante esta entrevista são levantados dados que possibilitam conhecer a cliente e os fatos ocorridos que serão necessários na elaboração dos Diagnósticos e Prescrição de enfermagem (Quadro 02); também é feita a orientação dos procedimentos que serão realizados e é discutido a possibilidade de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis e as medicações indicadas para prevenção e tratamento. O atendimento é sempre realizado em local privativo e se a cliente for menor de 18 anos ou incapaz deverá ser acompanhada de um familiar ou amiga, quando houver. Após a entrevista comunicar o médico de plantão para o atendimento de cliente. Será realizado consulta conforme protocolo médico, na presença de circulante da enfermagem em sala. Deverá ser providenciado material para colher cultura de secreção vaginal, anal, oral ou em outras partes do corpo em que o agressor tenha ejaculado, para verificar a presença de espermatozóides (swab ou gaze estéril), guardando na geladeira o material colhido e identificado.

__________________________________________________________________

Quadro 1 - Formulário de atendimento

1 - Identificação:
· nome, idade, estado civil, cor da pele, escolaridade, profissão, religião e presença de acompanhante.

2 - Antecedentes Gineco-Obstétricos:
· DUM, ritmo menstrual, atividade sexual (virgem), contraceptivos, data do último contato sexual, número de gestações e partos, doenças sexualmente transmissíveis, referência de queixa ginecológica atual e tentativa anterior de estupro ou estupro anterior.

3 - Dados do fato ocorrido conforme relato da cliente:
· data, hora, local;
· número de atacantes, se é conhecido ou desconhecido, qual a idade aproximada e descrição física;
· tipo de contato sexual (oral, vaginal, anal);
· testemunhas;
· formas de agressão: intimação com palavras, armas, objetos contundentes, ou outros;
· se foi obrigada ao uso de álcool ou droga e se foi iludida com palavras.

4 - Avaliação:
- Estado físico
· deambulação normal ou com dificuldades (se sente dor ao caminhar ou sentar);
· descrição das roupas;
· registrar presença e localização de, hematomas, equimose, edema, mordidas, unhadas, feridas, queimaduras, e outros, ou ausência de lesões aparentes;
· sintomas gastrointestinais: vômitos, diarréias ou cólicas.

- Estado emocional
· chorosa, nervosa, histérica, apática, retraída, assustada, etc. obs: Este exame deve ser feito na presença de uma funcionária de enfermagem e de um familiar, se a vítima for menor ou incapaz. Anotar se a vítima tomou banho ou trocou de roupa.

5 - Encaminhamentos:
· Núcleo de vigilância Epidemiológica;
·Psicóloga;
· Assistente Social;
· SOS Ação Mulher;
· Delegacia.

6 - Retorno:
*Programas de Ginecologia.

Quadro 2 - Diagnósticos de Enfermagem

· Síndrome do Trauma do Estupro, evidenciado pelo relato de ataque sexual e sinais de agressão física.
# Resultados esperados
A cliente: - compartilhará seus sentimentos;
- poderá descrever a justificativa e os procedimentos de tratamento;
- identificará os membros da equipe multiprofissional e os procurará
em momento oportuno.

· Conforto alterado relacionado a trauma no períneo (ou ânus ou orofaringe) após violência sexual, fatores emocionais, efeitos colaterais de anticoncepção de emergência evidenciado por queixa de dor, prurido, náuseas e vômitos.

# Resultados esperados
A cliente:
- concordará com a validação da dor;
- relatará o alívio, após uma medida satisfatória.


· Risco de infecção relacionado à relação sexual desprotegida.

# Resultados esperados
A cliente: - demonstrará conhecimento dos riscos a que foi exposta;
- entenderá a necessidade de acompanhamento prolongado, bem
como a importância do uso correto da medicação.
· Medo relacionado a trauma pós-estupro.

# Resultados esperados
A cliente: - relatará um aumento no conforto fisiológico e psicológico.

· Integridade da pele prejudicada relacionada a traumatismo físico.

# Resultados esperados
A cliente: - identificará os fatores causais;
- realizará o plano de tratamento proposto;
- identificará onde deve buscar atendimento se necessário.

· Estratégias ineficazes de resolução familiar: incapacitante, relacionadas a trauma pós-estupro de familiar, evidenciado por história de abuso doméstico.

# Resultados esperados
A cliente: - relatará os ataques físicos que sofreu;
- buscará auxílio para o comportamento de abuso sexual sofrido.

__________________________________________________________________


Ao término, a enfermeira avalia a necessidade e a possibilidade da cliente tomar banho, e a encaminha. Fornece a medicação prescrita, ministra e orienta modo de uso, efeitos colaterais e condutas para minimiza-los. Orienta sobre as manifestações clínicas das infecções. Oferece a família esclarecimentos no que se fizer necessário e estimula o oferecimento de apoio à vítima. Agenda o retorno em um dos Programas de Ginecologia e encaminha para o atendimento com a psicóloga e assistente social. Ao final é fornecido embalagem para a cliente guardar seus pertences e orienta quanto à importância de levar ao Instituto Médico Legal objetos ou roupas que possam auxiliar na resolubilidade do caso, se a cliente registrar a ocorrência na Delegacia. O registro da ocorrência é orientado por todos os profissionais como um direito da cliente.
Todo atendimento é registrado em livro próprio para fins estatísticos.


PROTOCOLO DE ATENDIMENTO


I. Atendimento Social - Ocorrência de Violência Sexual Imediata ou Remota, Sem Gravidez.

O Serviço Social realiza esse atendimento, através de entrevista para levantamento dos dados, a fim de viabilizar o conhecimento do caso e promover o apoio psicossocial.
A intervenção social não ocorre apenas com a usuária, é extensiva aos familiares e/ou colaterais, quando necessário.
A entrevista é o instrumento utilizado para a intervenção social, visando:
· Conhecer a história da usuária, com data e local do estupro;
· Orientar sobre a importância do boletim de ocorrência, esclarecendo não ser condição para o atendimento e encaminhar para essa providência, se for desejo de usuária.
· Identificar a demanda social trazida pela usuária, decorrente ou não da situação de violência, tais como: direitos previdenciários e trabalhistas, desemprego, relacionamento familiar e/ ou conjugal, direitos da usuária com observação do Estatuto da Criança e do Adolescente, da Declaração dos Direitos Humanos e de Cidadania, etc..;
· Identificar o apoio familiar e/ou da rede de relacionamentos da usuária, frente ao ocorrido;
· Reforçar a importância do atendimento médico e psicológico, enfatizando o acompanhamento nos Ambulatórios de Ginecologia e Moléstias Infecto-contagiosas;
· Esclarecer a usuária quanto aos recursos da instituição: passes urbanos, transporte e medicação, quando necessário;
· Orientar e encaminhar para os recursos da comunidade, tais como: SOS Ação Mulher e Família, Conselho Tutelar, Promoção Social das Prefeituras, Postos de Saúde e outros;

O Serviço Social também tem constatado a importância do entrosamento com outros órgãos públicos envolvidos nesta problemática, como a Delegacia da Mulher, outros Distritos Policiais e Serviços de Saúde do Município e Região, visando socializar as informações sobre a importância do atendimento médico imediato nas ocorrências de violência sexual, com objetivo de maior eficácia no atendimento.

II. Atendimento Social - Mulher com Gravidez, decorrente de Violência Sexual


O Serviço Social realiza este atendimento, através de entrevista para promover o acolhimento da usuária e sua rede de relacionamento, seguindo a mesma rotina do atendimento às vítimas de violência sexual sem gravidez, porém, tais entrevistas abordam ainda, aspectos específicos inerentes a essa situação, visando:
· Identificar o desejo de interrupção ou não da gravidez, os valores morais e religiosos e discutir as alternativas como: pré-natal e doação do recém-nascido;
· Orientar quanto ao protocolo da instituição para atendimento dessa problemática;
· Esclarecer seus direitos e encaminhar para os trâmites legais exigidos pela instituição, a fim de viabilizar a interrupção da gravidez;
· Orientar quanto à necessidade de atendimento médico para constatação da idade gestacional.

Conforme o protocolo de atendimento médico do CAISM, mulheres com idade gestacional até 12 semanas poderão ser admitidas sem consulta prévia, porém quando a gestação for maior de 12 e menor de 20 semanas, os casos serão avaliados por uma comissão formada pelo Diretor Clínico, o Presidente da Comissão de Ética, o Diretor da Área de Ginecologia, o Diretor da Área de Obstetrícia, uma psicóloga e uma assistente social. Quando a gestação for superior a 20 semanas as usuárias serão orientadas e encaminhadas ao pré-natal.
O atendimento social às vítimas ou remota sem gravidez como a interrupção legal da gestação, não se encerra em uma única entrevista; o acompanhamento dos casos ocorre espontaneamente, conforme necessidades manifestadas pelas usuárias.


PROTOCOLO DE ATENDIMENTO: PSICOLOGIA

O atendimento psicológico é dividido em três momentos distintos, que não são necessariamente três únicos atendimentos, mas sim diretrizes das principais demandas observadas através do atendimento a esta população.
O primeiro momento propõe avaliar, orientar e lidar com as emoções e reações da mulher, bem como a de seus familiares ou acompanhantes, logo após a vivência do estupro. Pensar neste assunto desperta uma enormidade de emoções e reações diferentes. Vivenciar uma situação dessas significa potencializar sensivelmente estas emoções e reações, sejam elas quais forem: medo, raiva, revolta, culpa, ansiedade, bem como calma ou apatia, não havendo portanto, um padrão de comportamento comum.
A "invasão da intimidade sexual" pode causar uma desestruturação na organização psíquica, na auto-estima e na vida pessoal, havendo necessidade de cuidados nesse sentido. Mecanismos de defesa inconscientes como: negação, isolamento e repressão podem ser observados em função do sofrimento psíquico e da estrutura de personalidade. A procura pelo médico, o uso de medicações específicas, o respeito para com os sentimentos presentes e as limitações relacionadas à situação vivida são considerados importantes.
O aconselhamento sobre DST/HIV/AIDS, orientação sobre anticoncepção de emergência, ou sobre a possibilidade de realização do abortamento legal são conteúdos necessários, para que a mulher tenha dados de realidade, que a ajudem a desmistificar as fantasias relacionadas a estes aspectos e enfrentar conscientemente cada situação.
Como muitas mulheres e adolescentes não têm vida sexual ativa, se faz necessário abordar o tema relacionado aos mitos e tabus da virgindade, orientando a respeito do assunto com o objetivo de desvincular a violência sofrida da primeira relação sexual.
Sintomas físicos como: dores generalizadas, irritação gastro-intestinal, cefaléia, insônia, irritabilidade e distúrbios ginecológico-urinários podem ser observados, com aparecimento a curto ou a longo prazo, havendo a necessidade de descartar uma possível causa orgânica ou de origem psicossomática.
Observa-se também sentimento de medo relacionado à discriminação social das mulheres vítimas de estupro. A idéia de que "a mulher que é estuprada é aquela que dá motivos ou provoca a situação" ou "só é considerado estupro de verdade aquele em que a vítima é espancada, machucada fisicamente ou até morta" são preocupações mencionadas, que acabam interferindo no processo de elaboração da vivência traumática. O apoio e compreensão dos familiares ou pessoas próximas é bastante importante, e para que isso ocorra de maneira adequada, faz-se necessária à avaliação e orientação psicológica destes.
Nem sempre é possível a abordagem de todos os aspectos mencionados acima. Nem todas as pacientes são receptivas ao atendimento psicológico que lhes é oferecido e não imposto. Em todas as ocasiões é oferecida a possibilidade de retorno para continuidade deste tipo de atendimento. No entanto, comumente observa-se resistência por parte das pacientes que manifestam a idéia de que se não falarem no assunto irão esquece-lo mais rapidamente, demonstrando dificuldade que provocam angústia e sofrimento, e o desejo "mágico" de afastá-los se não expressar verbalmente os conteúdos e emoções relacionados ao assunto.

__________________________________________________________________


Primeiro Momento

· Avaliação dos sentimentos predominantes (medo, revolta, raiva, culpa, ansiedade, angústia, calma).
· Avaliação do grau de desorganização da vida pessoal.
· Avaliação da organização psíquica e mecanismos.
· Reações psicossomáticas.
· Reações do grupo social em que está inserida (acolhimento e apoio, críticas, discriminação, revolta, expulsão).
· Aconselhamento sobre DST/HIV/AIDS.
· Importância da paciente respeitar o estado emocional em que se encontra e suas limitações.
· Apoio emocional.
· Entrevista psicológica com acompanhante ou familiar.

__________________________________________________________________

Geralmente a partir da segunda semana após o estupro, observa-se o início do progresso de elaboração psíquica da violência sofrida e reorganização da vida pessoal. A mulher apresenta-se mais integrada. Os sentimentos de medo e insegurança continuam presentes, porém de uma forma menos intensa e persecutória, sendo possível a reinsersão nas atividades cotidianas. O retorno à rotina diária é fortalecedor e colabora com a recuperação da auto-estima da paciente.
Dificuldades frente à figura masculina e retorno à atividade sexual freqüentemente despertam ansiedade e são relatadas em função das lembranças da violência sofrida. Em alguns casos se faz necessária a convocação para entrevista psicológica do parceiro sexual para avaliação e orientação a respeito do assunto.
A importância da avaliação psicológica neste segundo momento se dá em função do processo de elaboração psíquica não acontecer de uma forma linear, mas de maneira dinâmica e pessoal, havendo muitas vezes recaídas ou até a manifestação de quadros psicopatológicos como distúrbios depressivos e fóbicos. Deve ser avaliada a necessidade ou não de encaminhamento para avaliação psiquiátrica.

__________________________________________________________________


Segundo Momento

· Reorganização da vida após a violência sofrida (retorno ao trabalho, à escola, as atividades desenvolvidas).
· Prevenção de futuras conseqüências na vida pessoal (estado depressivo, escolhas de relacionamentos, perpetuação da violência).
· Recuperação da auto-estima.
· Encaminhamento para avaliação psiquiátrica, caso seja necessário.
· Repercussões no sentimento frente à figura masculina.
· Apoio emocional.
· Sentimentos persecutórios provenientes da violência sofrida.

__________________________________________________________________


Considera-se como terceiro momento, a situação específica em que ocorre gravidez como conseqüência de estupro. Nesta situação aspectos singulares devem ser abordados. A avaliação dos sentimentos relacionados com a constatação da gravidez, o levantamento dos princípios morais e religiosos, as fantasias relacionadas à gravidez e ao abortamento, a condição sócio-econômica e o apoio ou falta deste por parte dos familiares e pessoas afins são os principais aspectos levados em consideração no momento desta "difícil decisão". A opção pela continuidade da gestação ou pelo abortamento legal está permeada por sentimentos de angústia, ambivalência e culpa frente a esta decisão. É fundamental que a mulher que vivencia esta situação possa se sentir livre, sem preconceitos e julgamentos para fazer sua opção e sinta-se acolhida dentro da instituição, qualquer que seja a sua escolha.
O atendimento psicológico se faz necessário durante o período de decisão (pela interrupção da gestação ou continuidade desta); durante a internação (caso a mulher opte pelo abortamento legal); durante o pré-natal, parto e puerpério (caso decida dar continuidade à gestação). É importante a garantia de ser dado continuidade ao atendimento psicológico, caso haja necessidade.

__________________________________________________________________

Terceiro Momento

Casos em que ocorre gravidez:

· Sentimentos relacionados à constatação da gravidez fruto da violência sexual (ambivalência, culpa, rejeição, aprovação).
· Levantamento dos princípios morais e religiosos que podem interferir na decisão ou não pelo abortamento legal.
· Fantasias relacionadas à gravidez e ao abortamento.
· Acompanhamento psicológico no decorrer da internação para interrupção legal da gestação, havendo a possibilidade de dar continuidade a este no ambulatório.
· Apoio psicológico frente às opções outras que não o abortamento legal.

_______________________________________________________________


COMENTÁRIOS FINAIS

De janeiro a dezembro do ano de 1998, foram atendidas 54 mulheres vítimas de violência sexual no CAISM, sendo que a maioria delas (aproximadamente 60%) era adolescente e desconhecia o agressor que a violentou, o que denota serem vítimas de violência urbana e não de violência doméstica. A maior fonte de encaminhamentos destas mulheres foram as Delegacias de Polícia, especialmente a Delegacia da Mulher.
A experiência do CAISM tem sido apresentada e discutida junto a outros profissionais e instituições e foi escolhida como modelo pelo III Fórum Interprofissional para Implementação sobre o Atendimento ao Aborto Previsto por Lei (dezembro 1998).
Cabe ressaltar a importância do atendimento multidisciplinar a mulheres vítimas de violência sexual e a necessidade de que um número maior de instituições se estruture para facilitar o atendimento a esta população, que poderá ser poupada de um desgaste e exposição maior, caso receba o atendimento adequado próximo a sua moradia ou local em que foi violentada.


LEITURAS COMPLEMENTARES

1. Carpenito L. J. Diagnósticos de Enfermagem: aplicação à prática clínica. 6º ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. p. 472-478, 1997.
2. Direitos do Paciente divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo - SP, março, 1997.
3. Código de Saúde. Lei Complementar 791/95 de 09 de março de 1995 - autor: Deputado Estadual Roberto Gouveia, 1997.
4. Declaração Universal dos Direitos Humanos - ONU, 1948.
5. Faleiros VP. Metodologia e Ideologia do Trabalho Social. 3ª edição, Editora Cortez, São Paulo, 1982.
6. Pinotti JA. Ação e Reflexão: política, educação e saúde. Editora Unicamp, Campinas, 1986.
7. Burguess AW &Holmstrom LL. Rape Trauma Syndrome. Am. J. Psychiatry 131:9 (981-985), 1974.
8. Estatuto da Criança e do Adolescente - Brasília, lei nº 8069 de 13 de julho de 1990. Publicação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Campinas/ SP, 1995.
Artigo publicado na revista FEMINA (revista da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia / FEBRASGO), abril 2000, nº 3, volume 28

Rhamas